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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

31.Out.19

ENIGMAS DA HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE PAMPILHOSA DA SERRA

Júlio Cortez Fernandes

A Nossa Senhora do Pranto é padroeira secular da Vila de Pampilhosa da Serra.

O lugar de Prior da Igreja matriz da vila, sempre foi um lugar muito cobiçado, dado o rendimento que proporcionava ao titular do cargo. Os curas coadjutores,  no século XVIII, chegaram a ser sete!

As rendas do cabido da Sé da Guarda, diocese  a qual pertenceu a paróquia até meados do século XIX, obtidas na igreja Pampilhosense eram importantes.

Além das congruas e propriedades uso fruto do pároco, foram criadas pelos fieis confrarias eclesiásticas, igualmente origem de proventos para o Prior.

Conhecia as Confrarias de Nossa Senhora dos Remédios, Nossa Senhora do Rosário e do Santíssimo Sacramento, no entanto deparei-me nas minhas pesquisas com o seguinte documento:

asenhoragonia.jpg

A tradução actualizando a ortografia será:

"Manuel Barata, tem um olival onde se chama a Pedreira, que renderá meio alqueire de azeite e mais oliveiras que tem dispersas, renderão meio alqueire de azeite, tem mais uma courela de souto aonde chamam os Comboros no sítio do Vale Serrão que renderão cada ano, três alqueires de castanha tem mais uma horta na Ribeira da Póvoa, que renderá um alqueire de milho de cuja quantia abatidos dois quartilhos de azeite, que paga a CONFRARIA DO SENHOR DA AGONIA, e a metade para as culturas vem a décima de trinta e quatro réis."

A novidade está na referência a outra confraria, confesso, nunca havido encontrado referencia até agora.

O Senhor da Agonia, orago da capela da quinta da Feteira, terá sido artimanha, para fugir ao pagamento de décima ao Estado, e dar mais dinheiro ao "senhorio" com a justificação de ser para o santo, aproveitando as disposições legais nesse sentido? Talvez.

No documento lemos "Pedreira", esclareço: sitio junto a aldeia velha, na Vila,  a caminho da ermida de Santo António. O Vale Serrão,ficava ao cimo de Vale Covo , arrabalde da vila, e Ribeira da Póvoa  local no caminho da aldeia da Póvoa pertencente à freguesia da sede Concelho.

Há sempre novas achegas, para melhor conhecermos  história da nossa terra, esta uma delas  ainda  por cima: enigmática!

22.Out.19

A PRAÇA DA PAMPILHOSA DA SERRA EM 1911 - OUTRA PERSPECTIVA

Júlio Cortez Fernandes

Como adenda do apontamento publicado neste espaço, deixo mais um valioso contributo de Belisário Pimenta através das fotos, obtidas durante estadia na Pampilhosa no longínquo ano de1911.

Esta imagem complementa e ajuda a conhecer melhor a envolvente da Praça, juntei as imagens deste modo para podermos ajuizar com probidade, o aspecto do local público mais importante da terra, tanto do ponto administrativo, como social e simbólico.

Não resta duvida naquela época o atraso material da Vila, deveria ser confrangedor quando comparado com idênticas sedes de Concelho de Portugal.

Na foto da esquerda vemos em primeiro plano, a casa no inicio da então baptizada - Rua 5 de Outubro que ligava a Praça ao sitio do Barreiro. A construção primitiva seria demolida mais tarde,  em seu lugar surgiria  estabelecimento, que deu brado no burgo, a "loja nova" assim designada pelo povo dado aspecto moderno e "avançado"  quando abriu ao publico.

Actualmente neste local funciona o serviço de Finanças do concelho de Pampilhosa da Serra.

Nesta imagem prende a nossa atenção, o ajuntamento dos assistentes ao comício Republicano, devido à indumentária escura que todos exibiam, davam ao conjunto tom tristonho e paupérrimo. 

Torno afirmar: Belisário Pimenta, com estas imagens proporciona mais informação acerca da Pampilhosa que qualquer livro com muitas páginas. Bem haja  tão ilustre visitante da nossa terra!

acoreto.png

 

19.Out.19

OS "POÇOS" NA RIBEIRA DENTRO DA VILA

Júlio Cortez Fernandes

A época "balnear" da malta da Vila, começava em dia de Santo António se não houvesse "guieira" e o  calor do sol convidasse a um mergulho.

