Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

30.Mai.21

A SERRAÇÂO DE MADEIRAS DA PÓVOA DA PAMPILHOSA

Júlio Cortez Fernandes

Na década de 1920, funcionou na proximidade da povoação da Póvoa,  arredores da vila, serração mecanica, de madeiras, cujo "charriot" era movido pela força motriz das aguas da ribeira que banha a povoação.

O engenho e instalações respectivas, estavam situados, junto antiga estrada servindo a localidade, cujo traçado seguia depois do pontão de pau, transpunha curso de água, num ponto ao  fundo do sitio  Alto da Praia da Cadela, pela encosta fronteira a actual via.

A serração pertencia, abastada família, da freguesia de Alvares no vizinho concelho de Góis, que escolheu, a Póvoa, devido  abundância de arvoredo propicio obtenção de boa madeira.Curiosamente,não muito distante da aldeia existe o denominado: Vale dos Madeiros,

As pranchas de madeira serrada transportadas, por carro de bois, pelo caminho ligava Povoa, a aldeia de Moninho, e dai, até sitio dos Pereiros, pouco adiante da povoação de Moradias, onde  estava  "encalhada " a estrada nacional. Dos Pereiros a madeira seguia para a estação do caminho de ferro da Lousã,em camionetas de carga.

A sede da empresa,proprietária,estava na Portela do Vento, onde se cruzam a mítica estrada nacional Nº2, com a nacional  Nº112.

Durante alguns anos,seria mestre serrador nosso avô materno, Augusto Cortez; tendo  permanecer, muitas vezes noite e dia , na fábrica,para aproveitar todo caudal possivel da água da ribeira; nossa avó muitas vezes deslocava-se de Vale Covo a sete quilometros distancia, onde moravam para levar ao marido alimentação necessária,Tudo a pé,

Tempos duros, compensava sacrifício, porque salário auferido segundo dizia meu avô ,era dobro do  pago a quem trabalhava a jorna.

O nome correcto do povoado é Póvoa da Pampilhosa ou da Vila; os habitantes da vila , diziam simplesmente Póvoa, porque para eles com esse nome  somente existia aquela aldeia próxima.não havia confusão.

Assim  publicitavam em 1921, empresa dona da serração 

serração da povoa 21.png

 

 

28.Mai.21

MEMÓRIAS DOS LAGARES DE AZEITE DA VILA

Júlio Cortez Fernandes

Esta comprovado a oliveira, seria introduzida nas montanhas da Cordilheira Central de Portugal, durante século XVIII. No território do antigo, concelho de Pampilhosa ; plantio de olivais, sofreu incremento, consequência das leis Pombalinas,ordenando arrancar as vinhas;  locais onde estavam videiras, principalmente nas calçadas, como aqui se designam os socalcos, surgiram milhares de oliveiras. Um exemplo. próximo da vila, na encosta do Cabeço da Urra,encontramos a lomba da Foz das Videiras, recordo ter visto muitas calçadas de olivas; depois do grande incêndio 2017, ficaram visíveis com nitidez, socalcos onde primitivamente existiram vides.

Para moer azeitona destes olivais foram surgindo vários lagares,do tipo romano, ou de vara, movidos pela agua da ribeira, O mais antigo, o de São Sebastião, lagar de cima, como designava o povo, situado onde hoje está  memória "modernista", junto ao açude da levada para o  engenho , na zona do "poço do munho ", na ribeira, integrado na praia fluvial da Vila.

O lagar de São Sebastião,pertencia a Quinta de São Martinho, durante séculos,teve por limites,cume do cabeço, por cima do Vale Castanheiro, até a ribeira: está documentada  existência deste lagar antes de 1763.

Meu pai, exerceu ali função de mestre lagareiro,até emigrar para Lisboa em 1951.Nesse tempo para  fabrico do azeite já se  utilizava, moderna prensa hidráulica. Recordo a disposição dos órgãos compunham o lagar.

Transposta larga porta de acesso, esquerda ficavam as tulhas de cimento onde azeitona, aguardava entrada no pio, onde rodavam as grossas galgas de granito, que transformariam em massa, recolhida, para as ceiras, de esparto, estas, pilhadas no carro, seguiam para a prensa situada num plano elevado, a direita de quem entrava.

 Roda exterior tocada pelas agua da levada, fazia mover as gagas através de transmissão por correia .Ao fundo ficava a caldeira, de aquecimento da agua, para o processo de fabrico; nas tarefas ou potes,situados a seguir a prensa ao nível do solo.

