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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

13.Fev.21

A VILA LUGAR DE DEPORTAÇÃO

Júlio Cortez Fernandes

Ao longo dos séculos a Vila e concelho de Pampilhosa da Serra, passaram por períodos de abandono , e tratamento, em certas ocasiões vexatório, por parte do poder central, acantonado em Lisboa e Coimbra.

Na vigência do denominado governo da Ditadura Nacional, antecedente do Estado Novo Salazarista, do qual o Professor Oliveira Salazar, fazia parte, sendo Ministro das Finanças, a vila serviu como lugar de degredo interno, facto toda a população sem distinção de classes , repudiou de modo veemente,

Em 1929, a partir do mês de Agosto, começaram a chegar, pessoas, condenadas em tribunal, ao cumprimento da pena de residência fixa, na nossa terra.O primeiro caso seria  individuo, natural e morador em Salreu, perto de Aveiro, respondeu criminalmente , acusado da pratica de bruxaria. 

Mais tarde,  grupo de importantes industriais de panificação em Lisboa, condenados por açambarcamento e especulação de farinhas, foram igualmente " degredados ", para Pampilhosa. Sendo pessoas abastadas, curiosamente , o primeiro acto,  fizeram logo após se terem apresentado ao Administrador do Concelho, foi doarem cada um  quantia 100 escudos,  verba avultada , para época ,  destinada as pessoas carenciadas.

As despesas de estadia, e alimentação eram de conta dos condenados, os quais residiam na Pensão Central, inaugurada, em 1924, dispondo das comodidades, possíveis, numa terra, sem luz eléctrica, nem abastecimento de agua domiciliária.

Toda gente considerava um aviltamento e vexame tal situação, por isso, começou circular,  abaixo assinado em que a população declarava, não iria fornecer géneros, nem guarida ou qualquer espécie de ajuda a quem de futuro fosse deportado para aqui.

 Ilustres Pampilhosenses , residentes em Lisboa, com destaque para Artur Neves,capitalista e prestigiado comerciante na Baixa Lisboeta, havia oferecido a nossa terra,  relógio da torre da Igreja Matriz e  imagem de Nossa Senhora do Pranto, pediu audiência ao Ministro do Interior, para denunciar situação e solicitar medidas urgentes,afim de terminarem  " remessas de gente de longe, para fixarem residência na Pampilhosa da Serra".

O Ministro Ivens Ferraz, seria, sensível aos argumentos de Artur Neves, este solicitou, também  fosse comunicado oficialmente ao povo da Pampilhosa, graças  sua intervenção  aquela Vila deixava de  ser lugar de deportações.

Artur Neves,acalentava, ambições políticas, amava o torrão natal, viria ser Presidente da Câmara, infelizmente, faleceu cedo; as ideias que tinha para progresso do Concelho, foram goradas, trágico para a Pampilhosa.

Sendo muito rico, influente, poderoso na  sociedade da época, teria possibilidade de fazer muito pela nossa região ,também neste caso, a sorte não sorriu a Pampilhosa.

A história da Vila, tem tudo desde despóticos senhores, Vicente Caldeira de Brito,Custódio Castelão de Brito. Priores, nababos como D. Manuel Queixada, ou ainda , caciques, a exemplo de Eduardo Carlos. Desastres naturais, enxurradas incêndios  a " malina dos castanheiros ",  ainda  desprezo governamental , considerou  a Pampilhosa da Serra,  espécie de " deserto africano " para onde se deportavam os indesejáveis de toda a índole. Valha-nos Deus...

ppps1929.JPG

Pormenor da vila em 1929...