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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

19.Jan.21

NA BUSCA DA CATRAIA PERDIDA

Júlio Cortez Fernandes

Com a desertificação económica e humana foram desaparecendo, do território  referencias , vestígios de sítios outrora habitados e concorridos com a passagem de viajantes e almocreves.

Um exemplo disso  catraia do Silva, ficava na antiga estrada que vinda dos lados da Lousã e Góis, se dirigia para a Pampilhosa.

Essa estrada tinha traçado distante por onde mais tarde se abriu a celebre estrada real nº52, a qual sucedeu a Nacional 112.

A estrada saia da Pampilhosa, pelas Fontainhas foz da moura, ao longo da Ribeira, até a foz da Ribeira de Moninho,  aí a vau, passavam para outra margem,seguindo pela chã do Sobral, até Sobral de Cima, cabeço do Muro, Vale Carvalho, Carvalho, Ponte da Loisa, e finalmente a Catraia referida;esta surgiu no cruzamento do caminho da aldeia de Pessegueiro , para as Malhadas da Serra.

Já percorri a pé este trajecto, num mapa do meu arquivo, datado do principio do século XIX, encontrei claramente referenciada a " catraia perdida ".

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17.Jan.21

EPOCA DE GRANDE MOVIMENTO NA VILA

Júlio Cortez Fernandes

 

A conclusão da estrada nacional,até a Vila, em 1932, e quinze anos seguintes, foram tempo de assinalável dinamismo nos negócios, realizados na sede e em todo território concelhio.

O mercado quinzenal, passou ser dos mais concorridos da região, ao qual afluía gente dos concelhos vizinhos,onde se vendiam toda a espécie de produtos, e artigos, era usual afirmarem, " quem tiver dinheiro mo mercado da Pampilhosa encontra de tudo ".

A feira de gado bovino, passou a ser famosa, muitas juntas se compararam na Vila, vinte notas seria o preço médio, cada nota eram 100 escudos.

O inicio da construção da barragem de Santa Luzia,por volta de 1935, trazia mais gente. Os anos da especulação e candonga volframista,durante a segunda guerra mundial,  negociantes de pez e agua-raz, deram a Pampilhosa, aura de terra dinâmica e progressiva:  na cerca dezena e meia de tabernas da vila, vendiam vinho a rodos, sobretudo aos domingos e dias de mercado.

Caixeiros viajantes, faziam estadias de semanas na Pensão Central, quase sempre sem quartos disponíveis,

Assim, até mesmo fora da Pampilhosa havia empreendedores, pretendiam ganhar algum dinheiro, com a capacidade de atracção da Vila.

Na Lousã, por volta de 1946, surgiu estabelecimento de hospedagem, pensão com 10 quartos e serviço de restaurante, vocacionada servir, viajantes que se dirigiam ou chegavam da Pampilhosa para fazerem a ligação com transporte ferroviário.

A pensão, funcionou até 1949, curiosamente com a inauguração da ponte sobre o Rio Zêzere em Cambas, declínio económico da vila, começou a notar-se. 

Hoje fica esta memória, de um tempo já longínquo, no entanto, parece foi ontem.

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07.Jan.21

PRIVILÉGIO ALDEÃO

Júlio Cortez Fernandes

As pequenas comunidades aldeãs, principalmente as residentes nas  aldeias situadas em montanhas ermas,dispuseram desde tempos imemoriais possibilidade de usufruírem dos terrenos envolventes, onde apascentavam rebanhos, recolhiam lenha para  "fogueiras " das habitações, ou ainda surribando encostas, realizavam cavadas para semeadura de cereal, panificável,maioritariamente,centeio.

A palha era usada também como enxerga das camas rudimentares onde os serranos buscavam algum repouso,no final do penoso e nem sempre produtivo dia de trabalho.

Nas aldeias do Concelho de Pampilhosa da Serra, esses terrenos de fruição, comum, denominavam-se baldios.

Na aldeia Decabelos, na freguesia de Pampilhosa,verifiquei  existiu não um baldio mas outro tipo de direito do povo da povoação.

Demonstrei noutros apontamentos,a singularidade do povoado. Fundado por clérigos,os quais tiveram preocupação de somente aceitarem como vizinhos, cristãos sinceramente devotos,  praticantes da religião Católica.

Esta particularidade, originou os habitantes da Vila e das aldeias circunvizinhas,passarem a apelidar os moradores Decabelenses de " beatos", facto até motivou aparecimento de apelido homónimo numa família da localidade.

Os monges fundadores, preocuparam-se em garantir, os terrenos dos vales e lombas em torno da aldeia desde a Ribeira, ao cume da montanha, ficassem, por " Prazo indeterminado " para beneficio das gentes da aldeia.

Nasceu assim o "prazo de Decabelos".Nunca  ouvi dizer, aqui havia um baldio.O prazo seria abolido pelo governo do Estado Novo, em 1939, ao mesmo tempo que todos os baldios do concelho, passaram para administração das autarquias.

Não houve respeito pela particular excepção que representava o caso de Decabelos, como seria justo, tivesse sido considerado.

O prazo era para " todo sempre " afinal, também neste caso, houve um fim,sem razão é certo, mas acabou de modo inglório, o privilégio aldeão.

Capelinha dedicada a Nossa Senhora da Lapa em Decabelos

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