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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

16.Out.19

CENTRO DA VILA DE PAMPILHOSA DA SERRA: 1911.

Júlio Cortez Fernandes

Belisário Pimenta: militar, político republicano, historiador, colaborador artístico do jornal Diário de Lisboa e oriundo de Miranda do Corvo, nasceu em Coimbra 1879 e faleceu 1969, em Lisboa. Esteve em Pampilhosa da Serra, e assistiu a comício republicano, realizado em 1911, com  participação  de Jaime Cortesão. Da sua passagem pela vila, deixou valioso escrito com informações interessantes sobre a região. Através da sua objectiva, obteve fotos da Vila, hoje guardadas no Arquivo da Universidade de Coimbra, um conjunto de documentos relevantes para conhecer o aspecto do burgo, no final da Monarquia.

Esta é uma preciosidade.

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A "leitura" da imagem, proporciona informação rara para conhecer a vila de "antanho". A foto da Praça, largo principal da terra, foi obtida a partir do sitio onde funcionou  "ensaio" da filarmónica Pampilhosense.

Em primeiro plano vemos um carro de bois carregado, estacionado na via publica, a esquerda da foto na parte de parede da casa mais importante da Vila, ao tempo propriedade dos "senhores" da Quinta da Feiteira, a parede esquina para a Rua do Pedregal, nem sequer estava caiada! O prédio pertence agora a família Nunes Barata. Em frente a casa hoje dos "Afonsos" ainda sem o andar alto, ao lado onde na minha infância estava loja da Ti América, esposa do Ti Zé Morgado no seguimento  casa dos "Alexandre" ricos comerciantes no Chiado em Lisboa,  donos da casa comercial com seu nome na Rua Garrett. Em frente ao edifício da Câmara Municipal, o palco para o evento político.

A Rua do Ribeiro estava separada da Praça, pelo edifício de dois pisos caiado, onde inicialmente funcionou estação telegrafo postal, curiosamente, chefiada por um antepassado de um actual arbitro de futebol, esta construção seria demolida na década de 1920.

Por detrás do edifício dos Paços do Concelho, é visível a frontaria da Igreja Matriz em 1911, a  torre da Igreja ainda não havia sido construida.

Como pano de fundo a encosta da Boavista, no cimo da colina  das Carrascas, onde em 1932 se edificou a escola primária, os tufos arbóreos mais escuros, são restos de castanheiros ao tempo em declínio por culpa da "malina". Como se pode verificar o pinhal em 1911, ainda não era praga que depois se transformou, nesta altura pinheiros em volta vila seriam  escassos.

O vestuário de homens e mulheres, escuro e sombrio como aspecto do casario da Vila acentuavam ar miserável do burgo, por esta altura uma das mais pobres, abandonadas e longínquas vilas de Portugal.

Posso afirmar neste caso a verdade mil vezes repetida: "UMA IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS".

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