Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Há um dia para tudo, hoje resolveram atribuir efeméride a sítios e património.Recordo a propósito  lugar próximo da vila da Pampilhosa, pouco adiante da quinta da Feteira,onde habitantes da aldeia da Póvoa possuíam fazendas ou hortas, como designamos por estas bandas  pequenas courelas de cultivo de " primores" agrícolas , destinados a consumo próprio: Vale da Maia,assim apelidado o rincão.Lembro  primeira vez lá passei , na beira do caminho poeirento ,vi  cruz de ferro,  CRUZ DO VALE DA MAIA,algumas vezes citada pelos saudosos defuntos  avô, paterno,Joâo Carloto, e meu pai, referencia e poiso de resineiros no tempo da servidão que caracterizou durante décadas  quotidiano da gente serrana.

Lugar emblemático,emoldurado pelas cumeadas da Toita e Decabelos.No século XIX , o Vale da Maia,seria habitado, próximo ficava outro casal,chamado o Escaldado, também desaparecido.

O topónimo,sempre alimentou fantasiosas definições, procurei saber  significado, diziam  Maia, estava relacionado com as antigas festas das maias , realizadas pelos pastores durante  mês de maio para assinalar  regresso dos rebanhos as pastagens das alturas da montanha, e pedir aos "deuses"  dádiva de  bom ano pastoril.

 Neste local pastores e rebanhos, juntavam-se antes de subirem as encostas onde  mato recente de urze e carqueja, a erva alpestre, eram prenuncio de fartura para o gado , e muito leite e queijo.Estas celebrações de origem pagã,foram "domesticadas" nos rituais cristãos, para o Vale da Maia,afluíam rebanhos e pastores da Vila da Pampilhosa , aldeias da Póvoa ,Decabelos, Pescansecos e também dos senhores do "morgadio da quinta da Feteira", com finalidade  serem benzidos,pelo pároco da freguesia, normalmente , dia de Santa Cruz, inicio de Maio.

Os rebanhos senhoriais ficavam nas terras do "morgadio", os do povo, subiam para os cumes onde terrenos baldios propriedade do concelho eram utilizados colectivamente.Não existindo no sitio capela;  onde o "prior" procedia a "bênção" dos animais , ficava assinalado com uma cruz, no principio  de "madeira"  posteriormente para garantir maior durabilidade, alçaram no topo de pequena colina no cruzamento de caminhos, cruz de ferro.Não sei ainda existirá,no entanto,  na memória quedará, CRUZ DO VALE DA MAIA,símbolo da fé e tradição de povo de pastores , do qual orgulhosamente descendo.Sitio mágico património de todos Pampilhosense.Na foto a cruz ficava, sensivelmente, próximo do cruzamento de caminhos no centro da imagem.

PA095908.JPG

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:52



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D