Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

27.Abr.21

ALDEIA DO RELÓGIO

Júlio Cortez Fernandes

Em nossa casa de Vale Covo, arrabalde da vila, onde passei bastante tempo feliz e despreocupado da meninice, existia relógio despertador de mostrador redondo,números das horas, em caracteres romanos, "coroado" por  avantajada campainha, martelo saliente. Adornava este medidor de tempo, mesa de cabeceira do quarto de dormir dos avós.

Fascinava-me aquele objecto,de tal modo ainda agora, recordo  nome imprenso, no mostrador, protegido por vidraça. Quando aprendi a ler pude soletrar " TAVARES ".

Certo dia perguntei avó Emília, onde haviam comprado o relógio. A resposta veio pronta,fora oferta de casamento, dos  parentes moravam, na Vinha Velha, Madeirã, no concelho de Oleiros, onde ela viveu grande parte da juventude, cuidando das crianças da família,os ofertantes  haviam  comprado   " regalo ", na aldeia do Vilar da Amoreira.

Sabia por explicação da avó, onde se situava o Vilar, como dizia. Muitas vezes passou por ali, utilizando, barca de passagem,a caminho da Madeirã, ou da romaria de Nossa Senhora da Confiança, perto de Pedrogão Pequeno, nunca faltava a festa,por ser muito devota daquela Nossa Senhora.Mais tarde ainda viajou no "gasolino", igualmente sediado naquela localidade.

O matrimónio dos avós realizou.se em 1913,descobri há pouco,  prova de existência na aldeia ribeirinha do Zêzere,  seria " afogada " com  construção da Barragem do Cabril,no final da década de 1940, de  afamado relojoeiro,de nome idêntico ao que figurava no despertador.

Não sei onde, onde eventualmente estará chato instrumento, perturbador do sono, arauto da hora de saltar do quentinho dos lençóis.

 Além de porto de  embarque , Vilar também seria morada de cuidador de  relógios, cioso do seu mister, "assinava" os objectos como certificado de qualidade. Tudo já lá vai; fica a memória.

tavares999.png

 

 

25.Abr.21

UM DIA DA HISTÓRIA DA PAMPILHOSA PARA ESQUECER

Júlio Cortez Fernandes

Em  25 de Abril 1940, o Diário do Governo, inseria Decreto Lei, assinado pelo Presidente do Conselho de Ministros  Oliveira Salazar.

sala.JPG

Como podemos ler no documento, o Governo, diga-se ditador decidiu dissolver a Camara Municipal de Pampilhosa da Serra, colocando o Município sob tutela directa do Governo.

Na verdade, neste dia autonomia Municipal, cessou; o concelho caminhava para a extinção. Salazar, só não concretizou intento, com receio da reacção popular  principalmente da colónia Pampilhosense residente em Lisboa.

Esta atitude prepotente e injustificada,tem sido esquecida,  muita gente que se afirma como adepto do Salazarismo porventura nem conhece,

Para memória deixo,  prova do " devotado amor " que tal personagem dedicava a nossa terra,

Felizmente hoje, comemoramos um 25 de Abril diferente. Gente desta nunca mais, Salazar para o concelho da Pampilhosa foi um verdugo, para mim é suficiente, para lhe dedicar tanto afecto como teve para com a Pampilhosa.

 

21.Abr.21

QUANDO COMEÇOU DESENVOLVIMENTO DE UM SITIO MITICO DA SERRA

Júlio Cortez Fernandes

 Catraias ou vendas,foram surgindo, na beira das estradas, principalmente em solitárias e ermas paragens, longe de aldeias ou outras povoações.

Nas montanhas da Pampilhosa, na  fronteira das freguesias da Vila, e  Pessegueiro,surgiu por volta começo do século XX; conjunto de casas, onde terminava a estrada nacional em construção, destinada a ligar, Foz de Arouce a Malpica do Tejo, passando pela Vila, e demorou cem anos a concluir.

