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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

03.Mai.20

ULTIMO "TE DEUM " ANTES DA IGREJA MATRIZ SER DESTRUÍDA PELO FOGO

Júlio Cortez Fernandes

A igreja paroquial da vila, ardeu em Fevereiro de 1907, templo estava num deplorável estado de conservação, apesar de inúmeros pedidos, as autoridades competentes nada faziam, com algumas pequenas reparações, no final de Abril 1906, palco de luzidas cerimónias religiosas, a propósito da chegada de novo pároco.

O reverendo padre Urbano Gonçalves Abreu Cardoso, anteriormente prior em Mortágua, membro de ilustre família da região,gozava de muito prestigio.pelo carácter, conduta exemplares e  dotes oratórios.A maioria dos paroquianos considerava escolha acertada

 Esperado no sitio  de entre -as -águas, na ponte sobre a Ribeira de Praçais. local pouco distante da vila. Surgiu na companhia do  grande amigo Padre Carlos José Fernandes de Almeida, vigário de Fajão.Nesse momento foram lançadas girandolas de foguetes , filarmónica Pampilhosense tocou peça do seu reportório escolhida para a ocasião.

Por entre alas compactas de povo, a frente da banda,  reverendo percorreu de modo triunfal, trajecto, pelo caminho designado do Pombal, até a igreja,quase repleta de fieis, onde  aguardavam  autoridades políticas do concelho,  melhor sociedade da terra, e também sacerdotes de toda região.

Ao acto de posse , assistiram os párocos de Vidual, Cabril,Cadafaz, Alvares,Pessegueiro, além do já citado de Fajão; e o coadjutor da paróquia

Prior Urbano Cardoso, subiu ao púlpito,proferiu empolgante sermão, afirmando, a recepção que lhe dispensaram de tal modo grandiosa que não se sentia digno dela.

Seguiu-se  missa cantada acompanhada a grande instrumental.No coro  junto a imagem de Nossa Senhora do Rosário,assistiram a cerimónia as damas, Dª Albertina Lobo,esposa do chefe da repartição de finanças, Dona Maria Natividade Melo e Nápoles, senhora do morgadio da Quinta da Feiteira, viúva do Dr. António Feiteira, moradora na casa hoje pertença da família Nunes Barata.

Dª Maria da Piedade Henriques da Silva,esposa do chefe da Estação telégrafo postal, conhecido popularmente por Xistra, grande amigo  e companheiro da caça do nosso,  avô Augusto Cortez natural e residente no lugar de Vale Covo, arrabalde da Vila. O casal passava temporadas na casa da quinta dos Silvas precisamente na foz de Vale Covo; presentes outras senhoras distintas cujo nome desconheço.

Ficou na memória tão imponente cerimónia , seria ultima missa com esta pompa e solenidade, antes do incêndio da Igreja, menos de um ano depois.

O coro destinado as senhoras ficava junto a Nossa Senhora do Rosário: na antiga igreja não seria nesta situação  felizmente a imagem foi salva das chamas

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