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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

19.Ago.21

GREVE DE TRABALHADORES NA VILA NO IDO DE 1935

Júlio Cortez Fernandes

Uma da causa da imigração massiva das populações rurais para as cidades,foi a exploração salarial a que estavam sujeitos muitos dos que trabalhavam por conta de outrém, principalmente quem conseguia trabalho, nas empreitadas de obras publicas que foram surgindo, por todo País, nos primórdios do regime do Estado Novo.

Na  vila de Pampilhosa da Serra,os jornaleiros trabalhavam na obra de modernização e concerto da estrada da Vila até a zona onde seria construida, a Barragem de Santa Luzia, contratados pela Companhia Eléctrica das Beiras, em determinado dia do mês de Abril, resolveram fazer greve. A entidade patronal anunciava aos quatro ventos a sua pujança.

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Motivo da greve, segundo  jornal " Comarca de Arganil ", ficou a dever-se ao facto da Companhia,obrigar a trabalhar mais que as oito horas,estipuladas por lei.

A verdade seria outra,de acordo com noticia do jornal  " O Século ", diário  que se publicava em Lisboa, aquele acontecimento, teve como base principal, o pagamento de salário de 7$00, ( sete escudos ), diários, considerado pelos trabalhadores, salário miserável e indigno. Claro a censura,não permitiu ao diário lisboeta  publicação da ocorrência.

Dinheiro seria coisa que não faltava aos donos da Eléctrica das Beiras, avaliar, pelo anuncio publicado nessa altura.

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Debandada para as cidades, foi originada por múltiplos factos sócio-económicos e políticos: A lenda do quotidiano feliz e pacifico das populações serranas, é lenda que a investigação histórica, vem desmentindo...

 

 

 

12.Ago.21

" SEGREDO " ANTIGA CASA DA CAMARA MUNICIPAL

Júlio Cortez Fernandes

Amiúde ouvimos dizer acerca das características de coisas antigas "são assim desde tempos imemoriais". querendo fazer querer sempre teria sido igual.

Vem a propósito da fachada do edifício serviu de Paços do Concelho de Pampilhosa da Serra sito na Praça Barão de Louredo bem no centro da urbe.Vejamos aspecto actualmente podemos observar :

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Talvez ninguém se interrogue,  considerando, sempre terá sido tal qual se apresenta na hoje. 

Certo afinal esta aparência não é assim tão antiga como possamos admitir. ainda em 1911, observador da fachada vislumbrava isto:

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Se reparamos, janela central do piso superior  seria transformada em varanda como hoje se apresenta, depois  de obras realizadas durante a segunda década do século passado.

Exemplo nem sempre o que aparenta ter sido sempre igual, muitas vezes não é.

Caso para dizer , procure  as diferenças.Porventura existirá alguém, para tirar impacto a descoberta, afirme " já havia reparado ". Caso para dizer como outro. " olhe que não olhe que não ". Agora que é interessante, lá isso será.

 

11.Ago.21

MARCHA DAS TROPAS DO CORONEL LECOR-1810

Júlio Cortez Fernandes

A Guerra Peninsular, ou período tal como passou a história, conhecido por  "invasões francesas", também apoquentou directamente as gente da vila e seu termo.

Setembro de 1810, coronel Carlos Frederico Lecor, comandante da Beira Baixa, estando com o grosso da sua tropa,aquartelado no Fundão; antes até receber ordem do comandante em Chefe do exercito anglo-luso,Sir Arthur Weliesley, duque de Wellington,decidiu avançar em direcção ao Buçaco, onde dia 29 Setembro, havia de travar-se a celebre batalha, homónima:

O coronel Lecor, sabia teria por missão a defesa da ponte da Mucela, sobre  rio Alva. Partindo do Fundão em marcha forçada pelas serranias de Pampilhosa da Serra, em direcção ao Espinhal, próximo de Penela, de onde avançou para Mucela.Comandava  4800 homens,  atravessaram a Vila, vindos do lado do Cabril.Carlos Frederico Lecor, chegou a comandar exercito aliado, na campanha em França.

Posteriormente partiu para o Brasil, sendo cidadão brasileiro apos a independencia em 1822; e figura importante da história brasileira.

Como em todos os conflitos os soldados, apesar de serem Portugueses, pilharam de passagem tudo o que podiam , também violentavam mulheres, não respeitando, nada e ninguém. A soldadesca em tempo de guerra, as vezes é pior que o inimigo.

Foi tão devastador e terrível que ficou na memória dos povos, atribuíam os males causados, a " franceses " afinal eram soldados do Reino .

Aspecto da praça principal da Pampilhosa em 1911, imaginemos como seria um século antes...

