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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

31.Mar.21

NO COMEÇO ERAM GRANDES CARVALHAIS

Júlio Cortez Fernandes

O território do actual concelho de Pampilhosa da Serra, no alvor da nacionalidade portuguesa, estaria coberto por densas matas de carvalhos, sobreiros e castanheiros.

Sobreiros e carvalhos, espécies arbóreas da mesma família,observando a toponímia local, verificamos existência diversas localidades e sítios denominados "sobrais", indicando abundância de árvores daquela espécie.Carvalho está frequentemente associado, ao sobro, também, deparamos na região  topónimos, alusivos a carvalhais.

Carvalho, aldeia importante, desaparecida Póvoa do Carvalhal, próximo de outra importante povoação Sobral Valado, locais como Carvalhal do " coira ", Carvalhal do Bispo,Carvalhal Redondo, etc. 

Soutos para prosperarem necessitavam ser enxertados; os castanheiros silvestres.Por essa razão,apesar do alto valor  da madeira e fruto; no inicio do povoamento, a predominância da floresta era assumida pelo carvalho, nesse tempo não havia  pinhal. Desgraça dos imensos carvalhais, além de catástrofes naturais associadas ao fogo,foi  característica, da madeira de  carvalho, ser empregue na construção de navios.

O primeiro donatário com estatuto de alta  nobreza das terras da Pampilhosa e tudo em redor, foi  Infante Dom Henrique, personagem cada  dia mais polémico. Mandou derrubar milhares de árvores, que "zorradas", isto é, cujo troncos rolados, pelas encostas das lombas,  depois encaminhados para  rio  Zêzere e seus afluentes, levados pela agua até Praia do Ribatejo, perto da Barquinha, onde sabemos agora, se localizavam, os secretos estaleiros navais da Coroa, antes do rei  D. João I,ter mandado construir o complexo náutico da Ribeira das Naus em Lisboa. Da Praia do Ribatejo,  barcos prontos, desciam  Rio Tejo ,até ao Oceano,

Sendo carvalho, espécie de crescimento,lento, derrube, indiscriminado,levou a diminuição, drástica das matas, até quase extinção.

Quando em 1135, D. Sancho doou, a Herdade  de Pedrogão,onde estava integrado  território, do antigo concelho da Pampilhosa, ainda não existia  povoação  hoje  sede do concelho. As terras antigo Município de Fajão pertenciam aos monges do Convento de S. Pedro de Folques. 

Era tal a vastidão dos carvalhais,que influencia desta floresta, se manifesta em muitos usos e costumes,dos quais voltarei a falar, referindo um interessante: Quando não era conhecido  progenitor de uma criança diziam: " é filho dos carvalhos da mata", a origem e significado desta expressão,daria para escrever um livro.

23.Mar.21

SITIO DA FORCA

Júlio Cortez Fernandes

Calhou hoje lembrar pormenores, pouco conhecido da história da nossa terra. Sendo povoação antiga, infelizmente não existem muitos documentos possamos,referir para corroborar essa anscestrealdade.

Dom João I, estando em Coimbra , decorria 1385,confirmou,anteriores prerrogativas da povoação ,outorgadas mas das quais não existiam provas.

Mestre de Aviz, atribuiu, a Pampilhosa, "  todas ou uma coisa que pertencem a vila, isenta, e selo forca picota e cadeia como outro lugar, privilegiado"

Não vou dissertar acerca da cadeia Pelourinho e picota, deixando isso para ocasião futura, se a pandemia deixar.Vou focar a temática da forca.

As forcas, muito difundidas, no mundo medieval, até  final do absolutismo, destinavam-se  executar pena de morte por enforcamento; punindo quase sempre indivíduos de baixa condição, por ser pena duplamente infamante. Pessoas da classe superior eram decapitadas, no tronco pelo carrasco.

As forcas podiam ser pedra ou de madeira, por donde passavam cordas, onde dependurados os condenados morriam por asfixia.

As forcas eram levantadas, nos caminhos, fora das povoações. Os corpos dos executados, ficavam expostos, para os transeuntes, vissem  que lhes poderia suceder se caíssem na alçada da justiça. Os cadaveres serviriam de pasto as feras e aves de rapina.

Não possuindo,elementos, acerca do aspecto da forca utilizada na Pampilhosa,posso admitir ser das mais simples, consistindo numa corda presa a um galho de árvore com um nó corrediço com laçada que se colocava em redor do pescoço do condenado, a qual se apertava com o próprio peso do enforcado, estrangulando-o.

