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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

25.Jul.21

PAMPILHOSA TERRA DE " FENÓMENOS "

Júlio Cortez Fernandes

Na memória das gentes  de pequenas comunidades,é possível encontrar referencias a episódios, pitorescos, despretensiosos; mesmo assim, por constituem raridades, faz bem de vez enquanto, reviver...

Durante alguns anos, a vila do Entroncamento,Município na antiga província do Ribatejo, deve o nome a construção do caminho de ferro; nesta terra, eram gerados produtos agrícolas de tamanho inusitado, causavam espanto. Por via disso vulgarmente, passaram a denominar tais colheitas  " fenómenos do Entroncamento ".

Na Vila de Pampilhosa da Serra,no ano de 1943, ocorreu episódio semelhante, que deu brado na Vila, até a nível nacional, porque foi noticia, em jornais  de grande circulação .

Sucintamente, poderia começar : nesse tempo , numa propriedade agrícola, popularmente designada " horta " ou " fazenda ", pertencente a um conterrâneo, Sr. José Dias de Almeida,alfaiate e barbeiro, com estabelecimento na Pampilhosa, conhecido pelos vizinhos " Ti Zé Dias ", e situada na barroca ou Vale da Fonte,nos arredores do burgo,cerca de dois quilómetros distante, junto a antiga estrada nacional 112,na direcção de Castelo Branco.

Nessa horta, do Ti Zé Dias, criou-se um nabo de características invulgares. segundo rezam as crónicas a cabeça do nabo , pesaria,4,70 kg, teria de perímetro 0,80 cm e medindo da extremidade da cabeça, a ponta das folhas, 1,3 mts.

O fenómeno ocorreu ainda eu não havia nascido; foi tão falado que alguém por certo deve ter fotografado o " nabão ".

Confesso gostaria poder encontrar tal foto. Quem sabe?

Fica provado nesse tempo a terra das hortas na Pampilhosa, produziam nabos como devem ser grandes e avantajados.

Hoje infelizmente, os terrenos cansados e pouco amanhados, geram nabos, pequenos; enfim, tempo de grandes nabos já acabou por estas bandas. Actualmente colhem-se deste tamanho...

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18.Jul.21

O CLERO NA PAMPILHOSA - FINAL DO SECULO XVIII

Júlio Cortez Fernandes

No declínio do regime absolutista, na Vila de Pampilhosa da Serra, além do reverendo prior da freguesia, ao tempo Padre José Vaz, exerciam actividade pastoral,mais sete   sacerdotes.

Padre Francisco Cortez, havia sido pároco da freguesia de São Simão de Pessegueiro, mais tarde seria prior da freguesia de São Domingos do Cabril.

Padre António da Silva,Padre José Alves,Padre Francisco José de Almeida, Padre Manuel Cardoso, Padre.Manuel Domingos,Padre Francisco Rodrigues.

Este facto demonstra a riqueza que ao tempo seria gerada, no trabalho eclesiástico da paroquia. A freguesia de Nossa Senhora do Pranto era apetecível por isso.

Mesmo assim, nesta época, todos os sacerdotes,excluindo o prior, posssuiam propriedades, agrícolas.

Padre Francisco Cortez, era dono de todo " território " desde o  ribeiro da Maunça,nos arrabaldes da vila até Vale Covo, cuja barroca quase, toda, igualmente, lhe pertencia.

Padre, António da Silva,detinha propriedades no vale Mosqueiro, e  Vale Covo, aonde já existia a levada, para regadio. Este clérigo construiu a " quinta dos Silvas ".

Padre José Alves, possuía, propriedades no Vale de Abutre, Ribeira de Praçais, e fonte dos Merouços, tudo arrabaldes da vila.

O padre Francisco de Almeida,  dono de hortas nas Covancas e nas Corgas Matosas,situadas nos arredores da Pampilhosa.

Padre Manuel Cardoso,detinha grande olival desde São Sebastião, até a ponte da Covilhã.

Padre Manuel Domingos,possuía um olival no sitio da Aldeia Velha,e outro na Eira do Mendes.

Padre Francisco Rodrigues, possuía souto no Vale Duce,e hortas na Corga do Bispo,e olival na chã do Sobral

O poder e influencia da Igreja Católica,atingiram nesta época o seu apogeu.Com a introdução do cultivo da batata e do milho, surgiu na região da Pampilhosa  aumento significativo da população.

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13.Jul.21

MEMÓRIAS DOS LAGARES DE AZEITE DA VILA - O LAGAR DE CIMA

Júlio Cortez Fernandes

Concluindo  roteiro da memória dos lagares de azeite da Vila de Pampilhosa da Serra, lembro o ultimo dos lagares regularmente , laborou ainda tenho algumas difusas lembranças.

O lagar de cima, assim apelidado pelo povo, por estar situado no quadrante geográfico oposto ao lagar dito de baixo,dentro dos limites do burgo.

Suponho este lagar surgiu devido a eventuais desentendimentos entre os proprietários do lagar de São Sebastião, já aqui referido. 

 Local escolhido para a sua construção é um pouco acima da mitica, ponte da Covilhã, próximo do sitio onde durante séculos a ribeira facilmente transponível a "vau".

No Vau, ocorreu  tragédia jamais esquecerei, o meu amigo do peito, Rafael, o Léu como eu lhe chamava, filho da ti Rosalina dos Queijos, teve parece ataque de epilepsia , mal de que sofria, enquanto guardava o pequeno rebanho de ovelhas, na queda bateu com a cabeça numa rocha, desmaiou, tendo falecido devido a insolação por ter estado demasiado tempo exposto ao sol.Tive grande desgosto, o Rafael deveria ter ao tempo perto de quinze anos. Deus tenha sua alma em descanso,ainda não o esqueci.

O lagar de cima,actualmente, não sei ainda funcionará.recordo finalmente, lagar da Ribeira de Moninho, há muito desaparecido,  onde meu avô João Carloto, também foi lagareiro.

Na vila da Pampilhosa dos lagares só queda a memória, os olivais vão definhando, a mão de obra para apanha da azeitona,também escasseia. Enfim mais um ciclo dos trabalhos agrícolas da nossa região que "está como ha-de  ir ". 

Aspecto do lagar de cima, no canto inferior da imagem

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08.Jul.21

LONGO E INEQUIVOCO INVERNO DEMOGRÁFICO

Júlio Cortez Fernandes

Parece mentira, no entanto; não transcorreu sequer  um século, localidades do concelho de Pampilhosa da Serra, ao tempo cheias de vida, no dia a dia centenas de habitantes,actualmente,estão reduzidas ao silencio.

Pescanseco,ou antes três Pescansecos, cimeiro, do  meio , e fundeiro, eram servidos durante a primeira década do século, passado, por  bem fornecido, estabelecimento comercial.

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E  actualmente ? Deixo aos leitores concluírem o que mais aprouver. Como foi possível, tal " tombo " ?...