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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

10.Abr.20

CONFLITO POLITICO RELIGIOSO NA VILA HÁ UM SÉCULO

Júlio Cortez Fernandes

Década de 1920, na vila da Pampilhosa,exemplo de inúmeras terras por todo País , caracterizou-se por ambiente de quase guerrilha permanente , entre elementos   eclesiásticos e  poder político.

O Partido Democrático, surgido do desmoronar do " velho " Partido Republicano Português ( P. R.P.),  no qual militavam republicanos radicais da Pampilhosa, liderados pelo notário Eduardo Carlos,liderou, quase sempre a partir de 1912,a cena politica da vila.

Eram frequentes conflitos com os párocos, do concelho.As coisas agudizaram-se de modo virulento,após  queda do governo de Sidónio Pais,no seguimento do seu bárbaro assassinato.

O sidonismo,apoiado pelos monárquicos,era visto pelos republicanos mais esquerdistas como prenuncio de eventual restauração da monarquia.

Pároco da Pampilhosa , padre José António da Silva Álvaro,conhecido popularmente , por " golipa ",nunca escondeu indefectível simpatia pelo regime monárquico. 

Este facto enfurecia os " democráticos " da vila, tudo faziam para infernizar a acção do Prior.Agravada a situação porque havia republicanos influentes,católicos praticantes, e como tal defendiam o vigário.

A fim de consolidar a posição do padre Álvaro,os católicos Pampilhosenses,promoveram visita do Bispo auxiliar de Coimbra, D, António Antunes, que decorreu entre os dias 3, 4, e 5 do mês de Junho de 1920.

Motivo da sua visita, administrar sacramento do crisma, a cerca de 200 crianças da freguesia, cerimónia decorreu nos dia 4 e 5 do mês citado.Além de ter participado numa concorrida procissão pela ruas do burgo , "levando Sua Exª Reverendíssima sagrada custódia tesouro, da igreja da vila" 

Durante homilia no final da estadia  Bispo de Coimbra, afirmou ter ficado ciente   do sentimento católico da maioria dos habitantes da freguesia.

Não restavam duvidas alem de motivos religiosos, visita pastoral, teve inequívocos fins políticos e demonstração da força da igreja, na localidade, até pelo perfil do dignitário enviado.

D. António Antunes , natural da freguesia de Barreiras, no concelho de Leiria,seria Bispo titular da diocese em 1936,a ele se ficou a dever casa de retiros diocesana, renovação do C.A.D.C.( Centro Académico de Democracia Cristã ), do qual foram membros António Salazar e Gonçalves Cerejeira;  e seminário menor da Figueira da Foz, onde estudaram muitos seminaristas naturais do concelho da Pampilhosa.

Este Bispo homem determinado,combativo, foi apoiante fervoroso do Salazarismo, faleceu aos 73 anos , em 1948.

O padre Álvaro, esteve muitos anos a frente da paróquia, era  truculento, nunca escondeu animosidade ao regime republicano ; tal facto motivou processo em tribunal, cuja base é a carta, que deixo aos meus queridos leitores.O resto vou contar aos poucos.   

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