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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

27.Mai.20

EPISÓDIO QUE LEVOU ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR...AOS "ARAMES"!

Júlio Cortez Fernandes

Em Março de 1933, domingo dia 19, dedicado a São José, festa na localidade de Aldeia Cimeira, realizou-se por todo país, plebiscito da nova Constituição da República Portuguesa. O ambiente político na vila de Pampilhosa da Serra, estava agitado, devido acção dos democratas republicanos, que estavam em desacordo com o texto Constituição proposto, porque nele se estipulava proibição de partidos políticos e Parlamento eleito democraticamente.

A actividade dos  políticos, ligados sobretudo à maçonaria, teve resultados positivos na freguesia de Pampilhosa da da Serra, acima de tudo na vila, onde foram contados maior número de votos contra, escrutinados em todas  freguesias; dos concelhos de Arganil, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Penacova, Tábua e Oliveira do Hospital.

Este facto, também o apoio de Salazaristas que nunca renegaram o ideal republicano, como Professor Bissaia Barreto, deu animo aos opositores do Estado Novo, residentes na Vila.

Na noite de terça-feira 21 Março 1933, incógnitos na calada do escuro nocturno, de uma terra sem iluminação publica, adequada, ousaram dirigir-se à capela de Santo António, situada no sitio da Eira do mesmo nome, local ermo, num extremo da vila. Entraram no interior do templo donde retiraram  imagem do Santo,  sem temor, trouxeram-na para o adro da Igreja, onde  amarraram com arames a uma das árvores  existentes.

Ali e numa alusão clara, ao António, chefe do Governo, ficou preso o Santo.

Escândalo enorme na manhã seguinte, as autoridades participaram, superiormente, o caso, sendo enviado à Vila agente da Policia de Investigação Criminal (P.I.C.) antecessora da actual, Policia Judiciária, com  finalidade descobrir, autor ou autores da "proeza".

O agente não teve sucesso, os Salazaristas, lamentavam porque, diziam ser forçoso conhecer os malfeitores, que cometeram  o sacrilégio de desrespeitar o Santo, e lhes ser aplicado  merecido castigo.

O picante da história, toda gente sabia quem havia praticado a façanha; não foi acto de índole religiosa, de desrespeito pela religião mas sim acção de carácter oposicionista ao regime, onde simbolicamente se pretendeu demonstrar, que na Pampilhosa, havia gente capaz de prender o (Santo) António, não da eira mas o de Santa Comba Dão.

Conta-se que Salazar quando lhe comunicaram, ficou furioso, não fossem os bons ofícios de Bissaia Barreto, a pessoa que ele mais respeitava em Portugal, o qual intercedeu pelos seus amigos da Pampilhosa, teriam sido presos, porque toda a gente  sabia quem havia sido.

Salazar, decidiu  que enquanto fosse Presidente do Conselho, nenhum membro do Governo, iria visitar a Vila de Pampilhosa da Serra. E assim se cumpriu!

Ainda agora, falando com pessoas mais idosas da Pampilhosa, afirmam sem  dúvida, todos sabiam quem "prendeu o António".

A Réplica da Imagem de Santo António, que protagonizou, episódio de rebeldia dos democratas da Vila.

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