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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

27.Set.19

CAPELA DA " LOMBA DA BARCA "

Júlio Cortez Fernandes

Na extrema da freguesia de Nossa Senhora do Pranto, da Vila de Pampilhosa da Serra, pouco arriba na encosta sul do Cabeço da Urra, ao fundo de Vale Serrão, margem direita do Rio Zêzere, situa-se aldeia  hoje conhecida por , Lomba do Barco; no entanto, durante dilatado tempo referida com topónimo do titulo.

Mais apropriado, porque na região nos locais onde se fazia  travessia dos cursos de água por meio de embarcação, esta era barca, e não  barco.

Adiante ! esta aldeia era morada de barqueiros  durante séculos garantiram  ligação das terras da Pampilhosa com as de Álvaro , no vizinho concelho de Oleiros.Fronteira não só administrativa, também eclesiástica, antigamente Pampilhosa pertencia ao Bispado da Guarda, Oleiros ao Priorado do Crato, e Ordem de Malta.

Profissão difícil,durante  inverno enfrentavam   bravio  e caudaloso curso do rio, não poucas ocasiões as embarcações arrastadas pela corrente naufragavam perecendo os passageiros.

Nessa ocasião as preces eram para que Nossa Senhora permitisse resgatar sãos e salvos dos náufragos.

Lembro, resgatar entre  outros significados, quer dizer , recuperar, retomar, salvar ainda hoje quando alguém é salvo no mar ou rio , dizemos foi " resgatado ", por esse motivo habitantes da aldeia escolheram como padroeira, Nossa Senhora do Resgate, edificando há mais de cem anos;  capela em sua honra.

 Templo com alpendre e adro, construido em terrenos cedidos, talvez , pela família do padre César Domingos, orada confrontava por todos lados com propriedade daquele clérigo. Na década de 1980, apresentava aspecto decrépito  sendo recuperado graças  iniciativa da Comissão de Melhoramentos da Lomba do Barco.

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23.Set.19

CAPELA DA ALDEIA DO SOBRAL DE CIMA

Júlio Cortez Fernandes

Sobral de Cima, aldeia da freguesia de Pampilhosa da Serra, situada airosamente no cimo de um monte, altitude 570 metros, onde se abarca grandioso panorama , dispõe de capelinha, centenária, dedicada ao Divino Senhor da Serra.

No ano da implantação da Republica em Portugal 1910, capela com alpendre e adro; confinava a nascente com propriedade de Pedro Ramos, a poente e sul com  via publica, a norte com José Alexandre, refiro este pormenores, por considerar curioso,  eventualmente interessantes para  " Sobral de Cima " onde habitam algumas pessoas amigas.

A construção do templo, porventura, no final do século XVIII,  restaurada da década de 1980, pela colectividade regionalista da aldeia;ficou dever-se a expansão do culto do Divino Senhor da serra, que se venera no antigo mosteiro de Semide, concelho de Miranda do Corvo, cuja romaria frequentada durante séculos por inúmeros habitantes do concelho de Pampilhosa da Serra, considerada a maior peregrinação de Portugal , antes de surgir  Santuário de Fátima

 Sobral de Cima , fica no cruzamento de antigos caminhos de acesso a vila antes da abertura da estrada nacional, Pampilhosa a Coimbra nos anos 1930.

Aqui se juntavam romeiros, de todo alto concelho Pampilhosense ,afim de em conjunto a pé por caminhos da montanha rumarem ao Santuário de Semide.

Na interior da capela além da imagem do padroeiro , existiu, não sei se ainda, existirá, outra de Nossa Senhora do Rosário.

A foto da orada é de 1990. 

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20.Set.19

A CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO

Júlio Cortez Fernandes

A capela da evoção do mártir São Sebastião, é referencia  do património religioso da Vila de Pampilhosa da Serra, a construção do templo é anterior ao cemitério paroquial, contiguo. O campo santo onde repousam restos mortais de gerações de naturais da freguesia de Nossa Senhora do Pranto, tem data 1863.A orada é mais antiga.

Já encontrei documentos de 1763, onde se refere lagar " sito a São Sebastião ", mesmo  não existisse a capela, o topónimo já seria conhecido.

