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aguadouro

Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

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Pampilhosa da Serra - Roteiro dum "futrica"

28.Ago.19

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO

Júlio Cortez Fernandes

Na vila de Pampilhosa da Serra, culto de Santo António é antigo e muito arreigado nos costumes do povo. A capela antoniana está situada, no sítio  antes designado " eira de Santo António " ; sendo local ensolarado, chegado  tempo de " secar " o milho no Outono, a gente da " aldeia velha " estendia sobre mantas e panos  cereal,  proporcionando a " eira " aspecto  multi colorido, dava gosto observar .

Antes de na década de 1930, terem mudado  feriado municipal para 10 de Abril, celebrava-se em dia de Santo António.

Nos idos da nossa infância, entrando o mês de Junho esperava ansioso o fim da tarde para ouvir toque da sineta da capela, convidando  fiéis rezarem a " trezena " , conjunto de orações que se rezam nos treze dias antes da festa.Normalmente, rezam-se novenas, Santo António é especial  tem " direito " a uma trezena .

A capela de Santo António é do século XVII,  enraizamento do culto antoniano na Vila , deve-se acção de frades de Santa Cruz de Coimbra, donos do rendimento da igreja matriz, e dos  Bispos da Guarda, igualmente, fervorosos antonianos.

Exemplo da tradição e enraizamento do culto ao Santo ,são os milhares Pampilhosenses  no baptismo passaram chamar-se " António ".

A festa 13 de Junho era motivo de grandes bailaricos, leilões de oferendas e toque da " música ". A procissão da Igreja para a capela onde retornava a imagem do santo , imponente , e concorrida, diversas ocasiões , a cabeça estava na " eira "  ainda havia gente a sair da matriz.

A capela com  adro e alpendre , é única no roteiro sacro da terra.Alberga sómente uma  imagem a do Santo; tem aspecto cuidado,  " Antónios " da Pampilhosa continuam  " estimar " a morada do Santo homónimo.

Ainda hoje, apesar das " malfeitorias " urbanísticas capela de Santo António e  envolvente são dos locais mais aprazíveis da " velhinha " Pampilhosa

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Vista a partir alpendre da capela.

21.Ago.19

CAPELAS CENTENÁRIAS DA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DO PRANTO DA PAMPILHOSA

Júlio Cortez Fernandes

Quase todas as aldeias do concelho e freguesia de Pampilhosa da Serra, dispõem de capela. onde digna e condignamente se abriga o padroeiro.

Irei peregrinar pela aldeias,em busca das capelinhas singelas,morada de santos e santas , a quem o povo serrano devotava e talvez ainda devote sincera fé.Para não ser fastidioso,vou lembrar somente  capelas que existem há mais de um século.

Começo pela aldeia do Sobral de Baixo, terra onde nasceu o nosso bisavó paterno, José Fernandes, conhecido no seu tempo por Zé do Sobral, casou com Carlota Maria, natural da Vila,  casal deu inicio a nossa família " Carloto " ou " Carlota ",  sobejamente conhecida na região Pampilhosense.

A padroeira do Sobral de Baixo ,  Nossa Senhora de Nazaré, cuja capela quando  construida no primórdio do século XX, confinava de todos os lados com a via pública, foi erigida em terrenos do povo.

Relacionado com a festa que se realizava antigamente , a 18 Dezembro, fui protagonista de um episódio,curioso, tal foi : 

Regressava da horta, em Vale Covo , arrabalde da Vila, na companhia de nossa saudosa mãe, e outros vizinhos, precisamente, num 18 do ultimo mês do ano, dia do meu aniversário. Por altura do sitio denominado Bacelo, os caminhantes, fomos surpreendidos pelo estralejar de foguetes, lançados para os céus do Sobral de Baixo, mesmo na nossa frente no outro lado do vale.A minha reacção imediata: " oh dos do Sobral, mandem-me uma filhós, na ponta de um foguete hoje faço anos ". Risada geral,  nunca mais esquecida a minha " tirada ".

