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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

30.Ago.20

CONTRA VONTADE DO PÁROCO - FESTA DO 15 DE AGOSTO ACONTECEU SENDO UM SUCESSO

Júlio Cortez Fernandes

O verão de 1943, foi período de afirmação da vitalidade e influencia da Igreja Católica, na sociedade do Município de Pampilhosa da Serra. O congresso eucarístico realizado, em Julho, levou a vila multidão calculada em 5000. pessoas,nunca  haviam presenciado nada semelhante.

O pároco  Padre Américo Braz da Costa, prior da freguesia grande obreiro do acontecimento, justamente felicitado pelo Senhor Bispo-Conde de Coimbra, D. António Antunes; talvez com um pouco de vaidade , julgou ter capacidade   conduzir a vontade popular , a seu belo prazer.

No inicio de Agosto de 1943, apareceu no Jornal Comarca de Arganil, na secção de " Festas e Romarias" noticia, lembrando, no dia 15, se iam  realizar na Pampilhosa festas em honra de Nossa Senhora do Pranto, cujo programa além da componente religiosa teria,quermesse e arraial.Para concretizar os festejos,havia sido constituída comissão de rapazes da qual faziam parte , Dionísio Mendes, Zé Gerúndio , Fernando Borges, Zé Morgado,Avelino Marques,e Dionísio Veiga, entre outros.

Quando tomou conhecimento desta intenção,  senhor Prior,mandou para o mesmo Jornal , comunicado , onde escrevia  "  A noticia da Comissão não é exacta,porque a legislação eclesiástica diocesana. não permite a promoção de festas religiosas, uma vez que não haja abstenção de arraiais.

Por isso fazemos saber ao povo católico desta freguesia que no dia 15 não haverá festa em honra da Senhora do Pranto, nem quaisquer celebrações religiosas, como se afirma  na referida local" .

O Prior se avinhasse, teria agido doutra maneira.As festas realizaram-se como havia prometido a comissão , os donativos afluíram de todo lado, com relevo para a colónia Pampilhosense residente em Lisboa. O comércio local, por recursos próprios, e angariados junto dos seus fornecedores contribuiu generosamente.Em resumo, meios, não faltaram;  programa da festa decorreu da seguinte forma:

Dia 14, houve lançamento de girandolas de foguetes com duração e ferquência inéditas na Pampilhosa.No dia 15  Domingo,alvorada as 7 horas da manhã. Seguidamente  os elementos da comissão e outras pessoas, que se dispuseram ajudar , andaram numa azafama  anunciando nas povoações da freguesia  inicio da festa.
Enquanto decorreu a missa ,não houve qualquer manifestação de carácter profano. Bateu a 1 hora da tarde , e lançamento de foguete tipo " tiro de canhão ", anunciou final da celebração.

A comissão de festas acompanhada de muito povo, foram esperar ao sitio do Casalinho , na entrada da Vila, para receberem a tuna " Águias da Louzã " contratada para abrilhantar os festejos.

Mal os músicos se  apearam da camioneta da carreira,começou estralejar ensurdecedor de duas centenas de foguetes , lançados de diversas colinas em redor; dirigiram-se para o centro da povoação, tocando  linda marcha,  entusiasmo do povo ia aumentando, não só as pessoas haviam assistido a missa , mas também muitas foram chegando de toda a freguesia encheram a rua Rangel de Lima, e restantes ruas por onde a Tuna desfilou.

Na quermesse armada no largo da feira, as rifas depressa esgotaram.Estava dia de sol radioso muito quente e juventude serrana, deu largas a alegria cantando e bailando, ao som musica  da tuna, e de guitarras e harmónios. Surgiram rodas de bailarico por todo o recinto.

As 11 horas da noite, começou a ser queimado fogo de artificio, quase sem interrupção durou até as 5 da manhã, quando  queimaram o castelo, ultima peça de fogo,  só nessa ocasião as pessoas debandaram , ao som de guitarras e concertinas.

A " tuna " antes de voltar , a Lousã na quarta-feira, ainda percorreu as ruas da vila tocando o hino do 15 de Agosto, estreado na ocasião , da autoria  do mestre da tuna Sr, Artur Gonçalves,

Quem assistiu dizia ter sido festa memorável ; atitude do Prior Américo Braz da Costa, contribuiu para ligar ainda mais o povo da Pampilhosa  ao significado do 15 de Agosto.Devemos estar gratos  "Deus escreveu direito por linhas tortas".

Termino esclarecendo , a Filarmónica da Vila não foi convidada, naquele tempo  por falta de apoio estava a beira de acabar.

A foto foi tirada, precisamente,  em Agosto de 1943.

Antigo Largo da Feira 1.bmp