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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

22.Mai.22

BAU DAS MEMÓRIAS - LOURIÇAL DA VILA

Júlio Cortez Fernandes

Avançar da idade,traz mazelas físicas,felizmente também recordações é mister não devemos deixar cair no olvido.

Existiram sítios,conhecidos e quotidianamente,referidos pela gente da vila ao longo de várias gerações, quase esquecidos e desejo aqui referir.

O coberto vegetal das barrocas, lombas e cabeços das montanhas que emolduram em todos os quadrantes o horizonte da vila da Pampilhosa da Serra, sofreu ao longo dos séculos,devastações,provocadas por fenómenos naturais  acção humana, levando ao desaparecimento de arvoredo cuja lembrança, quedou somente na toponímia: Carvalhal,souto, alqueve, sobral,sardeira,bacelo,castanheiro, etc.

Perto da vila na antiga vereda pedonal, chamada caminho de baixo,  utilizado pelos pampilhosenses quando se dirigiam para  fazendas situadas em de Vale Covo, e Foz das Videiras, após passar sitio do bacelo, deparávamos  inclinada encosta,apelidada  "lomba do louriçal".

Escrito assim,parece facto tem pouco intresse,no entanto,merece uma reflexão. O topónimo louriçal,encontra-mo-lo em diversas regiões do País,existindo no concelho de Pombal,distrito de Leiria a Vila do Louriçal,onde foi edificado famoso convento ainda lá se encontra.Louriçal provem da circunstancia nesses sítios crescerem loureiros,

Na Pampilhosa a lomba recebeu nome do louriçal, porque até final do século XIX, em grande parte a encosta do monte frio,estava coberta de loureiros que subiam da margem do Rio ou Unhais, ou Ribeira da Pampilhosa, até ao enfesto da lomba,

Com arroteias sucessivas os loureiros foram derrubados para plantar oliveiras, em  socalcos de terra, rodeados de pequenos muros de pedra solta,davam a paisagem  aspecto muito característico.

A abundância de loureiros,permitia que as espetadas para "assaduras" de carne de porco na altura da matança, fossem de louro,e não de outra madeira como mais tarde se passou a usar,

Do antigo louriçal da lomba, restam ainda alguns loureiros, na margem direita do Unhais,junto da levada regava a quinta dos silvas e as hortas da foz das videiras, abastecidas de agua por cales de zinco que atravessavam a ribeira suportadas por  arame metálico esticado a altura razoável sobre as aguas .

Imagem retirada do Google,mostra o rente de loureiros, ultima lembrança do louriçal da vila.

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09.Mai.22

ROMAGEM A CAPELA DE SÃO JOSÉ - ALDEIA CIMEIRA

Júlio Cortez Fernandes

 Na companhia de minha mulher almoçamos, no restaurante o Pinheiro.Dia de Primavera,convidativo a passeio.

Finda  refeição sugeri  visitarmos a capela de São José, da qual guardo belas recordações; fica bem no coração de Aldeia Cimeira, freguesia de Pampilhosa da Serra; concordamos e fomos.

Pouco abaixo na direcção do povoado,no pátio do edifício sede da Comissão de Melhoramentos, pequeno grupo de moradores,sentados a sombra,olharam curiosos para nossa viatura,com ar de quem estranhava o que via.Prosseguimos nem preciso de auxiliar de orientação, curva a esquerda e vamos pela rua de acesso a aldeia.

Na memória afluíram lembranças de tempos idos, na companhia de nossa avó materna Emília Mota,passei por aqui muitas vezes.Natural de Aldeia Cimeira,nunca perdia oportunidade de visitar a familia,e acima de tudo não faltava a festa do padroeiro da povoação a 19 de Março.

Em marcha lenta,íamos passando por sítios familiares, a casa que fora da tia Ermelinda,a fonte, a casa da prima Maria.Nem viva alma,silencio, algumas casas com indícios de ruína

.Estacionamos num recanto da rua. Sabia ainda por onde era o acesso a capela.E sem hesitar nem engano estávamos em frente da orada. 

Nem queria acreditar, do alpendre como o lembrava, nem rastos deitaram tudo abaixo uma "memória " na parede assinalava o sucedido.

 

 

20220429_140938.jpg na lápide não figura, qualquer nome, parece bem lá no fundo a "restauração" da capela não deve ter sido pacifica.

Foi pena derrubarem em vez de restaurarem, no entanto  sem orientação nem apoio de quem pudesse esclarecer a importância de manter o alpendre seria dificil não fazerem asneira

Passado o primeiro impacto,verificamos o postigo que permiti "espreitar"  o interior do templo,continua no sitio,substituíram a grade de protecção.O aspecto do tecto e a imagem do Santo,estão como guardo na lembrança.

Em redor da capela silencio profundo, de uma ruela próximo,surgiu na janela alguém rapidamente a fechou.

Retomamos a marcha,passei pelo sitio do Ramalhão,subi a encosta,até a sobreira  pouco acima da casa do Ti Eduardo  antigo emigrante na Argentina. Já partiu há muito da vida presente.

 Impressionado com o que encontrei na capela decidimos ir espairecer para a eira da Aldeia Fundeira.

Meu querido São José ,deitaram abaixo belo alpendre da tua casinha; como diria outro, " não havia necessidade".

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