Primitivamente, o sitio com agua abundante, e pastos viçosos nas proximidades, relva da Eira, e relva da Mó,foi morada de rebanhos, um FARROUPO, isto é  redil onde ficavam  crias: borregos , cabritos  ou leitões, quando se pretendia, afasta-los, das mães , para não mamarem , enquanto  pastavam.

 Durante muito tempo, no FARROUPO, depois por corrupetela, passaria a FARROPO, chegavam principalmente, carroças puxadas por muares, as galeras, transportavam pessoas e mercadorias, a de maior fama seria de " Maria Pinheira " nome da proprietária de uma dessas "companhia ".

Todavia, em Abril de 1921, começaram aportar ao FARROUPO, modernos meios de locomoção, ditaram o fim das galeras.

padinha  vv.png

Curiosamente, Padinha e Rebelo,mais tarde um dos principais accionistas da Companhia Eléctrica das Beiras, dona  da Barragem de Santa Luzia. Fica demonstrado muito do dinheiro investido naquele empreendimento veio do bolso dos rudes serranos.

Além  desta empresa outra iria aparecer dois anos mais tarde,com sede no lugar das Cabeçadas, vizinho concelho de Góis.

farropo444.png

Catraia do Farropo, passou ser local muito movimentado,verdadeira "capital da Serra",até porque está situada a mais de 800 metros de altitude, tanto como o Cabeço da Urra, perto da Vila.

Hoje do antigo bulício, pouco resta, não fosse este espaço, ninguém lembraria o centenário da chegada do primeiro veiculo motorizado de carga e passageiros, fazendo ligação ao caminho de ferro, na Lousã, escancarando  porta por onde dai em diante, milhares de nossos conterrâneos, saíriam  procurando vida melhor, fugindo a um quotidiano de dificuldade e penúria.

afarroupo.JPG

 

 

 

15.Abr.21

CAPELAS E ORAGOS DA FREGUESIA DO CABRIL NO COMEÇO DO REGIME REPUBLICANO

Júlio Cortez Fernandes

A freguesia de São Domingos do Cabril,pertence desde fundação do Municipio, ao Concelho de Pampilhosa da Serra,situada em terreno alcantilado, pedregoso escarpado e hostil, coroado por imponente penedia,  dessa característica provém o topónimo.

No período inicial do regime republicano,existiam na paroquia, além da igreja matriz, na sede da freguesia, encontravamos, capelas de Nossa Senhora das Dores, e de Santa Apolónia.No restante território,nesse tempo,foram referidas as seguintes : 

 Lugar do Armadouro, capela dedicada ao Senhor dos Milagres; na povoação da Foz do Ribeiro, capela de Santo António, aldeia de Sanguessuga, capela da evocação de Nossa Senhora da Conceição.

 Povoação de Praçais, capela dedicada a São Tiago; finalmente no lugar do Vale Grande capela de Nossa Senhora das Febres.

Curiosamente, um dos grandes impulsionadores, da ampliação e restauro da capela do Vale Grande no seculo XIX;  Padre Moradias, havia ingressado no sacerdócio depois de enviuvar, viveu algum tempo, na barroca das Botelheiras, em Vale Covo, perto da Vila.

Ainda recordo meu avô materno, designar o edifico, depois pertenceria aos herdeiros da nossa tia-avó, Generosa Cortez; " casa do Padre Moradias ".

Foi pároco do Cabril, nosso antepassado Padre Francisco Cortez, igualmente, paroquiou Pessegueiro, e cura coadjutor, na Igreja da Pampilhosa.

Uma vista do Vale Grande, obtida a partir do miradouro dos penedos da barragem de Santa Luzia

avale grande 11144.jpg

 

 

 

13.Abr.21

CAPELAS E ORAGOS DA FREGUESIA NO COMEÇO DO REGIME REPUBLICANO

Júlio Cortez Fernandes

Os primeiros tempos, logo seguir implantação da República, ocorrida a 5 Outubro 1910 ,  relações entre a Igreja Católica,e novo regime ficaram muito conflituosas; reflexo disso  levantamento  de todos os bens eclesiásticos, mandados, elaborar, pelo ministério da justiça e dos Cultos.

