Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

19.Fev.20

DIA QUE ARDEU IGREJA MATRIZ DE PAMPILHOSA DA SERRA

Júlio Cortez Fernandes

Na terça-feira 19 de Fevereiro de 1907, pelas 11 horas  da noite o templo sede da freguesia de Nossa Senhora do Pranto, diocese de Coimbra, foi rapidamente consumido pelas chamas de pavoroso incêndio, perante estupefacção do bondoso e respeitado pároco padre Urbano: 

A maioria da população dormia, frio intenso convidava as pessoa a fugirem da rua, a Vila parecia um ermo, ninguém acorreu tentar debelar o sinistro, segundo consta o que devia ser salvo já havia sido retirado da igreja, as paredes e telhado ameaçavam desabar.

O Jornal Comarca de Arganil pela "pena" de Eduardo Carlos, então jovem de vinte e dois anos, correspondente do periódico, publicou  apontamento acerca do acontecimento onde se  lê :

Já antes do incêndio todos reconheceram o seu precário estado, e se deste modo não fosse destruída o desabamento era certo  devido ao abandono que a votaram à muitos anos.

O que é certo que desde há muito a imprensa e principalmente a COMARCA se ocupou do seu estado mas baldados foram todos esforços e por mais se pedissem providências tudo foi em vão. Era fácil observar o abandono! Bastava olhar-se  para as portas principal e da parte norte da igreja para fazer uma simples ideia do resto!

Hoje a missa realiza-se na Capela da Misericórdia única pela sua acomodação, está em melhores circunstancias. Mas se a igreja restava em miserável estado, o desta não é melhor (...).

Quando hoje ainda que seja em qualquer aldeia das mais sertanejas, vemos as capelas e igrejas acharem-se o mais reparadas e ornamentadas com toda a decência própria para o fim a que são destinadas, na PAMPILHOSA - vergonhoso é dizê-lo - encontra-se tudo quanto toca a templos sagrados no mais completo desprezo que é impossível imaginar-se! 

Só quem vê  e presencia.

Rematava: Seria o incêndio castigo por tal abandono? Não sabemos.

Acerca da capela da Misericórdia, coligi elementos, permitiram concluir, não fora  diligencia do Padre Anibal Pacheco na década 1930, levar a cabo profundas obras de remodelação e reparação, hoje não teríamos templo.

Voltando a Matriz, conhecendo os factos com detalhe, parece  também neste caso  indignação e raiva poderiam ter incendiado tudo. Quem sabe? Certeza, a Casa de Deus ruiu por causa do fogo.

Acontecimento funesto marcou história da Pampilhosa durante dilatado tempo. A igreja nunca foi tão acolhedora e imponente como actualmente.

 Recordar a efeméride, cumpro tarefa para mim útil, e contribuo para conhecimento do passado da terra onde vi, pela primeira vez,  luz da Rosa Divina, nome atribuiudo ao Sol;  pelo nosso inesquecível avô, Augusto Cortez.

Imagem da fachada igreja post- reconstrução

1928.jpg