A agua para caldeira, provinha da levada, bombeada por bomba manual, colocada , junto a porta de acesso lateral; entre esta porta e caldeira, ficava dentro de compartimento de madeira pote do  "Santíssimo Sacramento", onde os "freguesses" deixavam oferta destinada alimentar lamparina perpétua da Igreja, que alumiava o Santíssimo.

Por debaixo da lage de betão do chão, ficava  grande deposito, também de cimento, para onde seguiam as borras das tarefas, chamado " ladrão" 

Hoje quedo por aqui.. Na imagem de documento datado 1763, referencia "tem um lagar de azeite a SAM SEBASTIAM " citando igualmente os moinhos contíguos.

sebastiao 1.JPG

 

 

22.Mai.21

PRESO PELA POLICIA POLITICA

Júlio Cortez Fernandes

Recentemente, surgiu polémica, pela proposta apresentada na Assembleia da República,no sentido de " obrigar " os deputados, a declarar filiação em determinadas organizações, como Opus Dei, e Maçonaria.Esta intenção não é da agora, relativamente a Maçonaria, já vem de longe, como  aperitivo do anuncio.

Na Vila da Pampilhosa, há precisamente, 85 anos,alguém denunciou, as autoridades, existência de um " triângulo maçónico ", na localidade, indicando nomes dos membros. 

A Maçonaria, havia sido ilegalizada,em 1935,e vai dai a PVDE, Policia de Vigilância, e Defesa do Estado, antecessora da conhecida PIDE, aproveitando ensejo dos maçons da Pampilhosa se deslocarem ao Luso, concelho da Mealhada,a fim de participarem numa  reunião convocada pela maçonaria.

Foram detidos, na ocasião, o ajudante do registo civil, um professor primário,um ajudante de solicitador, subdelegado de saúde, no concelho.

Depois de interrogados e identificados, foram libertados,ficando unicamente detido o Dr. Luís Tomaz Barateiro,acusado  ser  líder do triângulo. Foi levado para os calabouços da Policia Política na cidade do Porto , onde permaneceria preso durante dois meses.

Foi libertado,por influencia do seu amigo,antigo colega de curso,  membro da Maçonaria, durante toda a vida. Dr. Bissaya Barreto. Devido a isso foi reintegrado na sua função e pagos os vencimentos, relativos ao tempo de clausura.

Quando leio, na Pampilhosa era tudo boa gente,não posso deixar  lembrar aqueles que na nossa terra, sofreram por delito de opinião,  denunciados, pelos vizinhos. Sei quem foram, não interessa agora escrever aqui quem . Descansem em paz , Deus lhes perdoe, como eu já fiz.

Sinto muito orgulho, saber na nossa terra, houve gente  mesmo quando era difícil, nunca deixou de acreditar na democracia,

Parte do interrogatório submeteram  o senhor Dr. Barateiro,e faz parte do meu arquivo.

barateiro2.jpg

 

 

20.Mai.21

EM TEMPO DE CARESTIA FESTA NUMA ALDEIA ABASTADA

Júlio Cortez Fernandes

Malhadas da Serra, aldeia alpestre do concelho de Pampilhosa da Serra,como já escrevi em diversas ocasiões, depois da introdução da cultura do milho, nesta região, em finais do século XVIII,seria terra de boa produção daquele cereal.Abundância de agua,  exposição a Sul, das lombas e barrocas, eram  razão de tal facto.

Cumpre-se agora um centenário,decorria 1921, dia 15 de Maio, domingo do Divino Espírito Santo, realizou-se, festa da aldeia em honra do padroeiro, precisamente, Divino Espírito Santo.

As cerimónias religiosas, constaram de missa,celebrada pelo reverendo pároco da freguesia,e distribuição de bodo,para toda a gente, composto de pão de trigo e tremoços, tal qual segundo suponho, ainda hoje se procede.

Ao fim da tarde,iniciaram animado baile, com juventude da aldeia,e outras terras circunvizinhas, com predomínio de gente do Colmeal, apesar situar no concelho de Góis,mantinham  estreito relacionamento, com os Malhadendeses.

Consta afluíram, neste dia, igulamente pessoas vindas de sede da freguesia, das aldeias da Telhada, e Simantorta da freguesia de Alvares, e do Machio.

 Muito notada presença, de ilustre habitante da Lousã , José Bernardo Malta, acompanhado de sua mulher Srª Maria Pinheira, proprietária da empresa de diligencia  havia iniciado nesse ano , " carreira " de transporte de passageiros e mercadorias, entre Lousã e a catraia do Farropo.