Para os menos informados, relembro  que "guieira" é vento forte e frio vindo  da serra da Amarela, quadrante norte, e que provoca ondas na superfície das águas da ribeira, arrefecendo ainda mais o liquido elemento.

Havia três "poços" ou "pegos" frequentados pelo maralhal, a saber:

 - O poço do Moinho ou do "munho " no linguarejar "pampilhoês", que ficava junto ao caneiro ou açude, ainda hoje visível, acima do antigo lagar de azeite de cima ou de São Sebastião.

- Outro a seguir ao lagar de baixo igualmente de azeite, na curva da ribeira, antes do chão da Senhora Elvira Nunes, nas Fontainhas, o poço de São Pedro.

- O poço de Santo António, antes do passadouro para a resineira onde ficavam lavadouros das mulheres residentes na Aldeia Velha e Calvário. 

Os do Moinho e Santo António, resistiram mais que o de São Pedro. A rapaziada moradora além da ponte, no largo mercado, rua do perrinho e cabecinho, costumavam nadar em São Pedro. No entanto,  a laboração do açougue municipal, construido no cabecinho, na rua de acesso ao lagar, ditou  fim da função nadadora do poço. Quem matava as reses mandava as tripas para ribeira ou lavavam ali as miudezas das entranhas fétidas dos suínos. Uma porcaria, no Verão com caudal da ribeira reduzido, como dará para imaginar era uma imundice!

Quem devia fiscalizar, não cumpria esse dever, assim poço de São Pedro e as lavadeiras junto ao moinho do cabecinho, desapareceram. Acrescentar a tudo aquilo, antes de existência da estação de tratamento, na Ponte de Moninho, os esgotos domésticos, cada dia mais caudalosos escorriam directamente para a Ribeira, por via disso o poço de Santo António um pouco mais tarde também  "fechou", resistiu até à realização da praia fluvial, unicamente o poço do Moinho.

Quanto a praia  é preciso aumentar  caudal da Ribeira, na ocasião das festas,  gente a mais e talvez nem todos tenham consciência ser indispensável respeitar elementares regras de higiene, para garantir qualidade da água.

O exemplo dos "poços" de São Pedro e Santo António deve servir de reflexão. Fico por aqui ,  não quero "meter mais água".

Foto do poço do "munho" em todo esplendor.

Poço.png

 

 

18.Out.19

A VARANDA ONDE TERIA SIDO FEITA PROCLAMAÇÃO

Júlio Cortez Fernandes

Lembro ter lido ou ter ouvido alguém afirmar que da varanda dos Paços do Concelho de Pampilhosa da Serra, teria sido feita a proclamação da República.

Posso afirmar no entanto, agora com conhecimento de causa que em 1911, o edifício não estava adornado com a varanda existente sobre a lápide memorial da história resumida do burgo. Em 1940 o varandim já aparece na fotografia:

Largo da Fonte (1).jpg

Caso para pedir: "descubra a diferença em ambas imagens?!". Se proclamada de algum sitio implantação Republica de certeza não proclamaram da varanda, pela razão simples, de que em 1911, repito não existir qualquer construção na fachada da Casa da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra.

16.Out.19

CENTRO DA VILA DE PAMPILHOSA DA SERRA: 1911.

Júlio Cortez Fernandes

Belisário Pimenta: militar, político republicano, historiador, colaborador artístico do jornal Diário de Lisboa e oriundo de Miranda do Corvo, nasceu em Coimbra 1879 e faleceu 1969, em Lisboa. Esteve em Pampilhosa da Serra, e assistiu a comício republicano, realizado em 1911, com  participação  de Jaime Cortesão. Da sua passagem pela vila, deixou valioso escrito com informações interessantes sobre a região. Através da sua objectiva, obteve fotos da Vila, hoje guardadas no Arquivo da Universidade de Coimbra, um conjunto de documentos relevantes para conhecer o aspecto do burgo, no final da Monarquia.

