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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

15.Mar.21

MARAVILHAS NATURAIS DA RIBEIRA DA PAMPILHOSA.

Júlio Cortez Fernandes

Continuando desfiar lembranças,volto ao tema das peculiaridades ainda conheci na ribeira,afluente do Zêzere e atravessa o concelho de Pampilhosa da Serra desde as alturas da aldeia de Meãs, até desembocar no rio tributário no termo de Nossa Senhora da Boa Memória dos Padrões.

A construção das Barragens, do Castelo de Bode, Bouçã, e Cabril,sem dúvida, uteis e necessárias ao progresso do País, não respeitou vertente ambiental; em nenhuma delas se considerou eclusa para peixes, assim a riqueza piscícola do Zêzere e seus afluentes sofreu  rude golpe.

No tempo da infância, antes do fechamento das barragens, recordo os salmões saltando as centenas na agua dos açudes, nadando para a nascente da ribeira na época da desova. Enguias abundavam; peixe era tanto resistia as pescarias criminosas com explosivos e envenenamento.

Além de tudo isso, guardo viva memória de facto marcante. Certo dia devia ser perto inicio de Outono, acompanhei a nossa avó materna Emília Mota,até ao moinho dos Silvas,onde iria moer milho , para a farinha da broa, todas as semanas cozia, no forno da nossa casa de Vale Covo.

Chegados a moenda, enquanto  minha saudosa e querida avó, lançou a mó, e esperava a conclusão do trabalho, desci a ribeira, frente ao moinho descreve curva, originando naquele tempo,  sitio mais profundo. Fica junto a parede do chão tratado pelo pai da minha amiga Esménia  da Herminia, morava na vila na Carreira de Santo António. 

Na horta, numa esquina existia imponente pereira que largava muita da fruta na agua da ribeira.Nesse local, para meu espanto, vi numero significativo de bichos de pelo luzidio, que mergulhavam nas aguas do " poço " no curso de agua, voltando a superfície, aparentemente, divertindo-se apanhar muitas peras, que iam caindo lá do alto da parede do " chão ".

Não fazia ideia, espécie de animais se tratavam. Voltei lesto para junto da avó, já a fechar  o fole da farinha, e disse " Vi ali umas ratazanas da agua ", emendou logo, dizendo " não são ratazanas , são lontras ". Nunca mais esqueci.

Mais tarde meu avó materno, grande caçador explicou havia apanhado muitas para aproveitar a pele. Para comer não prestavam a carne sabia muito a lodo e peixe.

As barragens acabaram com abundância delas na nossa ribeira, nem sei porventura existirão hoje algumas.

Na cultura da nossa gente perdura, conhecimento do simpático e bonito animal, de corpo rechonchudo. Ainda agora quando deparam com alguém bem nutrido, e corado, diz   "PARECE UMA LONTRA ". Nunca mais esqueci, passados algumas décadas estou a escrever acerca das " ratazanas " afinal eram lontras, frequentadoras destas cristalinas aguas desde sempre...

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