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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

28.Mai.21

MEMÓRIAS DOS LAGARES DE AZEITE DA VILA

Júlio Cortez Fernandes

Esta comprovado a oliveira, seria introduzida nas montanhas da Cordilheira Central de Portugal, durante século XVIII. No território do antigo, concelho de Pampilhosa ; plantio de olivais, sofreu incremento, consequência das leis Pombalinas,ordenando arrancar as vinhas;  locais onde estavam videiras, principalmente nas calçadas, como aqui se designam os socalcos, surgiram milhares de oliveiras. Um exemplo. próximo da vila, na encosta do Cabeço da Urra,encontramos a lomba da Foz das Videiras, recordo ter visto muitas calçadas de olivas; depois do grande incêndio 2017, ficaram visíveis com nitidez, socalcos onde primitivamente existiram vides.

Para moer azeitona destes olivais foram surgindo vários lagares,do tipo romano, ou de vara, movidos pela agua da ribeira, O mais antigo, o de São Sebastião, lagar de cima, como designava o povo, situado onde hoje está  memória "modernista", junto ao açude da levada para o  engenho , na zona do "poço do munho ", na ribeira, integrado na praia fluvial da Vila.

O lagar de São Sebastião,pertencia a Quinta de São Martinho, durante séculos,teve por limites,cume do cabeço, por cima do Vale Castanheiro, até a ribeira: está documentada  existência deste lagar antes de 1763.

Meu pai, exerceu ali função de mestre lagareiro,até emigrar para Lisboa em 1951.Nesse tempo para  fabrico do azeite já se  utilizava, moderna prensa hidráulica. Recordo a disposição dos órgãos compunham o lagar.

Transposta larga porta de acesso, esquerda ficavam as tulhas de cimento onde azeitona, aguardava entrada no pio, onde rodavam as grossas galgas de granito, que transformariam em massa, recolhida, para as ceiras, de esparto, estas, pilhadas no carro, seguiam para a prensa situada num plano elevado, a direita de quem entrava.

 Roda exterior tocada pelas agua da levada, fazia mover as gagas através de transmissão por correia .Ao fundo ficava a caldeira, de aquecimento da agua, para o processo de fabrico; nas tarefas ou potes,situados a seguir a prensa ao nível do solo.

A agua para caldeira, provinha da levada, bombeada por bomba manual, colocada , junto a porta de acesso lateral; entre esta porta e caldeira, ficava dentro de compartimento de madeira pote do  "Santíssimo Sacramento", onde os "freguesses" deixavam oferta destinada alimentar lamparina perpétua da Igreja, que alumiava o Santíssimo.

Por debaixo da lage de betão do chão, ficava  grande deposito, também de cimento, para onde seguiam as borras das tarefas, chamado " ladrão" 

Hoje quedo por aqui.. Na imagem de documento datado 1763, referencia "tem um lagar de azeite a SAM SEBASTIAM " citando igualmente os moinhos contíguos.

sebastiao 1.JPG

 

 

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