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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

20.Jul.20

BARRAGEM DE SANTA LUZIA - E SE NÃO CHOVER ?..

Júlio Cortez Fernandes

Analisada com distanciamento de quase um século, construção da Barragem de Santa Luzia , no concelho de Pampilhosa da Serra,foi indubitavelmente, desenvolvida para proporcionar lucros imediatos e fabulosos aos donos da obra, sem olhar a meios para atingir os fins.

O dinheiro necessário , seria disponibilizado pela Caixa Geral de Depósitos, através de empréstimo autorizado e apoiado sem reservas por Oliveira Salazar, Presidente do Conselho, e Ministro da Finanças.

O empreendimento desde a fase preliminar, considerado por técnicos  abalizados, de risco elevado; apesar pouco significativa área da bacia hidrográfica  da albufeira ,50 km2, sendo  origem  principal da água, a chuva, sempre  problemática e inconstante na região;alguns questionavam,  possibilidade de enchimento normal da barragem 

No perambulo do documento relativo ao processo de financiamento, lemos : " Embora  os peritos encarregados de estudar ( in loco ), as características do projecto, colocarem algumas reservas, quanto ao resultado dos estudos udométricos, feitos pela Empresa ( Companhia Eléctrica das Beiras ), este facto não implica porém a condenação do projecto." Recordo designa-se   udómetro ou pluviómetro , a instrumento que serve para medir a quantidade  de chuva que cai em determinado lugar. 

Um accionista, amigo de Oliveira Salazar, garantia nenhum obstáculo conseguiria parar o investimento.Objectivamente; existiam perspectivas de grandes proventos a curto prazo, resultantes da possibilidade venda da electricidade as minas da Panasqueira e fábricas da Covilhã.

Em 1942, copiosas chuvadas na região, permitiram,iniciar a produção de energia; a central na aldeia do Esteiro, e  linhas de transporte a 60 Kv, na direcção de Coimbra, e 40 Kv, no sentido da Covilhã, estavam concluídos, antes do dique da albufeira, estar completo.

Decorrente da guerra mundial, a penúria de fuel para as centrais, produtoras de electricidade permitiu a CEB, vender   energia produzida, a preços, de tal modo elevados, o empréstimo da Caixa, seria amortizado, num ápice. Tudo parecia correr de feição.

Terminada  guerra, seca severa,fazendo descer nível das águas na albufeira, de tal modo,  casas e propriedades, alagadas , expropriadas aos antigos moradores  da aldeia mártir de Vidual de Baixo , ficaram de novo  a luz do sol.

  Concretizavam-se  reticencias quanto a escassez de água. A imprensa noticiava, "  A experiência  veio a  confirmar  a suposição  dos que afirmavam serem insuficientes, as águas daquela  bacia para  encher uma albufeira de tão grandes dimensões "  

Apressadamente,  com recurso a capitais próprios, a Companhia, concluiu em 1950 obra do Alto Ceira, e  túneis para levar água a barragem de Santa Luzia,  tentando resolver a situação.

A problemática das alterações climáticas, coloca questão  na ordem do dia.Se não chover com abundância ao longo de dois ou três anos, qual seria o efeito ?

Esperemos  tudo se resolva, não tenhamos , confirmar  conhecido adágio " o que nasce torto , tarde ou nunca se endireita ". Ou tal qual costumam dizer habitantes da localidade alentejana de Amareleja, uma das  mais secas de Portugal. SE NÃO CHOVE VAI TUDO POR ÁGUA ABAIXO.

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