 São Sebastião é popular entre os pampilhosenses, quando era criança recordo  cantilena que todos entoavam " Sebastião come tudo come tudo sem colher e por cima inda bate na mulher".O Santo nada tinha haver com isto, mesmo assim,  santa criatura não se livrava ser associado a lenga-lenga .
Os patrícios do tempo de criança, talvez se lembrem da minha, propensão para " pregar sermões " alguns para gáudio dos " ouvintes ". pouco apropriados, lembro  saudoso , Ti Alberto, moleiro do moinho, junto do lagar de São Sebastião onde meus queridos avô,João Carloto. pai António Carloto , e tio José Carloto foram sucessivamente, lagareiros. Dizia o Ti Alberto,de feitio folgazão ensinou-me tirada acerca de São Sebastião
 eu repetia , empoleirado no monte das ceiras vazias no canto do lagar, Não vou aqui citar; sou devoto do Santo Ele não merece  volte a dizer  bacorada dum fedelho de 6 anos " pregada " sem saber bem o que fazia...

A capela de São Sebastião existente é diferente da pobre e pequena capelinha,  durante séculos, serviu para o bodo dado no dia do Santo a 20 de Janeiro. 

No interior só existia e existe a imagem do Santo Patrono, No muro do cemitério ao lado da capela existe um painel de azulejo em memória das almas do purgatório

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Sabemos  o Rei de Portugal Dom Sebastião I, ordenou  em todas as vilas do reino a entrada ou saída das mesmas se levantassem ermidas em honra do Santo seu homónimo; no século XVI,deve ser nessa a centúria quando se construiu a capela da Pampilhosa.Fico por aqui, não esquecendo  prece dos nossos antepassasdos  pediam " São Sebastião nos livre de fomes pestes e guerras ". Que assim seja.

 

16.Set.19

A FIGUEIRA DO PASSAL DO PADRE

Júlio Cortez Fernandes

Na Pampilhosa da nossa meninice faziam parte do quotidiano, árvores grandiosas de várias espécies, tal qual o " pau-ferro " no adro da igreja, o belo plátano do Canadá, plantado . perto da porta lateral de entrada da capela da Misericórdia, e cujo grosso caule servia de esconderijo , quando a malta brincava as " escondidas".

Lembro os cedros da entrada do Cemitério,nem sei se ainda existem , o castanheiro a sombra onde reuniam depois da festa do 15 de Agosto, os elementos da comissão , para confraternizarem animadamente.

As sobreiras da vinha, no sitio do antigo Hospital Concelhio, a nogueira do barroco da aldeia Velha, e outras que não citarei.

Com grande satisfação " descobri " bela e centenária figueira,mesmo debaixo do nariz, não fazia ideia da sua idade,

Vejam lá a figueira, junto a ponte, sobre a ribeira, frente ao adro, no antigo, passal do Pároco da Vila, já existia em 1911,conforme atesta documento abaixo, parciamente mostrado

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Actualmente está na posse do Município, apresenta  caule de robustez e diâmetro notáveis.Partilho com os amigos a alegria do " investigador "  quando encontra algo de interessante.

Aqui fica  figueira, foi do Pároco desde  agora também  a  do " Júlio Cortez ", porque   " revelou " a " velhinha " . Desculpem a imodéstia, no fim do trabalho também se brinca.

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09.Set.19

CAPELA SÃO JERÓNIMO - VILA PAMPILHOSA DA SERRA

Júlio Cortez Fernandes

O culto de São Jerónimo,caracterizava-se pela observância dos ideais do isolamento, e contemplação propícios a rezar com espiritualidade, conforme pregava o Santo. Os sítios destinados a venerar Jesus Cristo,de acordo com ideal " Jerónimiano " deviam ser ermos.

Também aconteceu na Pampilhosa, capela construida em época difícil determinar, talvez, inicialmente,  humilde ermitério, onde habitava  ermitão responsável pelas orações e penitencias, ficava num ermo fora da " Vila "

No fim do século XVIII, o Padre António Silva,possuía olival em São Jerónimo,no entanto não significa a capela existisse. Quando da implantação da República em 1910, apurei: a capela , com o adro, confinava em todos os lados com os " drs, Silvas " , herdeiros daquele clérigo.

Na capela só existe a imagem, do Santo.A capela construção humilde  ameaçava ruína, aquela hoje podemos contemplar foi reconstruida nos anos 1980.

A festa do Santo realizava-se, tanto quanto recordo, no mês de Setembro, para a " malta " dos bairros: vila , barreiro, calvário e aldeia velha, São Jerónimo era  " festa " daqueles que moravam na margem direita da ribeira que atravessa a Pampilhosa , os " do outro lado ".

