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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

07.Jul.20

FIM TRÁGICO - ARTISTA VARIEDADES NATURAL DA VILA

Júlio Cortez Fernandes

Foi personalidade conhecida, no mundo do espectáculo, natural da vila de Pampilhosa da Serra, faleceu tragicamente em 2014.

Um preâmbulo sintético para começar a história, onde a realidade e a ficção são quase de molde igual, neste caso, e antes que surja comentário usual "até parece mentira".

No inicio da década 20 século passado, no ano 1924, mês e dia que desconheço, nasceu na freguesia de nossa Senhora do Pranto uma menina, filha do casal Maria da Soledade Olivença e João Borges, no baptismo receberia nome de Maria Urbana Borges.

Viveu da Pampilhosa ate aos 8 anos de idade, onde concluiu a primeira classe  escolar, indo depois para Coimbra viver com familiares; posteriormente rumou a Lisboa, onde viria a frequentar o ensino secundário.

Com 18 anos completados, ingressou na vida artística, primeiro no teatro de revista, onde conheceu artistas famosos na época como: Herminia Silva, António Salvador, José Viana, Barroso Lopes, Irene Isidro, Anita Guerreiro cuja madrasta curiosamente era natural da Pampilhosa, entre outros. Participando também nas revistas: José Aperta o Laço, Saias Curtas, Ele aí Está na Mesma, Viva o Homem, etc etc...

No género da comédia, estreou-se ao lado da grande actriz Laura Alves, no desaparecido Teatro Monumental na peça "Viva o Luxo" que subiu a cena 1953.

Actuou em diversas salas de espectáculo como: Maria Vitória, Coliseu dos Recreios de Lisboa, Coliseu do Porto, Teatro do Funchal na ilha da Madeira, integrando o Ballet espanhol, trabalhou em todo país. Nunca viria a deslocar-se em trabalho ao estrangeiro, mas viajou por toda a Europa em turismo.

Foi cantadeira talentosa de fado! Cantou em espectáculos públicos, jamais em casas típicas e tocava bastante bem guitarra, talvez fosse ensejo permitiu conhecer o grande guitarrista Raul Nery, de quem, mais tarde seria companheira. Não gravou qualquer disco.

Amealhou meio de fortuna, deslocava-se a amiúde à Pampilhosa para visitar os pais que cuidou sempre com  desvelo e carinho, as viagens breves, duravam normalmente um ou dois dias. Auxiliava instituições de benemerência, e quem precisava, sem fazer alarde disso.

Sua mãe morreu na Pampilhosa em 1972 e o pai em Lisboa 1982, não deixaria descendência.

Adoptou o nome artístico de Rosa Maria Borges, António Salvador, grande actor, chamou-lhe: ROSA SERRANA.

Em Março de 2014, com cerca 90 anos, viúva  de Raul Nery, morreu carbonizada em consequência de incêndio deflagrado no terceiro andar do prédio, onde habitava na Avenida das Forças Armadas, perto do Hospital de Santa Maria em Lisboa.

Vivia solitariamente, acompanhada por inúmeros gatos, e um papagaio, ocupando-se igualmente, de felinos vadios a quem providenciava, comida na rua.

Parece na última fase da vida teria problemas mentais. Infelizmente, acabou de modo trágico, esquecida de todos, principalmente dos conterrâneos, a maioria nem saberiam, sequer da sua existência.

A fotografia é do tempo em que actuava no teatro.

Era uma  mulher bonita.

Paz a sua alma.

rosa maria.jpg

 

   

 

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