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03.Ago.21

DESPOTISMO NA PAMPILHOSA NOS SECULOS XVIII E XIX

Júlio Cortez Fernandes

Tive ensejo de ler alguns textos fazendo crer que a Pampilhosa foi sempre terra de lei. Nada mais falacioso,ainda não há muitas decadas, concelho da Pampilhosa era assento certo de " praticantes " do quero posso e mando.

Durante o século XVIII, nestas paragens, abusos, prepotências e desprezo para com os mais pobres e desprotegidos,seriam pão nosso de cada dia.

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Este documento, com data de 1769,e do qual vou citar pequenos execertos é exemplo disso, teor seguinte :

" Dizem os moradores e lavradores da vila de Pampilhosa e seu termo , comarca de Tomar, que Custódio Homem Castelão , capitão na dita vila, e outros pretendem cobrar foros; ou censos dos suplicantes,para o que usão de meios ilicitos, como abaixo se relata ".

Segue-se a enumeração de factos e provas, demonstrativas do clima de terror que se via então na nossa terra.Os suplicantes, seriam mais de quinhentos, conforme atestam as assinaturas apensas a petição...

Para ilustrar,fica um dos item da queixa  enviada a sua Majestade, Rainha Dona Maria I.

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Podemos ler "  Para que não servissem de juizes, senão quem ele quer ( o capitão ), e sempre  pessoas da sua facção, para lhe fazerem justiça a  sua vontade e atropelar aos suplicantes e a outros pobres miseráveis que muitos e muitas ainda orfãos e viuvas lhes tem tirado os bens , sem justa causa pondo-os   a pedir uma esmola , e  a peregrinar pelo Mundo.

E não contente com isto tomou o diabólico expediente de mandar pelos seus associados fazer esperas a alguns dos suplicantes para os matar ou intimidar e isto nos caminhos andavam a fim de requerem sua justiça,para ver se assim intimidados desistiam ou deixavam de  requerer para a sua vontade e mais a seu salvo, lhe impor o jugo de os fazer seus foreiros ou censuários; e nesta parte segue o exemplo de seus antepassados, principalmente do antecessor Vicente Caldeira ( de Brito ), que pelos mesmos ou mais violentos modos atropelou em toda a sua vida aquele termo.

E a tanto de tem se tem estendido o despotismo do suplicado e de seus antepassados.

O capitão Custódio e Vicente Caldeira de Brito, eram detentores do Morgadio da Quinta de Feteira; este ultimo , conhecido pelo CORVO, como já tratei anteriormente,  ambos truculentos, com mais mulheres que sultão otomano. Era tal a " farra " que as legitimas esposas os abandonaram  regressando a casa de familiares.

Terra de lei, é mais uma das muitas lendas propaladas acerca da Pampilhosa. Naquele tempo, seria sitio  seguro para todos  fora da lei; o Bispo da diocese mandou para a Vila um Padre, com família,constituida, que " aldrabou " a terra da naturalidade.  vivendo mais de três décadas sem problemas,de direito canónico, ou de outra índole, morrendo como sendo natural da Pampilhosa quando na verdade, havia nascido noutra localidade da Diocese da Guarda. Enfim como se dizia ao longo de muitos anos " COISAS DA PAMPILHOSA ".

 

01.Ago.21

AQUELES PARTIRAM ; OUTROS ABALARAM, POUCOS FICARAM

Júlio Cortez Fernandes

Os resultados preliminares, do censo a  população de 2020, divulgados, pelo INE, Instituto Nacional de Estatística, demonstram nos últimos cinquenta anos, o concelho de Pampilhosa da Serra, meu querido torrão natal, perdeu 5.178 habitantes,

Em igual operação realizada em 1970, Município Pampilhosense, era povoado por 9.245, moradores. Actualmente terá 4.067.

Uma sangria demográfica brutal,apesar da estabilidade política do governo Municipal desde 1980, até agora, não foi possível estancar a hemorragia.

O concelho parece caminhar para um inverno demográfico, que a pandemia em curso por certo irá aprofundar.

Que tipo de soluções devem ser tomadas para tentar mudar este declínio populacional?

Estamos em periodo eleitoral, devem aparecer propostas, da nossa parte, desenvolvemos algumas ideias,  divulgarei, depois das eleições.

Temos  unir todos esforços para não cairmos numa situação dramática, de final pouco auspicioso. A nossa querida Pampilhosa e  seu concelho, merecem todo nosso empenho, inteligência para superar este enorme desafio; será inverter o sentido do despovoamento.

Sinto uma profunda tristeza porque não pensei viver ainda para constatar este declínio populacional

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