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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

08.Ago.22

QUERIDO 15 DE AGOSTO - LEMBRANÇAS

Júlio Cortez Fernandes

Nos tempos idos da nossa infância e juventude,quando surgia no primeiro de Agosto  uma alta vara de pinho galhardamente erigida no antigo largo do mercado, no cimo da qual passava a tremular singela bandeira, significava nesse ano teríamos, festas na vila, o15 de Agosto.

A festa era  idealizada e realizada por comissão formada entre pessoas da Vila,normalmente, mocidade e adultos jovens.

Os primeiros festejos com esta designação surgiram em 1920, quando ilustre benemérito Artur Neves, natural da Pampilhosa, empresário de sucesso, em Lisboa,ofereceu a paróquia imagem de Nossa Senhora do Pranto padroeira da  terra.

O quinze de Agosto,entrou na tradição, não só da vila, mas também das aldeias do termo, de onde naqueles dias afluiam a Pampilhosa, ranchos de gente com  tocadores de guitarra e concertinas,para bailar e divertirem-se .

O sucesso da efeméride foi grande, em 1922, as festas do 15 Agosto,  já seriam consideradas as melhores, em todas as redondezas.

O programa das festas,faz agora cem anos,foi o seguinte:

Dia 14- á noite marcha com balões á veneziana, acompanhados pela filarmónica da vila,lançamento de balões e fogo de artificio,seguido de baile pela noite fora.

Dia 15-madrugada, pelas 5 da manhã, alvorada pela filarmónica, 11 horas missa cantada, na igreja matriz,comunhão das crianças,(seriam cerca de 200), sermão, pelo prior reverendo Padre Francisco Durães,seguindo-se procissão pelas ruas da vila.

A tarde, quermesse, tocatas e jogos, tocando a filarmónica, a noite fogo e balões seguindo-se bailes  durante toda a noite.

O fogo de artificio era lançado por pirotecnico da Certã, como entao se escrevia,   relacionamento comercial e social entre as duas vilas serranas era importante.

A comissão das festas do 15 de Agosto de 1922, pertenciam:

José Nunes Afonso,César Silva,Dionísio Dias da Veiga,Aires Augusto Cortez, Adelino Almeida dos Santos,Jaime Antão Nunes,António Antão Nunes.

Destes ainda conheci e falei algumas vezes com o sr. Dionísio Veiga.

O povo da Pampilhosa adorava a festa, lembro de uma cantilena popular :

PAMPILHOSA NOSSA TERRA

PEQUENA ; MAS DE BOM GOSTO

NÂO MORRE; NEM PODE MORRER

O NOSSO 15 DE AGOSTO.

Infelizmente, acabou nem um século teve duração, actuais festejos organizados pelo Municipio são diferentes do espirito e intenção do antigo 15 .Enquanto cá andar vou lembrar  assim ao menos para mim, ainda vive,

VIVA o 15 de Agosto cujos folgedos decorriam no terreiro do mercado, que em 1941, apresentava este aspecto.

a15.JPG