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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

08.Jun.20

TRÁGICA MORTE DO SENHOR PRIOR DA PAMPILHOSA

Júlio Cortez Fernandes

No ano de 1912, Pampilhosa da Serra, seria palco de acontecimentos  marcaram a história da Vila.

Confesso quando nas  pesquisas deparei com tal ocorrência, havia decidido, ficaria reservada para mim  a sequencia vertiginosa dos factos verificados naquela época.

Talvez influenciado por este tempo estranho e raro da pandemia,decidi,partilhar; mesmo havendo gente,não aprecia o meu trabalho, outros existirão, da leitura do que escrevo, recebem algum contentamento.

O mês de Junho,decorria temperado  cálido de dia e fresco a noite; as pessoas preparavam pela oração da trezena, a festa das mais populares e queridas da terra: Santo António.

Reverendo,padre Urbano Gonçalves de Abreu Cardoso,apesar de muito ocupado com os trabalhos da construção da Igreja Matriz,destruída em 1907, por pavoroso incêndio,ia no final da tarde , a Capela de Santo António, participar na trezena.

 Assim sucedeu 6 de Junho,quinta-feira, estando presente na capela de Santo António,situada num extremo da localidade, no decorrer da oração,tendo sede,bebeu água de uma garrafa; acto continuo começou  sentir-se mal.Apavorados os presentes, conduziram-no  imediatamente para sua casa; ali chegados, pouco depois, expirava, no entanto antes,teria pedido para ser autopsiado, suspeitando ter sido envenenado.

Seria chamado  subdelegado de saúde de Arganil, Dr. Leitão ; não confiavam no médico da Pampilhosa, pelos visto, não estaria de boas relações com  Reverendo Urbano,

Para adensar a tragédia os pais, residentes na Cerdeira de Coja , concelho de Arganil,de onde o nosso prior era natural, haviam decidido deslocar-se a Pampilhosa , de surpresa, passar o Santo António.Quando chegaram a Vila no final daquele dia, sem nada saberem, deparam com filho morto.

A autopsia realizou-se no dia imediato, concluindo o médico de Arganil, a causa teria sido " congestão cerebral ", acidente vascular como actualmente se designa.

As autoridades apreenderam a garrafa com a agua, hóstias e até um cântaro com agua para consumo doméstico para analisarem.

O funeral no dia 10,  foi concorrido, nele se incorporaram nove clérigos, a filarmónica e muito povo.Não compareceu ninguém do Bispado ,porque a Diocese estava sem Bispo; o titular,pela aplicação das leis anticlericais do novo regime , ficou proibido de nela residir pelo período de dois anos, com a justificação sendo amigo chegado , confessor da ex. Rainha Dona Amélia, seria perigoso adepto do regime deposto.

Permaneceu duvida teria sido ou não envenenado, desconheço resultado das análises e relatório da autopsia; a maioria das pessoas recusavam aceitar a hipótese de envenenamento ,afirmava-se a boca pequena, não havia quem odiasse o Padre a ponto de o matar.

O padre Urbano ,continuava adepto da Monarquia; médico da Pampilhosa Dr. Gouveia, republicano fundamentalista não teria prestado toda assistência clínica possível. Talvez por isso as autoridades competentes iriam pouco depois " despacha-lo" compulsivamente para Avô.

A tragédia que atingiu o Prior e sua família,marcou de forma indelével,a história da Pampilhosa, dizia-se a partir desta ocorrência,surgiu o hábito de quem mandava, para justificar o que não tinha justificação,inventava um "conto" ; e, também a ideia, na Pampilhosa se passavam " coisas" tão estranhas, que os de fora apelidavam " coisas da Pampilhosa".

Fiquei impressionado com a vida do Padre Urbano: pároco de Mortágua durante dez anos,veio para Pampilhosa  em Maio de 1906. Aqui chegado ardeu a Igreja, trabalhou e lutou muito para conseguir templo moderno e adequado,quando estava preste a inaugurar a nova matriz da Vila, subitamente, sem ninguém esperar,morreu. Infeliz este Senhor Prior. paz a sua Alma 

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