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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

04.Set.19

EVOCANDO FIGURA GRADA NA PAMPILHOSA DA NOSSA INFÂNCIA

Júlio Cortez Fernandes

Certas ocasiões , sem fazer por isso acontecem coisas  trazem a memória factos que pensava definitivamente esquecidos. Parece mentira.

Há para ai uma semana, remexendo papeis que já comecei a destruir, porque há um fim para tudo. Num numero do Jornal da Comarca de Arganil de 1989, no obituário li noticia que refrescou as minhas lembranças.

Devia ser nos inicio da década 1950.tempo de brincadeiras e travessuras; quando permanecia em Vale Covo, sempre surgia no negrume da paisagem,  nuvem de pó  na estrada das  Aldeias, para os lados do " rencão e redondel " já sabia era o jeep do Jaime do Preles.

De facto Jaime Augusto Santos, conhecido popularmente por Jaime do Preles, dado ser natural da quinta daquele nome, mas já morador na Aldeia Fundeira.

Homem rico e influente,deslocava-se quando permanecia na Pampilhosa, num moderno jeep de  conhecida marca inglesa.Veiculo rápido confortável moderno e espaçoso, via passar muitas vezes junto a minha casa na rua do Calvário, e também começar a fazer poeirada, assim curvava  na Cerejeira do Ti Luciano, onde acabava a calçada das ruas da Vila.

Era fervoroso adepto da situação política da altura até  conseguiu estação de correios para a Aldeia Fundeira,  para abertura ao publico da qual, vieram de fora moças vistosas que fizeram descarrilar alguns alunos do seminário, por via disso mandaram  sonho sacerdotal, dar uma volta.

Parece o Senhor Jaime teria ambições políticas, com outros empresários naturais da região tiveram um dia a quimérica ideia de tentarem restaurar o extinto concelho de Alvares.

Deixo isso de lado e retomo, a ideia inicial,Um dia o Jeep estava estacionado na Praça da Vila da Pampilhosa, junto ao antigo bebedouro dos bois , que existiu em frente onde são hoje  WC publicos.O senhor Jaime estaria no edifício camarário a tratar de burocracias. Eramos três mariolas,  para o que nos havia dar, com um pauzito de fosforo, retirada a carrapeta, vazamos ar a dois dos pneus do " bólide ".Retiramos do local e escolhemos observatório, para gozarmos a chegada do condutor e reacção que teria ao constatar a " patifaria ". Assim foi, furioso  procurando tentar ver  quem pudesse ter sido  autor da " façanha ", não viu ninguém , retirou da mala traseira do jeep bomba de ar com pedal, e toca de encher os pneus; nós a gozar o momento.Resolvido o problema arrancou  assim que desapareceu na esquina da casa do ensaio da musica , aparecemos , ficamos caladinhos como o " tónho ".

Descobri, o senhor Jaime Augusto dos Santos, faleceu há precisamente 30 anos, em Lisboa , na sua casa na avenida de Roma, com 76 anos de idade.O funeral realizou-se dia 23 de Maio da Igreja de São João de Brito, em Alvalade para  cemitério do Alto de São João com elevado acompanhamento; não deixou descendência.

Evoco aqui memória de benemérito e pessoa interessada nos problemas das gentes serranas, e para mitigar a minha participação na maldade pneumática,lembro a circunstancia de ter sido figura grada da sociedade do seu tempo; se mais não houver eu não o esqueci.

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