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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

14.Mai.20

O ÚLTIMO CAUDILHO DA MONARQUIA - NA VILA E CONCELHO

Júlio Cortez Fernandes

No dia 16 de Dezembro de 1909, pelas dez horas da noite, faleceu na Vila de Pampilhosa da Serra, o derradeiro chefe político do Partido Regenerador, no Concelho.

Após doença persistente, no entanto de modo repentino, António Carlos Nunes, notário, aposentado cerrava para sempre os olhos, no aconchego de sua casa na vila. Havia sido ao longo da vida político influente, e pessoa de  mérito.

Com a sua morte a Pampilhosa perdia um dos seus mais acérrimos defensores, desvelado amigo e querido filho. 

Conhecida a noticia, começaram chegar de diversas os localidades do concelho, e outras em redor, pessoas de todas as classes sociais para apresentarem condolências, e participarem nas cerimónias fúnebres.

O funeral realizado, sexta-feira 18 Dezembro, revestiu-se de imponência, como poucas ocasiões observadas na Vila.

O cortejo fúnebre, dirigiu-se da morada do finado para a Capela da Misericórdia, porque a igreja matriz estava em obras como resultado do incêndio  que a destruiu em 1907.

No prestito, incorporam-se as Irmandade do Santíssimo e da Misericórdia, a Filarmónica Pampilhosense, a mais distinguida sociedade da Vila e concelho, e  uma multidão tão numerosa que tornou difícil o transito;  apesar da chuva intensa, ninguém arredou pé.

Celebrou-se oficio de corpo presente e missa de requiem, acompanhada pela orquestra do "Grupo Musical". Assistiram o reverendo prior da Vila, padre Urbano Gonçalves, o coadjutor e os párocos do Colmeal, concelho de Góis e os do Vidual, Machio e Unhais-o-Velho.

Terminadas estas cerimónias, saiu cortejo caminho do cemitério em São Sebastião, do mesmo modo que havia vindo de casa do finado.

A urna levaram-na aos ombros seis irmãos da Irmandade do Santíssimo de que Carlos Nunes era irmão. Sabemos  nome de um dos irmãos que conduziu o caixão. As chaves da urna levada em mão pelo Administrador do Concelho, António Maria Duarte Gil, dedicado amigo e correligionário do defunto.

Junto à sepultura usou da palavra, pronunciando emocionado discurso, Firmino da Mota Arnaldo, antigo presidente da Câmara a quem o povo apelidava pela forma de vestir o "jaqueta curta".

António Carlos Nunes, foi cuidado com carinho pela sua dedicada companheira e enfermeira, deixou filhos ilustres,  a saber:

António Carlos Oliveira: escrivão da fazenda publica em Miranda do Corvo; Dona Maria Joaquina Carlos de Mendonça, Jayme Carlos, Eduardo Carlos: notário,e Albano Carlos.

Naquele dia invernoso, de chuva torrencial, e frio Dezembro de 1909, parece-se com a morte do ultimo caudilho da monarquia liberal, que a Pampilhosa conhecera, e que de modo adivinhatório anunciou o fim do regime monárquico que chegaria menos de um ano depois a 5 de Outubro de 1910.

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