Abrangendo todo Pais, no concelho da Pampilhosa da  Serra. arrolamento demonstrou existência na freguesia da Vila,além da igreja Matriz da evocação de Nossa Senhora do Pranto; as seguintes capelas, abertas ao culto :

Aldeia Cimeira - São José,  Aldeia Fundeira - Nossa Senhora do Carmo, Carvalho-Santo André, Decabelos- Nossa Senhora da Lapa, Lobatos - Santa Ana, Lomba do Barco, Nossa Senhora do Resgate,Moninho - Santa Barbara, Pescanseco do Meio - São Bartolomeu, Póvoa - Santa Eufemia, Sobral de Baixo - Nossa Senhora da Nazaré, Sobral de Cima - Senhor da Serra,  Sobral Valado , São Lourenço, Soeirinho - São João, Vale Serrão - Nossa Senhora das Preces.

Na Vila da Pampilhosa, naquele tempo,existiam igualmente, capela da Misericórdia, capela de Santo António, Capela de São Jerónimo, Capela de São Sebastião. De propriedade privada; eram Capela de Sao Pedro Mártir na  denominada Casa Branca, pertença  de Joaquim Urbano das Neves e Castro, de Santa Rita, na Casa de Dona Natividade, viúva do Dr.Feiteira,

As capelas mais antigas, como  Sobral de Baixo , Moninho , foram demolidas por incúria. Todas restantes, salvo Aldeia Cimeira, nada tem de semelhante ao traçado inicial.

Mais tarde nas  aldeias  dos Covões, Sobral Magro, e Signo-Samo, edificaram capelas;  antiga cantilena manteve-se .

FRACA TERRA O GAVIÃO

NÃO TEM SINO NEM CAPELA

NEM  PADRE DIGA MISSA 

NEM  SACRISTÃO  AJUDE A ELA

Fotografia da sede de freguesia de Nossa Senhora do Pranto

abelpampioff.jpg

 

01.Abr.21

LONGE DO COFRE E DO CELEIRO DA NAÇÃO

Júlio Cortez Fernandes

Está comprovada, a pouca simpatia do Professor  Oliveira Salazar,  e seu governo tiveram para com a Vila de Pampilhosa da Serra, e seu concelho.

Salazar, não compareceu na inauguração da Barragem de Santa Luzia,maior obra de engenharia até então realizada em Portugal; proibiu também  ministro das Obras Publicas de assistir.Tomou partido pela da Camara de Arganil , contra a da Pampilhosa, na questão das casas dos Magistrados da Comarca, para cuja construção a edilidade Pampilhosense, seria obrigada a contribuir, apesar judicialmente , existir na Vila Julgado Municipal.

Colocou por causa daquela querela, a Camara Municipal, em regime de tutela,  demitiu sumariamente Presidente.Mandou fechar de um dia para outro as Minas da Panasqueira, provocando desemprego de milhares de operários,

Quando informado muitos naturais do Concelho, trabalhavam no Porto de Lisboa, teve receio, de alguma reacção. por serem " muito unidos, relativamente a sua terra ", teria dado instruções de maior vigilância por parte da policia política.

Agora descobri outra quando concluiram a estrada nacional, entre Pampilhosa e o sitio de Pereiros,para gastarem pouco dinheiro, tabuleiro da ponte sobre a Ribeira de Moninho, a entrada da vila, foi executado em madeira, era pavoroso , transitar num autocarro ou camioneta pesada, sobre tal "ponte".

 Podemos ler noticia do Jornal de Arganil datada Junho 1933,demonstrativa via  inicialmente, nem sequer teve revestimento tipo "macadame", além do traçado sinuoso e inadequado, parecia simples caminho de pó no Estio e lamaçal no Inverno.

Teve razão nosso conterrâneo,Dr. Cipriano Barata,  apesar de  ser adepto do regime, não se coibiu de escrever a frase que serve de titulo.

Enfim ! A Pampilhosa da Serra, nada ficou a dever ao ditador...

anes2.JPG