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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

25.Mar.20

HISTÓRIA SECRETA DA BARRAGEM DE SANTA LUZIA

Júlio Cortez Fernandes

A Barragem de Santa Luzia, ex-libris do concelho de Pampilhosa da Serra,  exemplo de capitalistas astutos amigos dos governantes, fizeram fortuna  regateando pagamento justo aos habitantes da aldeia do Vidual de Baixo, pelo alagamento de  casas e terras.

A história começa, quando começaram obras de construção da albufeira; o povo vidualense; desprotegido do amparo do Estado, ficou nas mãos da companhia eléctrica que aproveitando situação, viria a pagar miseravelmente os prejuízos provocados pelo desaparecimento da povoação.

Comoção tão forte, até  do pároco, o senhor Padre José Lourenço que sucumbiu a ataque cardíaco fulminante.

Jornalista que visitou a região na altura escreveu:

"Entendemos que a companhia não deve regatear em demasia atendendo a que o valor estimativo é mais importante que o valor real. Compreendemos o amor à casita, embora humilde ao quintal e a leira da encosta ou da várzea, é justo que se dêem vantagens compensadoras do sacrifício exigido".

Não fizeram caso, preocupados em iniciarem, rapidamente a produção de energia eléctrica; no ambiente de pré-guerra da conjuntura mundial, que dificultava  importação do carvão de hulha.

A barragem de Santa Luzia, deveria fornecer energia eléctrica, às cidades de Coimbra, Covilhã e couto mineiro da Panasqueira, libertando aquela mina da importação de combustíveis fosseis para produzir  electricidade.

Um dos accionistas da companhia eléctrica das Beiras, despachante alfandegário da empresa mineira, sabia que quantidade de minério exportada e apetência do mercado por volfrâmio cuja cotação subia exponencialmente, nas bolsas de matérias primas tornavam urgente a execução da obra. 

Costuma-se dizer que era: dinheiro em caixa; garantido em larga medida pela  compra do governo da Alemanha nazi, cliente insaciável de tungsténio,  motivado por enorme esforço bélico, preparando a guerra que chegaria em 1940.

Iniciou projecto com abertura da estrada de acesso desde sitio Rolão, pela serra, longe da vila até ao local da obra, na Lapa do Vidual,  dai a aldeia de Esteiro na margem do Zêzere, local da  central  geradora. Em 1938 concluídas a torre de toma de água da albufeira e conduta forçada, pronta ser ligada a central eléctrica, onde tudo estava a postos para instalar turbinas.

O desnível da albufeira até margens do Zêzere é 260 metros, distante pouco mais de três quilómetros; tal queda de nível, com pequena altura de água na barragem garantia a produção de electricidade.

Assim aconteceu, antes da conclusão, procederam ao enchimento, principiando inundação da envolvente do Vidual de Baixo, sem terem sido acordados os miseráveis montantes indeminizatórios à maioria dos moradores.

A energia partir de 1939 poderia chegar à subestação das minas da Panasqueira, através de linha de transporte a 40Kv, financiada por empréstimo da Caixa Geral Depósitos, autorizado por recomendação pessoal de Salazar. Na direcção de Coimbra, linha a 60 Kv, em 1937, ia além do sitio do Farropo.

O fornecimento de energia eléctrica "informal", possibilitaria à companhia sólida base financeira, porque energia eléctrica de fonte hídrica, permitiria aumentar extracção de volfrâmio sendo paga a bom preço; dispondo de água, as turbinas podiam entrar em funcionamento. Claro tudo, seria feito em absoluto sigilo.

Do "bolo" do projecto saiu ao povo do Vidual de Baixo a fava! Aos accionistas da companhia eléctrica lucros fabulosos; e impostos devidos ao Estado nem um cêntimo. 

Na inauguração oficial da central em 1943, nenhum membro do governo,  talvez por decoro, esteve presente; na realidade seria cerimónia a  "fingir"? (...)

Observamos na foto dique ainda por acabar e a albufeira com significativo volume...

Barragem de Santa Luzia.bmp

Para não quedar qualquer dúvida  " funcionamento solicitado ".

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