Não há muito ,designava-se na Pampilhosa, conjunto de dois grossos ramos de árvore em forma de  V, uma forca.

Onde ficaria a forca da Pampilhosa ? No decurso das investigações, deparei  documento relativo a décima de 1788, indicação:

José Fernandes Moradias, possuiu  umas oliveiras, e uns castanheiros, e umas terras á Corga da Forca ".

Tive ensejo de falar com os saudosos avô, João Carloto, e também com meu pai, para saber onde ficaria a Corga da Forca.

A informação revelou ser ao cimo da quinta das Malhadas da Ribeira, no arrabalde da Vila. A forca deveria ter sido  no caminho seguia para Cabril, Vidual, Unhais, Cebola, Casegas, Paul, Covilhã e Guarda sede da diocese, onde pertencia a Pampilhosa,

Uma área visível  de grande distancia, a " barroca " ou vale a seguir a Corga da Forca, é Vale do Urso; com tempo as pessoas passaram a pronunciar   " Valeduce"

Noutras terras de Portugal encontramos " Campo da Forca ", " Outeiro da Forca ",  " Monte da Forca ",  " Tapada da Forca ". Na Pampilhosa seguiu-se designação toponímia de acordo com as características da região  " CORGA DA FORCA ". Termo corga, significa nascente ou bica de água, por vezes a outra dsignação é corrego. Na Pampilhosa econtramos muitas corgas.

Assim termino,  como diria o outro : feito...

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21.Mar.21

COSTUMES " ROMANTICOS "

Júlio Cortez Fernandes

Volta a Primavera, este ano, pouco importante , porque "inverno pandémico", não terminou ainda.

Decadas passadas, na vila de Pampilhosa, estava ainda enraizado costume, frequente na presente estação do ano,transcorrido, tempo do rigor invernal , por estas bandas  bastante agreste.

 No principio década de 1950, recordo ter presenciado acontecimento,na altura, francamente , dada a pouca idade pude compreender cabalmente.

Quando as famílias de namorados, não viam com bons olhos, o derriço, e se opunham com veemência ao pretendido casamento,costumavam os " conversados", fugirem.

A coisa passava assim :
Uma noite combinada o rapaz, de marugada colocava escada daquelas usadas na apanha da azeitona, na janela do quarto da moça, por onde ela descia, até a rua. Depois, com algum " farnel " e mantas para aconchego, rumavam a sitio previamente escolhido, normalmente , um palheiro ou casa de apoio a  agrícultura escondidos, nas hortas ou  "fazendas " numas das inumeras barrocas ou vales da geografia da região.

Demoravam-se por la uns dias , depois apareciam , só restando aos progenitores casar os pombinhos.

O episódio testemunhei, guardo; os protagonistas, já não estão entre nós,  foram ambos meus amigos. Este costume parece já não existe, agora os métodos devem ser de  de outra índole...

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19.Mar.21

FESTA DE SÃO JOSÉ

Júlio Cortez Fernandes

Lembro meu pai quase todos dias, por isso, hoje além de evocar com  ternura a sua memória e com alguma mágoa, não posso recolher-me em silêncio, perante a última morada no cemitério da Pampilhosa onde guardamos seus restos mortais, desde modo, decidi assinalar acontecimento relativo a este dia.

Ao tempo deveria ter seis anos de idade, e assisti com a avó Emília, à festa de São José na Aldeia Cimeira, terra da sua naturalidade. O avô Augusto, ficou em Vale Covo porque era necessário, cuidar dos animais e da horta. Avó ainda tinha família naquela aldeia, duas irmãs,  sobrinhos e muitos primos. Ficamos na casa de uma das tias.

Percorri aldeia de lés a lés, confesso que os miúdos daquele altura, não foram simpáticos comigo, era um estranho; as outras pessoas pelo contrário.

Recordo portas das casas estavam abertas, as ruas atapetadas com mato recente, o alpendre da muito antiga capela, um brinco, no ar cheiro a bolos, filhoses, pão de ló, comida da melhor e dos fornos na cozedura da broa.

A sopa de grão, para confecção da qual vi pela primeira vez adicionarem bicarbonato de sódio na panela, cabrito e galinha , eram as iguarias de todas  famílias.

Ao meio dia o Prior da Pampilhosa, celebrou a Santa Missa, com capelinha e tudo em redor apinhado de gente. No interior da orada, flores em todos os cantos.

Após missa, a comida nas mesas em cada casa, tal modo abundante que parecia um casamento. Tinha vindo gente emigrada em Lisboa, e no Porto,  foi uma confraternização muito sentida.