Não sei ainda será assim, na capela do Sobral de Baixo,  havia só uma imagem, a da padroeira.A festa, actualmente , decorre no Verão.Nossa Senhora da Nazaré nos proteja; curiosamente a freguesia onde moro há quase meio século, é  da evocação de Nossa Senhora de Belém, tudo relacionado com a quadra natalícia. A vida tem destes encantos. 

21.Ago.19

AMIZADES ALDEÃS

Júlio Cortez Fernandes

A ideia que habitantes das serranias do Concelho de Pampilhosa da Serra, nutriam sincera amizade uns pelos outros , é uma convicção lendária sem fundamento.

No recuado tempo do inicio da debandada em busca de melhor vida, o bom relacionamento dos serranos confinava-se a povoação onde residiam.Os conflitos entre aldeias ou entre estas e os da Vila, eram frequentes e quase sempre levavam a vias de facto. 

Comigo passou episódio com mais de 60 anos: quando acompanhei avó materna a casamento de um familiar , na Aldeia Cimeira, uma das do " termo " da Pampilhosa, vi um grupo de miúdos para a minha idade que brincavam num olival ao fundo povo, conhecido por " Ramalhão ", aproximei-me para  integrar no grupo; qual que ! antes que chegasse , começaram atirar com pedras, como se  dizia então " a correr-me a rebolada ", com  rapidez de  galgo voltei para casa dos parentes,  fui informado por não ser conhecido não me queriam para companhia.

Não guardo rancor nenhum , penso nunca mais vi qualquer dos " reboleiros ",fiquei com  certeza amigos de  fora, aqui , não havia,

Mais tarde apurei nos bailaricos quem fosse de outra terra e pretendesse dançar com uma moça da  aldeia  era corrido " a marrada " isto é a cabeçada pelos rapazes do povoado. Ficaram celebres " batalhas " entre os habitantes " cimeiros " e " fundeiros " e de aldeias confinantes por causa da roça de mato, ou pasto das cabras.

Felizmente, agora tempos são outros; no entanto, pelo sim pelo não cada aldeia construiu a sua casa de convívio . Enfim, " tão amigos que eles eram " foi expressão, nada mais

 

09.Ago.19

MISTÉRIO DO ORAGO, ALDEIA DECABELOS- FREGUESIA PAMPILHOSA DA SERRA

Júlio Cortez Fernandes

Visitante regular da aldeia " titulo " deste post, deparei com particularidades interessantes  do lugarejo.

Acerca da sua fundação e origem do nome escrevi o suficiente para ter esclarecido essa temática. Os impulsionadores do povoamento , foram  Jesuítas. A Companhia quando ficou dona e senhora do Colégio da Sapiência de Coimbra , " despachou " para as altas serranias. os frades Crúzios, pobres, dotados para os trabalhos agrícolas. Monges de " capelo " deram inicio a aldeia dos DECAPELO, por adulteração oral deu a designação actual.

Os Jesuítas convictos, a forma mais adequada para o domínio é o ensino , fundaram vários colégios , um dos quais junto a ermida de Nossa Senhora da Lapa, na serra do mesmo nome ,perto da nascente do Rio Vouga, actualmente concelho de Sernancelhe , distrito de Viseu.

Na ultima metade do século XVII, inicio do XVIII,difundiram o culto a Nossa Senhora da Lapa por todo Portugal e Brasil.

Não admira, tenham feito o mesmo em Decabelos, a data 1677 encontrada inscrita na pedra, durante a recente restauração da Capela da aldeia, prova isso.A padroeira ou orago ficou a ser Nossa Senhora da Lapa, de acordo com o arrolamento dos bens da paróquia da Pampilhosa da Serra, em 1911 .

Curiosamente, sempre me disseram  a patrona da aldeia seria Nossa Senhora das Neves; agora reabriu a capelinha, refeita dos malefícios da grande ucha de 2017, vi escrito na noticia " Senhora das Neves ".Afinal foi alterado o nome do orago porquê ? Em que ano ?. Quem mandou ?

Gostaria de obter resposta, caso contrário, temos  rectificar e voltar a " pureza " inicial. Para mim e baseado nas pesquisas, será sempre NOSSA SENHORA DA LAPA , designação única no concelho , e toque de " fineza " aristocrática , tão peculiar nos Jesuítas. Deixo a " prova " 

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