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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

01.Jun.20

UM BOM COMPANHEIRO E UM BOM AMIGO

Júlio Cortez Fernandes

Há cem anos 12 horas de uma segunda - feira,sepultaram no cemitério de São Sebastião na vila, restos mortais de personalidade das mais marcantes da Pampilhosa da Serra nas primeiras décadas do século XX.

Seria funeral,normal se não tivesse surgido de um acontecimento,memorável no quotidiano da Pampilhosa ; poderia começar era uma vez, não se trata de conto ou historieta, e sim de algo emocionante , e belo  dá que pensar.

O farmacêutico da vila, Cyro Simões Ferreira,vitimado por tuberculose galopante, doença ao tempo sem cura possível, viria a falecer, no entanto, quando se apercebeu do fim próximo,resolveu assumir, atitude  deixou  sociedade Pampilhosense estupefacta,

Cyro Ferreira,diplomado pela Escola de Farmácia de Coimbra,adquiriu estabelecimento do ramo existente na Pampilhosa; embora não sendo  natural, aqui decidiu viver até ao fim.

Político republicano de nomeada,exerceu cargo de Presidente da Câmara Municipal,  Administrador do concelho de Pampilhosa da Serra, entre outros, nos tempos conturbados de conflitos entre  Igreja e Estado, assumiu posição de radicalismo anticlerical. As relações pessoais com o pároco da Vila não eram cordiais, mesmo assim manifestou desejo , antes de expirar , se reconciliar com a Igreja,

Um dos padres ,coadjutor natural da vila reverendo Augusto Nunes de Almeida,recebeu incumbência de tratar do assunto.Ciro Ferreira pediu administração dos Santos Sacramentos.Depois dos Sacramentos, disse igualmente , gostaria de receber , como esposa civil e religiosamente a mulher com quem vivia maritalmente,  da qual havia duas lindas raparigas. Assim se cumpriu .

Casamento religioso com a autorização do Prior da paróquia, seria celebrado pelo padre Nunes de Almeida.

Dizia quem assistiu a tudo isto,  Cyro Ferreira,demonstrava  calma extraordinária, e grande contentamento, ao concretizar os últimos desejos.e reconciliado com a Igreja; todos se  admiraram devido ao seu temperamento, enquanto teve saúde.

Dois dias após consumação de todos actos,com tranquilidade , em paz expirava.Em homenagem e pela  condição de antigo autarca , bandeira nacional, no modo " funeral " seria içada no topo do edifício municipal.

Depois de missa de corpo presente na igreja matriz, formou-se  cortejo fúnebre onde se incorporam irmandade do Santíssimo ,banda filarmónica da vila , e muito povo; defunto gozava não só da simpatia dos habitantes da Vila, mas também de todo o concelho; a morte sinceramente sentida.

Cyro Ferreira  não havia completado 40 anos, além da mulher e  filhas órfãs, a quem fazia muita falta, deixou grande saudade porque era  "Bom companheiro e bom amigo ".

Na vila da Pampilhosa nunca mais se verificaria outro caso semelhante, durante décadas, muitas pessoas falavam neste singular e marcante acontecimento.A vila seria parecida em 1920

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