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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

13.Jun.20

" GUERRA " DAS FILARMÓNICAS - 13 JUNHO 1912

Júlio Cortez Fernandes

Dia era quinta-feira, amanheceu com céu limpo, tempo ameno, ligeiro vento fresco, soprando dos lados da serra, conhecido por "agueira".

Na Pampilhosa da Serra,pressentia-se atmosfera, tensa, apesar do  dia  de Santo António, ser normalmente  ocasião para folia e divertimento,verdadeira animação sendo boémio e simples, casamenteiro,animava como nenhum outro a gente da vila, maioria  criaturas singelas, e diga-se em abono da verdade sem grande espírito religioso, relativamente ao Santo.

As 9 horas da manhã, vindo a frente o tesoureiro da festa,e republicanos radicais," capitaneados ", pelo médico, Gouveia,sem acompanhamento popular,somente dois rapazes contratados , para efeito, iam deitando foguetes,

Percorreram as ruas da vila,seguindo em fila, para a ermida de Santo António, naquele tempo acesso por uma estreita vereda, não permitia outro tipo de " formação ".

A banda  " Oleirense ", vinda da vizinha Vila de Oleiros,havia sido fundada em 1894, pelo padre Joaquim Silva Reis,estando na altura na verdura dos seus 18 anos,  não foi bem recebida pelo povo.

Todos estavam de acordo, a banda de Oleiros tocava afinada e se apresentou vistosa, bem uniformizada.Durante a missa cantada,em Santo António,tocaram estacionados,  por detrás da capela, bonito e bem ensaiado reportório.

As 5 da tarde foi o bom e o bonito,a pedido do povo, saiu uniformizada a banda da Pampilhosa debaixo da batuta do seu regente, monárquico ferrenho, acompanhada por centenas de pessoas não só da vila, mas também vindas do " termo ",  ao som de nutrido foguetório, em clima de louco delírio,foram também tocar a Santo António,

A situação chegou a estar prestes a descambar num arraial de pancadaria, houve bom senso, tudo ficou por ai.

Há mais;fico hoje por aqui, no entanto,compreendemos melhor a angustia do senhor Prior  de que falei no ultimo texto, sabendo estava preparado, temia o pior; quem sabe não teria sido a sua morte, o travão que impediu o pior?

Segundo tradição oral, desta ocorrência, ficou o grito em honra da banda da nossa terra, as pessoas lançavam quando desejavam saudar a "musica" : VIVA A NOSSA

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Alpendre da capela de Santo António em Pampilhoda da Serra