Esta é uma preciosidade.

apimenta iii.jpg

A "leitura" da imagem, proporciona informação rara para conhecer a vila de "antanho". A foto da Praça, largo principal da terra, foi obtida a partir do sitio onde funcionou  "ensaio" da filarmónica Pampilhosense.

Em primeiro plano vemos um carro de bois carregado, estacionado na via publica, a esquerda da foto na parte de parede da casa mais importante da Vila, ao tempo propriedade dos "senhores" da Quinta da Feiteira, a parede esquina para a Rua do Pedregal, nem sequer estava caiada! O prédio pertence agora a família Nunes Barata. Em frente a casa hoje dos "Afonsos" ainda sem o andar alto, ao lado onde na minha infância estava loja da Ti América, esposa do Ti Zé Morgado no seguimento  casa dos "Alexandre" ricos comerciantes no Chiado em Lisboa,  donos da casa comercial com seu nome na Rua Garrett. Em frente ao edifício da Câmara Municipal, o palco para o evento político.

A Rua do Ribeiro estava separada da Praça, pelo edifício de dois pisos caiado, onde inicialmente funcionou estação telegrafo postal, curiosamente, chefiada por um antepassado de um actual arbitro de futebol, esta construção seria demolida na década de 1920.

Por detrás do edifício dos Paços do Concelho, é visível a frontaria da Igreja Matriz em 1911, a  torre da Igreja ainda não havia sido construida.

Como pano de fundo a encosta da Boavista, no cimo da colina  das Carrascas, onde em 1932 se edificou a escola primária, os tufos arbóreos mais escuros, são restos de castanheiros ao tempo em declínio por culpa da "malina". Como se pode verificar o pinhal em 1911, ainda não era praga que depois se transformou, nesta altura pinheiros em volta vila seriam  escassos.

O vestuário de homens e mulheres, escuro e sombrio como aspecto do casario da Vila acentuavam ar miserável do burgo, por esta altura uma das mais pobres, abandonadas e longínquas vilas de Portugal.

Posso afirmar neste caso a verdade mil vezes repetida: "UMA IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS".

07.Out.19

SANTA ANA E SUA CAPELA NA " SOALHEIRA "

Júlio Cortez Fernandes

A povoação dos Lobatos,aldeia na freguesia e concelho de Pampilhosa da Serra, foi antigamente, única a possuir capela,  onde afluíam habitantes das povoações vizinhas de Lobatinhos, Signo - Samo, e Sobral Magno, sobral grande , devido as gigantescas sobreiras nele cresciam,  por corrupetela, deu... Sobral Magro.

Todas estas localidades,situadas em encosta da montanha ensolarada , virada ao Sul, eram conhecidas pelos " povos " da Soalheira.

Quando em criança fui pela primeira vez aos Lobatos, lembro ter visitado a capela de Santa Ana, edificada no " fundo " da aldeia, edifício ao tempo alindado com acolhedor alpendre, derrubado quando reconstruiram a centenária capelinha , na década 80 do século XX. 

No interior somente existia uma imagem, a  da Santa. Da capela partia caminho atravessando denso esteval, até aos Lobatinhos. Recordo ter passado por aí quando visitei , Ti Ana moradora naquela aldeia e  viúva de irmão  da nossa  avó Emília; a casa tinha escadaria de pedra para acesso ao primeiro andar, onde a senhora de luto carregado me esperava sentada num banquinho de madeira.Foi muito carinhosa para comigo, nunca mais esqueci o momento.

A entrada dos Lobatinhos ficava fonte de chafurdo,com aspecto sombrio, e agua escura; só mais tarde tomei consciência do perigo devia representar para a saúde pública. Quem sabe os moradores nos Lobatinhos , não teriam protecção divina por intermédio de Santa Ana ?!.

A primitiva capela , confrontava a nascente com herdeiros  de José Garcia,poente com Manuel Fernandes, norte Francisco Antunes, e a sul igualmente  Manuel Fernandes.Cito como curiosidade, talvez interesse alguém tal pormenor.

Pronto quedo-me por aqui. Deixo imagem da " orada " actual

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