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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

11.Jan.20

INAUGURAÇÃO SEM MUSICA

Júlio Cortez Fernandes

Num dia que se apresentava esplendoroso,mal grado estarmos em Novembro,  Pampilhosa da Serra,foi palco de importante  acontecimento histórico: inicio da carreira de autocarros  Coimbra - Castelo Branco.

Em pleno Verão de São Martinho,quinta-feira, 13 do citado mês no distante 1952,pouco depois ter batido  no relógio da igreja matriz  meia hora das 8 da manhã, surgiram vindos do lado de Coimbra dois reluzentes autocarros;estacionaram no largo do mercado, onde apesar ser cedo compareceu muito povo.Paradas as viaturas estrondosa salva de foguetes e morteiros ecoou pelo céu da vila em tal numero, terminado " fogo "  manto de fumo com cheiro a pólvora cobria todo vale. 

Após breve troca de cumprimentos as personalidades que viajavam nas "camionetas ",juntou-se outra viatura onde tomaram lugar  , Presidente da Câmara, Luiz Nunes,vereador Porfírio Carneiro, pároco Padre Benjamim Alves, farmacêutico Artur Gil dono da farmácia , Dr. Fernando Nunes Barata,secretário da Camara Municipal de Coimbra,natural da vila;  chefe da estação dos correios Dona Lúcia Antunes, irmãos José e Basílio Cunha, funcionários públicos ,  comerciante António Nunes, cujo negócio seria um dos mais favorecidos com abertura da carreira porque as partidas e chegadas das camionetas durante largo se tempo fizeram no " Ribeiro "  fronte ao seu estabelecimento.

 Além destes subiu para a viatura a Srª D.Palmira Nunes e Cunha,sócia da concessionaria empresa Viação da Beira  .Autocarro ficou lotado com outros ilustres Pampilhosenses, igualmente convidados.

A caravana partiu as 9H e 30 rumo a Castelo Branco, debaixo dos vivas da população, até desaparecer na grande curva do sitio da  Cabeçada.

Ao longo de todo percurso populares acorreram as bermas da estrada acenando com lenços como sucedeu nas povoações da Sancha Moura e Gavião.

Chegada aldeia de Cambas, sinos da igreja repicaram,  população  em peso obrigou  paragem dos autocarros a saída da ponte sobre o Rio Zêzere inaugurada três anos antes Janeiro de 1949.

Em  Orvalho as crianças das escolas fizeram alas ladeando os autocarros, estralejaram foguetes e morteiros.Na Foz do Giraldo, entusiasmo semelhante.Lameirinha  e Paiágua muita para presenciar o cortejo.

 Salgueiro do Campo no meio de entusiatico acolhimento é servido vinho do Porto e bolos a todos passageiros.

Vencidos derradeiros quilómetros de  viagem cansativa motivado pelo deplorável estado de conservação de alguns troços da EN 112, a caravana chegou ao largo da estação ferroviária albicastrense as 11 horas e 15 minutos,sendo recebida por Anselmo Cunha um dos proprietários da Viação da Beira.

 Mais tarde pelas 13 horas  servido " abundante almoço " no Hotel Lusitano  repasto presidido pelo representante da Câmara  Municipal de Góis, devo lembrar, accionista maioritário da empresa Sr. António Augusto de Matos era oriundo daquele concelho; todos oradores se congratularam com concretização da ligação da cidade dos estudantes e a  capital da Beira Baixa,passando pela Pampilhosa da Serra.

Terminada a festa os convidados regressaram as suas terras convictos haverem participado num evento memorável.

Na Vila, algumas pessoas ,pelo facto da filarmónica,  passava por período de quase extinção, não ter participado na inauguração,diziam ser mau presságio.

A carreira poderia trazer progresso vida melhor para as gentes serranas. A princípio talvez, todavia aberta outra ligação ao caminho de ferro,  na  linha da Beira Baixa...

Exodo da população, acentou-se. Se calhar a " música " fez mesmo falta.

Foto antiga da Pampilhosa em primeiro plano largo do Ribeiro e casa onde funcionou  " terminal das camioetas da carreira "

Pampilhosa da Serra 1942.bmp