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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

22.Jan.22

ANTÓNIO MARIA FERNANDES (CARLOTO ) NO CENTENÁRIO SEU NASCIMENTO 1922- 2022

Júlio Cortez Fernandes

No corrente completaria, nosso saudoso pai,idade de 100 anos nasceu na Pampilhosa a 6 de Julho de 1922.

Aprendi algo do que sei acerca da vida na nossa região na segunda década do século passado,nas conversas que mantivemos .

Tendo emigrado para Lisboa,em 1951, aí permaneceu até a sua morte, ocorrida na Vila em Outubro de 1992.

Posso afirmar: nunca saiu verdadeiramente da terra natal, mais  preocupava, era quase tudo relacionado com Pampilhosa. Esperava chegada do período de férias; para no primeiro dia abalar para "cima", como dizia.Atingida  idade da reforma, passou quedar mais tempo; numa dessas estadias . repentinamente,  sem nada fizesse prever, partiu da vida presente.

O nosso pai era inteligente,concluiu com distinção exame da quarta classe, na escola da vila,sob direcção de um professor a quem os alunos alcunhavam de  "calcinhas".

Cedo começou trabalhar, na dura tarefa da resinagem, até ser chamado a cumprir  serviço militar no Regimento de Infantaria nº15, na cidade de Tomar. Militar brioso,fez  escola de cabos, com especialidade de granadeiro.No seu tempo de tropa, anos 1940, muitos soldados seriam mobilizados para os Açores e Cabo Verde; tendo sido o mais classificado da sua incorporação, teve "prémio" de não ser "expedicionário", como então se dizia.

Regressando a vida civil,casou passando primeiro ajudante do seu pai João Carloto,na altura lagareiro "residente" no denominado lagar de baixo, sito ao cabecinho na vila.Nosso avô, padecia dificuldade de locomoção originada por reumatismo grave, isso não impediu tivesse vivido até idade 93 anos.

No ano seguinte nosso pai passaria a lagareiro titular; o lagar de baixo, antiquado, ainda produzia azeite pelo método de "vara", técnica do tempo dos romanos, seria encerrado.

Depois passou a exercer no lagar de cima, perto do caneiro do poço do " munho" . No intervalo de tarefas do fabrico do azeite, continuava ser resineiro, nesse tempo com categoria de " comissário empreiteiro de pinhais ", graduação conseguida com curso que frequentou em Tábua, na delegação de silvicultura do centro. 

Durante varias campanhas a resinagem decorreu para a banda de Praçais, aldeia da freguesia do Cabril,onde ao tempo ainda existia casa comercial pertença da família Antunes na qual se abasteciam, até  as esposas levassem  mantimento da vila. para o " quartel", assim chamavam a casa onde habitavam na época da faina no pinhal.

Recordo a nossa mãe, e outras mulheres dos resineiros; a ti Laura do calvário, e ti Palmira do barreiro, se deslocarem a Praçais, com "cestas" a cabeça, levando avio aos maridos.

Desse tempo ficou grande amizade, entre alguns Ti Isac Moreira, ti António Olivença (Chanfana) o meu tio José Carloto.Conheci todos, Deus tenha as suas almas em paz.

Este ano dedicarei os escritos a esses esforçados e queridos conterrâneos; e principalmente ao meu pai cada dia mais presente na minha memória.