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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

27.Ago.20

POLITICAS ERRADAS CONTRIBUÍRAM PARA ÊXODO DA POPULAÇÃO SERRANA

Júlio Cortez Fernandes

O  golpe de estado de 28 Maio 1926,levado a cabo por militares, politica e intelectualmente pouco preparados,esteve na genese do inverno demográfico que ainda hoje , afecta muitas regiões de Portugal.

No concelho de Pampilhosa da Serra, na década de 1920,  criação de gado caprino,seria uma das principais fontes de rendimento, das populações.Igual situação se verificava noutros municípios, nomeadamente, denominada Comarca de Arganil, (  Góis , Pampilhosa e Arganil ),  também em vários situados nas zonas montanhosas de Portugal.

Com objectivo, de " disciplinar "  apascentamento de gado caprino em terreno alheio, promulgaram os  dirigentes da ditadura militar , Decreto nº13658 de 23 de Maio de 1927, cujo artigo 23º estipulava :

Só é permitido, possuir cabras , não estabuladas, aos proprietários ou arrendatários de terrenos bastantes, para apascentar este gado e  sempre mediante licença da câmara municipal, requerida e  renovada anualmente, que cobrará taxa fixa por  cabeça  caprina, devendo os  requerentes ser pessoas idóneas para assinar termo de responsabilidade pelos danos causados.

& 1º Os donos de gado caprino, que invada propriedade alheias, ainda que possua  a licença passada pela câmara  ou transite de noite fora  das propriedades onde tenha licença par pastar, incorrem  nas penas  fixadas nos artigo 44º da reorganizarão  dos serviços  de policia florestal, aprovada  pelo decreto  de 3 de Novembro 1926.

& 2º Os donos dos prédios  invadidos por gado caprino poderão apreende-lo na presença de  duas testemunhas, e entregá-lo a câmara municipal na sede do concelho, ao regedor da respectiva freguesia ou aos guardas florestais e guarda republicana, no caso de existirem na  localidade.

O efectivo caprino  no Município de Pampilhosa da Serra em 1930 ultrapassava duzentas mil cabeças.Esta legislação provocou elevado numero de querelas na justiça, e conflitos entre pessoas e mesmo, entre aldeias vizinhas.

O regime Salazarista, consolidado pela Constituição política de 1933, não revogou esta legislação, pelo contrário agravou-a com  apropriação dos baldios.

Durante a década 1930, a população, tentou resistir, mas  coimas, e a vinda de mais guardas florestais, conduziu ao desanimo.

A licença  camararia custava $50 centavos por cabeça, quem tivesse 20 cabras, pagava 10$00, um dia de salário de assalariado rural. A multa estabelecida pele artigo 44º. era 4$00, por cabeça, Uma enormidade,

 No final da década assistiu-se  venda maciça dos rebanhos, e  debandada para  Lisboa e Porto. Aquilo  pensavam ser fonte de receita para Estado e Câmaras, resultou afinal, em ruína de pessoas e  povoações.As políticas erradas são algumas vezes causas do  mal dos povo. Aqui embirraram com  cabras, e acabou tudo a "marrada  ".

A aldeia das cabras na aldeia das Moradias, mostra actualmente o caminho a seguir, para recuperar o valor económico da caprinicultura. Quem sabe, o exemplo será principio de tempo novo. Oxalá. A cabra da foto parece tranquila quanto ao futuro

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