Pela tarde e noite fora bailarico, num terrado com oliveiras centenárias no fundo da povoação, sitio chamavam Ramalhão, roda de baile mandado formado por dezenas de pares, tocadores de guitarra, e cantigas ao desafio. Uma alegria!

O drama da emigração além da desertificação humana, obrigou a mudança das festas para o período do Verão, altura de férias, ocasião única, para os filhos das aldeias, poderem visitar a terra e assistir às festas. Penso que um ano ou dos depois, já São José se festejava no Estio.

Deixámos a Aldeia Cimeira, no dia seguinte, apesar termos passado dias felizes, recordo avó Emília, quando chegados no alto da lomba do barroco da Corga do Laranjo e avistamos a nossa casa, com ampla varanda sacada, janelas grandes rasgadas, sólidas e altas paredes (não vi nenhuma nas aldeias igual) altaneira na fundura do Vale Covo, fumo da lareira subindo no ar através do telhado, sem chaminé, como era uso então, exclamaria: "minha casa minha casinha, merda para rei mais para rainha".

Assim terminava a última festa de São José em que participei na Aldeia Cimeira, que ainda hoje não esqueci... Nem sei o que restará de Vale Covo, será apenas isto?

A Porta da adega da casa...

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15.Mar.21

MARAVILHAS NATURAIS DA RIBEIRA DA PAMPILHOSA.

Júlio Cortez Fernandes

Continuando desfiar lembranças,volto ao tema das peculiaridades ainda conheci na ribeira,afluente do Zêzere e atravessa o concelho de Pampilhosa da Serra desde as alturas da aldeia de Meãs, até desembocar no rio tributário no termo de Nossa Senhora da Boa Memória dos Padrões.

A construção das Barragens, do Castelo de Bode, Bouçã, e Cabril,sem dúvida, uteis e necessárias ao progresso do País, não respeitou vertente ambiental; em nenhuma delas se considerou eclusa para peixes, assim a riqueza piscícola do Zêzere e seus afluentes sofreu  rude golpe.

No tempo da infância, antes do fechamento das barragens, recordo os salmões saltando as centenas na agua dos açudes, nadando para a nascente da ribeira na época da desova. Enguias abundavam; peixe era tanto resistia as pescarias criminosas com explosivos e envenenamento.

Além de tudo isso, guardo viva memória de facto marcante. Certo dia devia ser perto inicio de Outono, acompanhei a nossa avó materna Emília Mota,até ao moinho dos Silvas,onde iria moer milho , para a farinha da broa, todas as semanas cozia, no forno da nossa casa de Vale Covo.

Chegados a moenda, enquanto  minha saudosa e querida avó, lançou a mó, e esperava a conclusão do trabalho, desci a ribeira, frente ao moinho descreve curva, originando naquele tempo,  sitio mais profundo. Fica junto a parede do chão tratado pelo pai da minha amiga Esménia  da Herminia, morava na vila na Carreira de Santo António. 

Na horta, numa esquina existia imponente pereira que largava muita da fruta na agua da ribeira.Nesse local, para meu espanto, vi numero significativo de bichos de pelo luzidio, que mergulhavam nas aguas do " poço " no curso de agua, voltando a superfície, aparentemente, divertindo-se apanhar muitas peras, que iam caindo lá do alto da parede do " chão ".

Não fazia ideia, espécie de animais se tratavam. Voltei lesto para junto da avó, já a fechar  o fole da farinha, e disse " Vi ali umas ratazanas da agua ", emendou logo, dizendo " não são ratazanas , são lontras ". Nunca mais esqueci.

Mais tarde meu avó materno, grande caçador explicou havia apanhado muitas para aproveitar a pele. Para comer não prestavam a carne sabia muito a lodo e peixe.

As barragens acabaram com abundância delas na nossa ribeira, nem sei porventura existirão hoje algumas.

Na cultura da nossa gente perdura, conhecimento do simpático e bonito animal, de corpo rechonchudo. Ainda agora quando deparam com alguém bem nutrido, e corado, diz   "PARECE UMA LONTRA ". Nunca mais esqueci, passados algumas décadas estou a escrever acerca das " ratazanas " afinal eram lontras, frequentadoras destas cristalinas aguas desde sempre...

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11.Mar.21

" ALFANDEGA " DA VILA

Júlio Cortez Fernandes

Os forais das Vilas, estipulavam as Camaras Municipais, podiam cobrar impostos sobre determinados, produtos vindos de fora da area do concelho.