Comissão de festas  quase sempre ," comandada  " pelos senhores Hermano e Aníbal, coadjuvados entre outros por ti Ambrósio e Ti Zé Morgado.

No  " outro lado " viviam alguns dos músicos da filarmónica da Terra ,a festa de São Jerónimo, incluía sempre alvorada com a " música " e procissão normalmente muito concorrida, acompanhada, igualmente, da filarmónica; trajecto do cortejo, com a imagem de volta a capelinha, fazia-se percorrendo, cima da ponte,rua Rangel de lima, frente a " carvoeira "; na esquina da casa de Eduardo Carlos, tomava caminho pedregoso e poeirento até a capela. Com calor era obra porque ser tudo empinado,no entanto  regresso  muito agradável; para baixo todos Santos ajudam , São Jerónimo não fugia a regra.

Foto da ermida observada do " outro lado "  

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04.Set.19

EVOCANDO FIGURA GRADA NA PAMPILHOSA DA NOSSA INFÂNCIA

Júlio Cortez Fernandes

Certas ocasiões , sem fazer por isso acontecem coisas  trazem a memória factos que pensava definitivamente esquecidos. Parece mentira.

Há para ai uma semana, remexendo papeis que já comecei a destruir, porque há um fim para tudo. Num numero do Jornal da Comarca de Arganil de 1989, no obituário li noticia que refrescou as minhas lembranças.

Devia ser nos inicio da década 1950.tempo de brincadeiras e travessuras; quando permanecia em Vale Covo, sempre surgia no negrume da paisagem,  nuvem de pó  na estrada das  Aldeias, para os lados do " rencão e redondel " já sabia era o jeep do Jaime do Preles.

De facto Jaime Augusto Santos, conhecido popularmente por Jaime do Preles, dado ser natural da quinta daquele nome, mas já morador na Aldeia Fundeira.

Homem rico e influente,deslocava-se quando permanecia na Pampilhosa, num moderno jeep de  conhecida marca inglesa.Veiculo rápido confortável moderno e espaçoso, via passar muitas vezes junto a minha casa na rua do Calvário, e também começar a fazer poeirada, assim curvava  na Cerejeira do Ti Luciano, onde acabava a calçada das ruas da Vila.

Era fervoroso adepto da situação política da altura até  conseguiu estação de correios para a Aldeia Fundeira,  para abertura ao publico da qual, vieram de fora moças vistosas que fizeram descarrilar alguns alunos do seminário, por via disso mandaram  sonho sacerdotal, dar uma volta.

Parece o Senhor Jaime teria ambições políticas, com outros empresários naturais da região tiveram um dia a quimérica ideia de tentarem restaurar o extinto concelho de Alvares.

Deixo isso de lado e retomo, a ideia inicial,Um dia o Jeep estava estacionado na Praça da Vila da Pampilhosa, junto ao antigo bebedouro dos bois , que existiu em frente onde são hoje  WC publicos.O senhor Jaime estaria no edifício camarário a tratar de burocracias. Eramos três mariolas,  para o que nos havia dar, com um pauzito de fosforo, retirada a carrapeta, vazamos ar a dois dos pneus do " bólide ".Retiramos do local e escolhemos observatório, para gozarmos a chegada do condutor e reacção que teria ao constatar a " patifaria ". Assim foi, furioso  procurando tentar ver  quem pudesse ter sido  autor da " façanha ", não viu ninguém , retirou da mala traseira do jeep bomba de ar com pedal, e toca de encher os pneus; nós a gozar o momento.Resolvido o problema arrancou  assim que desapareceu na esquina da casa do ensaio da musica , aparecemos , ficamos caladinhos como o " tónho ".

Descobri, o senhor Jaime Augusto dos Santos, faleceu há precisamente 30 anos, em Lisboa , na sua casa na avenida de Roma, com 76 anos de idade.O funeral realizou-se dia 23 de Maio da Igreja de São João de Brito, em Alvalade para  cemitério do Alto de São João com elevado acompanhamento; não deixou descendência.

Evoco aqui memória de benemérito e pessoa interessada nos problemas das gentes serranas, e para mitigar a minha participação na maldade pneumática,lembro a circunstancia de ter sido figura grada da sociedade do seu tempo; se mais não houver eu não o esqueci.

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