Naquela época,tempo de grande a carestia e falta de cereais, nas Malhadas da Serra, alguns proprietários,dispondo de milho em abundância, vendiam por bom preço . para as terras onde faltava, utilizando serviço da  empresa de " Maria Pinheira ". Podemos dizer as Malhadas era terra de bons clientes para a transportadora.

Sendo proibida venda do cereal para fora dos concelhos da origem ; evidentemente  "Maria Pinheira ", corria riscos, e seria paga por isso.

O preço do milho atingiu, preços,exorbitantes, possibilitando algumas famílias da aldeia obtenção de elevados lucros, dando mais ênfase, aquilo que se dizia por montes e vales das montanhas da cordilheira, " aquilo sim é terra abastada ".

Em tempos de dificuldades, há quem prospere, sempre foi assim e assim será, é a vida como diria outro.

malha2.JPG

 

 

09.Mai.21

CANTIGA IMPROVISADA FICOU NA TRADICÇÃO

Júlio Cortez Fernandes

Época segunda guerra mundial, grandes dificuldades, muita penúria para todo povo Português, ainda mais para as gentes serranas do Concelho de Pampilhosa da Serra.

A situação era tão grave , em 1943, chegou a temer-se não seria possível realizar as festas anuais, de 15 de Agosto, em honra de Nossa Senhora do Pranto, padroeira da freguesia da Vila.

Banda filarmónica estava, de candeias as avessas, com as gentes da terra, por questiúnculas,  decidindo os seus dirigentes, não participar na festa.

As pessoas andavam apreensivas, tristes, porque não iria realizar-se a festa, nem um pouco de alegria, iriam ter nesse ano.

Para colmatar a falta da filarmónica, que por  "pirraça", no dia 15 estaria na festa da aldeia de Sobral Valado,  grupo de habitantes da Vila, contratou a tuna de Vilarinho perto da Lousã, cuja  actuação seria um  sucesso;  organizou concurso de ranchos, de diversas aldeias da freguesia, saindo o da povoação das Aldeias,  vencedor, com prémio de 60$00, bom dinheiro naquele tempo.

Terminados festejos, os organizadores, reuniram-se em ameno e fraterno convívio; no final,quando regressaram a vila, percorreram todas as ruas e becos, cantando, cantigas improvisadas, cujo teor podem ler no fim do texto; tal modo, a "cantiga " do coro, ficaria no ouvido das gentes do burgo, até hoje , pensamos nós.

AGOST15.JPG

 

 

 

06.Mai.21

NEM SEMPRE CONCELHO DA PAMPILHOSA TEVE AZAR

Júlio Cortez Fernandes

Ao longo dos séculos, parece sobre a Vila e concelho de Pampilhosa da Serra,  no que se refere ao apoio da Nação, pairou sempre uma " aureola " de esquecimento e desinteresse.

Os factos parecem, confirmar, tal situação, houve no entanto, e determinado momento da história onde uma pequena réstia de fortuna, suavizou  desprezo a que foram votadas estas terras, deserdadas.

Terminada guerra civil, do período liberal, expulso D. Miguel, iniciado tempo de reformas, políticas dos novos governantes,uma das primeiras, encetadas: extinção de Municípios, sem viabilidade económica,e social. O País,estava dividido em mais de oitocentos concelhos, manifestamente um exagero.

Feito levantamento, da situação, depois de longos debates , no parlamento,elaboraram relação das Camaras Municipais, que iriam fechar; nela figurava  nome do Concelho de Pampilhosa, que juntamente com o de Fajão , seriam integrados no de Arganil.

Todavia, tal não iria suceder, por um acaso feliz:

Em 1843, na igreja matriz da vila de Fornos de Algodres, contrariam matrimónio, Francicsco Caetano das Neves Castro (júnior), natural da Pampilhosa, filho de D. Bernardina Queixada, irmã do pároco, da altura, e de Francisco Caetano das Neves (sénior);com Dona Maria Lutegarda da Costa Cabral, irmã do Presidente do Ministério Costa Cabral.

Este feliz enlace, possibilitou retirar, a pedido do nubente o nome da Pampilhosa, do rol dos concelhos a extinguir.Não pensem foi por amor ao torrão, natal isso sucedeu, o motivo próximo,ficou  dever-se ao facto se Camara Municipal fosse fechada,acabavam  empregos dos Neves e Castro, nessa época, ocupavam todos os cargos remunerados na autarquia.Assim para evitar o desemprego dos ricos, salvou-se um concelho, tão pobre como os que extinguiram , Alvares, Fajão, Espinhal, etc.os quais acabaram quando promulgaram o decreto definitivo em 1855.

Ainda bem! graças a um acaso da história,  podemos continuamos ser cabeça de concelho. 

aondeyy.jpg