Nas ultimas investigações continuo efectuando sobre os primórdios da história da Pampilhosa, deparei na toponímia, referencias interessantes para compreender actividade económica de então, e relacionamento comercial com territórios vizinhos.

Uma dessas " alfandegas ", também designada: porto onde faziam entrada de mercadorias vindas de Norte , nomeadamente de Arganil, Coja e Folques, o " PORTO DA VILA ", ficava no caminho, de Pampilhosa- Arganil.

Esta via, passava por Moninho, Soeirinho, Colada de Belide, Colmeal, Enfesto do Gato, Celavisa, depois Arganil,  trajecto após Moninho, seguia  curso da ribeira do mesmo nome.

Na margem da ribeira, num outeiro do cabeço dos Poios, ficava  local onde o Almotacé,  assim denominado o fiscal de impostos camarário, exercia função tributária.

As pessoas colocavam as mercadorias, sobre pequenos muros, baixos,poios, ou poiais, para  examinarem os produtos, quantidades, e aplicar, a poia, ou taxa devida. Dai o nome do cabeço; e também nomenclatura "poia" atribuida algo despendido como pagamento. Poial, é igualmente lugar onde se poisa alguma coisa.

Finalmente.  "Porto da Vila ", um porto seco, ficava algures, junto a Barroca da Agua Luz, e Fonte do Azereiro, meio caminho entre Soeirinho e Moninho.Provalmente no sitio assinalado no mapa....

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07.Mar.21

CRÓNICA DA CONSTRUÇÂO DA PONTE DE ÁLVARO NO RIO ZÊZERE

Júlio Cortez Fernandes

 

Quando no dia 27 Maio de 1984, Senhor Presidente da República, General  António Ramalho Eanes, visitou oficialmente a obra ; já havia sido aberta ao tráfego a 27 Agosto ano anterior; nos discursos, de circunstancia. então proferidos, o trabalho, de grupo de naturais da região,haviam fundado em 1975 a denominada Comissão Pró Ponte de Álvaro, seria elogiado,ficando no ar, seriam autores da  ideia. A verdade histórica é outra.

No longínquo 1932, no Jornal " O HERALDO " publicado na vila de Oleiros, veio a lume noticia, relatando a colónia oleirense em Lisboa, através de um dos seus membros, reclamava abertura de nova estrada entre Álvaro, e Pampilhosa da Serra porque tal melhoramento, facilitaria ligações entre  concelhos vizinhos,quebrando  isolamento dos povos da margem do Zêzere,votados ao mais completo abandono.E permitiria mais gente fosse a feira da Pampilhosa, onde naquele tempo,grande parte dos habitantes do concelho de Oleiros se iam abastecer.

A sugestão,não colheu entusiasmo das autoridades competentes, por ser considerada dispendiosa.

Em Junho de 1933, Dionísio Mendes, ilustre Pampilhosense, correspondente em Lisboa do Jornal de Arganil, cujas crónicas assinava com pseudónimo  " Faz Barulho ". Escreveu : "  A estrada entre Pampilhosa e Álvaro,era de um valor inqualificável para o progresso  das duas regiões "... No entanto, porque havia  consciência, generalizada da falta de apoio para tal realização  e rematava : " a construção da referida estrada se apresenta um tanto difícil, voltemos as nossas atenções,para a construção da ponte sobre o Zêzere". 

Enumerando depois vantagens de tal empreendimento, referindo as inúmeras vitimas de naufrágio , todos anos se registavam na perigosa travessia das aguas daquele rio, concluia:

" Torna-se necessário agitar questão, que reputamos, de grande importância , pois só  por meio de uma ponte construida  em pedra, ferro ou em cimento,ficaremos, com uma ligação segura; interpretando o desejo dos habitantes, das margens do Zêzere chamamos a esclarecida atenção do sr, Ministro das Obras Públicas, a fim de minorar a situação desta pobre gente ".

Só quarenta anos mais tarde, se retomou com empenho este assunto. Quem teve  ideia e primeiro a lançou foi, como inequivocamente demonstramos, Dionísio Mendes; se houvesse justiça, na terra, a ponte existente deveria ostentar  nome do Homem que  a  sonhou.Sendo... 

" PONTE DIONÍSIO MENDES ".

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05.Mar.21

MARAVILHAS NATURAIS DAS MARGENS DA RIBEIRA DA PAMPILHOSA

Júlio Cortez Fernandes

 Estadia forçada no domicilio,permitiu encontrar no caderno virtual de apontamentos do tempo da infância e depois na juventude; durante  época das férias de Verão, invariavelmente, após vinda para Lisboa, demorava algo mais no torrão natal.

