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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

14.Dez.20

DEZEMBRO 1948 - MONARQUIA "ACABOU" NA VILA

Júlio Cortez Fernandes

Quando 5 de Outubro de 1910,se implantou a Republica em Portugal, na Pampilhosa da Serra, para contar o numero de republicanos, seriam suficientes,  dedos da mão direita.

Com  passar do tempo, propaganda e consolidação do regime os adeptos da nova situação política, foram aumentando, no entanto, maioria do povo devido a influencia do clero, continuava saudoso de suas Majestades.

Alguma da burguesia da Vila, ingressou no Partido dos Democráticos, de Afonso Costa, cujo chefe seria durante muito tempo  Eduardo Carlos, notário e empreiteiro de obras públicas,  cuja actuação era anticlerical e de radicalismo político.

Mais tarde a facção moderada, ingressaria no Partido Evolucionista de António José de Almeida. O combate político, assumia em certos momentos , nomeadamente nos actos eleitorais, alguma crispação.

 Toavia personalidade influente , no meio social e religioso da Pampilhosa,seria indefectível seguidor, até ao fim, do ideal da Monarquia.

Chefe da Secretaria da Câmara Municipal, saneado em 1910, reintegrado dez anos depois, com pagamento de salários devidos.

 Jaime Henriques da Cunha, na situação de aposentado, muito alquebrado ,faleceu em casa, Rua do Ribeiro  Pampilhosa, Dezembro de 1948,  na idade 77 anos.

Do que conheço da sua  vida , posso afirmar , amou a vila de Pampilhosa da Serra, como um bom filho quer ao torrão natal, e pugnou pelo progresso da localidade.

Foi sempre valioso elemento, denodamente, contribuiu para o Grupo Musical Pampilhosense. Católico praticante, dedicado as causas da Paróquia, mesmo nos tempos mais difíceis do período republicano,não hesitou sacrificar-se pela sua crença.

Colaborou no jornal Comarca de Arganil, do qual foi correspondente na Pampilhosa, ao longo de uma década.

Apoiante entusiasta do Salazarismo, seria nomeado primeiro presidente da Comissão Concelhia da União Nacional.

A ascensão do Doutor Bissaya Barreto, que tendo aderido ao Estado Novo, nunca deixaria ser republicano convicto, não permitiu a Jaime Cunha, cumprir sonho ser Presidente da Câmara da Pampilhosa.

Deixou viúva Dona Palmira Nunes Barata e Cunha, senhora ainda conheci, cuja casa visitei algumas ocasiões e onde cheguei a brincar na ampla varanda, virada para o largo do ribeiro. Igualmente,da sua descendência, ficaram três filhos, um dos quais José Henriques da Cunha, seria Presidente da Câmara.

No funeral, cujas exéquias compareceram sete sacerdotes, incorporam-se: Irmandade do Santíssimo, Cruzada Eucaristia, e a Vereação da Câmara.

A urna seguiu coberta com a bandeira do Município.

O falecimento de Jaime Cunha, como também era conhecido,marcou simbolicamente  fim da influencia dos ideais monárquicos na vida social e política da Vila. Paz a sua alma !

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