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aguadouro

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22.Nov.18

PARTICIPOU NA 1ª GUERRA MUNDIAL - MEMBRO DE ABASTADA FAMÍLIA DA PAMPILHOSA DA SERRA

As comemorações assinalando o centenário da Grande Guerra de 1914-1918, estão a chegar ao seu epilogo. Quando assistia a eventos realizados no âmbito da efeméride, amiúde lembrava a participação de patrício, destacado oficial do contingente das tropas Portuguesas, enviadas para o teatro de operações em França. Digo patrício porque apesar de não ter nascido na Vila de Pampilhosa da Serra, era filho e neto de naturais do concelho.

A história interessante e cheia de peripécias dava um filme.

Os pais por razões desconhecidas, talvez devido a oposição dos progenitores ao casamento, imigraram, indo residir para o concelho de Castelo Branco. Lá nasceu Alberto Carlos.

Mais tarde, em razão do pai ter sido nomeado funcionário superior das alfandegas foram residir para Lisboa. Alberto  frequentou  ensino secundário e superior, tendo ingressado na carreira militar. Quando eclodiu a guerra 1914-1918,  mobilizado embarcou para França numa quinta feira 14 de Junho de 1917, com o posto de Major da arma Artilharia, no teatro de operações seria integrado no comando da sua arma, em 21 de Agosto de 1917. Nomeado comandante do 1º grupo de baterias, demonstrou valentia e grande competência, a esmerada preparação académica no domínio da matemática, permitia que o tiro das peças fosse certeiro e mortífero, granjeou admiração e estima dos seus pares Aliados. Promovido a tenente coronel, por decreto de 16 Setembro de 1918.

Oficial do quadro de Regimento de Artilharia nº3 aquartelado na cidade de Santarém, o 1º grupo do RA 3, sob seu comando combateu na batalha de La Lys. Desembarcando em Lisboa a 16 de Fevereiro de 1919, ascendeu a patente de Coronel, pouco depois passou a reserva, falecendo em Lisboa a 27 de Outubro de 1957, na idade de 87 anos. Jaz no cemitério dos Prazeres em jazigo de Família, que já visitei.

Seus pais Joaquim Urbano das Neves e Castro, filho do Sargento-mor da Pampilhosa, Francisco Caetano das Neves e Castro e da sua segunda esposa Dona Antónia Emília, aquele natural de Pampilhosa e esta da vila do Fundão. A mãe Dona Maria da Piedade e Castro, natural de Dornelas do Zêzere, filha de Simão Pedro proprietário, natural de Fajão e Dona Maria Gonçalves também de Dornelas.

Joaquim Urbano, havia nascido na solarenga residência da família, a "casa branca", por ser a única casa caiada na vila além da igreja matriz, até ao fim da sua longa vida, visitava frequentemente a Pampilhosa, numa dessas viagens teve a companhia de Alberto Carlos.

Comprou as partes da herança dos parentes, tornou-se  único proprietário da casa, a qual vendeu pouco antes de falecer, em Lisboa idade 90 anos a Eduardo Carlos, notário e empreiteiro, na Pampilhosa.

Alberto Carlos Neves e Castro seria condecorado com  grau de grande oficial da ordem militar de Avis, que recebeu das mãos do senhor Presidente da República General Óscar Fragoso Carmona, no 5 de Outubro de 1931.

Neste tempo de comemorações da passagem do centenário da primeira guerra mundial merece ser recordado. Apesar de não haver nascido na nossa terra, como demonstrei, era Pampilhosense de gema. Honrei a sua memória e orgulho-me de ser conterrâneo de um Militar de tão elevada craveira e relevância castrenses.

Paz a sua alma

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