Sítios frequentei, na altura não valorizava, hoje reconheço seriam maravilhosos,  mereciam ter sido melhor apreciados.

 Recordo densa mata de loureiro, um desses lugares mágicos e unicos, junto da antiga levada regava  terras das margens, da ribeira desde o caneiro dos Silvas, a lonjura da Foz do Sobral.

Quando caminhava vindo de Vale Covo, para o moinho, do chão da cuca, depois de passar  olival do vale da Sardanisca, alcançado local onde as cales da agua, atravessavam o rio para as terras da Foz das Videiras defronte; passando gigantesca figueira e pequeno  alfobre plantio das couves, com desvelo a nossa mãe, regava usando aguadouro enchia na agua da levada.

Crescendo desde borda da ribeira para as alturas, deparava, viçosos loureiros, sempre verdes, na primavera floridos, exalavam odor magnifico, qual templo,no momento de benzedura dos ramos, no domingo do mesmo nome.

O renque de loureiros acompanhava, durante uns cem metros o caminho de lagedo ,que bordejava a levada. A esquerda os loureiros, a direita, lomba do coratão da "assanha", coberta de estevas, igualmente odoríferas do laudano das folhas. Correndo ao meio as aguas da levada  sempre  de caudal opulento.

Era encanto, epifania, motivados por natureza pródiga e bela. Adorava o sitio não sei  alguma coisa ainda existe.No cantinho resguardado,de memórias sublimes, ainda lá estão os loureiros do caminho da levada dos Silvas, e continuarão até se  apagar ultimo sopro da vida.

O inverno demogáfico, transformou um vergel,em ruina sem sentido. Casa da Quinta dos Silvas na Foz de Vale Covo, arrabalde de Pampilhosa da Serra...

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01.Mar.21

HISTÓRIA DO TEMPO DA RESINAGEM

Júlio Cortez Fernandes

Desde começo década de 1930, começou no concelho de Pampilhosa da Serra, aquilo podemos chamar período áureo da industria da resinagem,actividade deu trabalho a muita gente,exigia esforço e canseiras,de tal modo hoje poucos imaginam.

A tarefa de recolher a gema,vertida das feridas do tonco do pinheiro, para  púcaro de barro,fabricado numa ceramica sediada em Coja, concelho de Arganil, das mais árduas; resina transportada em " ferradas " para barris colocados, nos sitio proximos dos caminhos,onde chegavam, carros de bois que transportavam para  fábrica destilação e fabrico dos produtos sucedâneos: agua-raz, e pez louro.

Recordo, na Vila de Pampilhosa,ainda conheci, " carreiros" donos carros boeiros,  executavam esse trabalho, Ti Luis casado com a nossa Tia Maria , moravam perto da Capela da Misericórdia. Ti Manel, Antão, Ti Adelino Carloto, porventura outros havia, já esqueci.

Mais tarde por volta 1945, depois da segunda guerra mundial,  transporte da resina para as fábricas, passou ser, assegurado por potentes camiões.

Numa viagem transportando, barris o condutor do camião, e seu ajudante, vindos da banda da aldeia de Sobral Valado, na freguesia da Vila, foram surpreendidos, no sitio denominado  serra das Estremanças, nesse tempo, coberta denso pinhal, com pedido de boleia de um viajante , funcionário publico, na Pampilhosa, que regressava de serviço fora realizar aquela aldeia.

O individuo todo aperaltado de fato e pasta na mão, cansado, porque dali a vila seriam uns 3 quilómetros, desejava muito  boleia,porque sentia cansaço da jornada.

Camião parou, ajudante do motorista, fez gesto sair, e passar a caixa de carga, para cima dos barris. Nada disso, o chaufer, voz firme ordenou" tu ficas aqui, quem pede boleia vai para cima da carga". O pobre homem contristado, teve resignar-se ao incomodo de sentar-se  sobre os barris,

A viagem continuou, finalmente  camião parou na vila, o homem desceu,  quando já estava, apeado, teria exclamado. " o que havia de suceder a um homem civilizado, em pleno século XX, no meio de uma floresta, virgem , encontrar dois selvagens , como estes"  Antes de retomar marcha para entregar a carga na fábrica,  motorista retorquiu " Ah, sim?.para próxima , vens a pé que te lixas ".

Sei o nome de todos,não vale a pena mencionar, já todos partiram para onde não há boleias. No entanto, facto veridico? lá isso foi . O camião seria igual a este.

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