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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

05.Jun.20

INVENTÁRIO - ALGUNS BENS NA IGREJA DA MISERICÓRDIA PAMPILHOSA DA SERRA

Júlio Cortez Fernandes

Nos termos do artigo 62º e seguintes da lei da separação do Estado e das Igrejas de 20 de Abril de 1911, procedeu-se ao arrolamento e inventário do património existente a data de 11 de Outubro 1928, e  apurou-se:

Nº1 - Uma igreja chamada da Misericórdia, composta de um pavimento terraço com uma dependência uma loja e primeiro andar servindo de sacristia e adro, confrontando do nascente sul e norte com rua pública, poente com herdeiros de Dr. António Almeida e Sousa, e Daniel Baeta de Vasconcelos;

Nº2 - Um altar de madeira com três retábulos, em madeira, uma imagem do Senhor dos Passos com um coroa  de prata e uma imagem do Senhor dos Aflitos (...);

Nº3 - Três painéis , representando  o SantSudário;

Nº6 - Dois retábulos de madeira, representando a visitação e a circunscrição;

Nº7 - Um altar de madeira com aplicações de talha dourada com a imagem da Senhora da Soledade, um crucifixo e  seis castiçais de chumbo;

Nas cópias de documentos anexos estão especificados outros pertences do templo.

Na década de 1930, na permanência do Padre Aníbal Pacheco no cargo de Pároco da Freguesia de Nossa Senhora do Pranto; seriam realizadas obras de restauro, procedendo-se a colocação dos actuais altares de madeira.

Guardo boa memória das procissões quaresmais, onde pagadores de promessas, carregavam as  cruzes de madeira de castanho. Uma com 3,20 e outra 2,00 metros de altura respectivamente, tamanho gingante, estimulava nossa  imaginação de pequeno devoto.

As imagens guardadas na Misericórdia, são de boa talha, "ar" das sagradas figuras, pungente e doloroso; impressionavam  sempre quem assistia ou participava nos cortejos.

Para mim, nada suplantava em misticismo e devoção, as cruzes parecendo pesadas, difíceis de carregar, admirava quem suportava tanto peso. 

Relacionado a remodelação da igreja, obra de carpintaria,  executada por  artífice , vindo duma terra distante da Pampilhosa ; há um pormenor delicioso.

Os trabalhos, prolongaram-se por mais  de um ano; além de ter caprichado, deixando o templo num "brinco", o carpinteiro - entalhador, provocou uma paixão. A irmã do Padre;donzela, sentindo amor contrariado pela família, decidiu - como se dizia então na vila - "fugir" com o "artista".

Facto originou falatório durante muito tempo. Não sei,  se teria havido, final feliz. Oxalá, tenha sido.

Curiosamente, no arrolamento não referem "pia" de água benta existente junto a porta lateral do templo,  a qual considero uma relíquia no género.

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Antes de concluir outra "novidade" : descobri no final do século XVIII. nosso parente, Simão Fernandes Cortez Barreiros, escreveu depoimento contra o provedor da Misericórdia, acusado de administração danosa, depois de averiguações, que provaram os factos, seria demitido o tal provedor.

Simão Cortez , "vivia de sua fazenda" isto é, possuía meios de fortuna; filho primogénito do nosso quinto avô Simão Barreiros, e de sua mulher Josefa Maria Cortez. Simão, faleceu, na Pampilhosa, sendo solteiro e octogenário no ano 1790, ficando na história familiar sendo :   "tio Simão ".