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aguadouro

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25.Fev.19

AQUI LISBOA TRANSMITE EMISSORA NACIONAL: ALÔ VILA DA PAMPILHOSA

Não sei, talvez no inicío seria assim, no entanto no longínquo mês de Setembro do ano da graça 1934, o quotidiano  ronceiro e tranquilo dos habitantes da Vila, foi subitamente "perturbado" com surgimento de uma novíssima "atracção": chegada do primeiro aparelho de TSF.

A Emissora Nacional (EN) considerada pelo regime, instrumento necessário para consolidação da nova ordem política corporativa e anti-parlamentarista, teve como grande impulsionador, o capitão Henrique Galvão, que tempo mais tarde se tornaria  feroz adversário do Professor Oliveira Salazar.

O inicio das emissões regulares da EN verificou-se em Maio de 1934,  a estação pertencia então aos Correios e Telégrafos e Telecomunicações  CTT: 

Um ilustre e conhecido pampilhosense, Aipo Nunes Barata, irmão de Cipriano e José Augusto Nunes Barata desempenhava, naquele tempo a função de chefe da estação dos correios da Vila da Lousã. Amigo da sua terra, utilizando influencia inerente ao cargo conseguiu colocar na Pampilhosa  aparelho de TSF, na estação telegráfica e postal da vila ao tempo situada a Praça Barão de Louredo, simplesmente Praça, como era conhecida pelos habitantes do burgo.

O novíssimo aparelho, foi instalado de modo a ser escutado no exterior. O acontecimento causou brado e  espanto: ouvir discursos, belas músicas, canções e quem havia de supor... tudo de borla.

A grande alegria chegava no final do dia quando as pessoas regressavam das hortas, ao passarem pela Praça ficavam estupefactos, e quedavam horas esquecidas apreciar os "dizeres" daquela maravilha. A pequena multidão reunia-se diariamente,  não fora  "telefonia" ter chegado na época da colheita do milho e das vindimas a assistência teria sido mais numerosa.

As noticias começaram a chegar a Pampilhosa a tempo e horas ou tal qual se dizia "fresquinhas como alfaces". Enfim facto memorável na história da Vila, cujo 85º aniversário aqui assinalo.

 

07.Fev.19

DESAVENÇAS FAMILIARES - UMA DAS CAUSAS DECADÊNCIA DA VILA

O lento e progressivo declinio económico social e político das terras das serranias da Pampilhosa, teve inicio no final do século XVII, e acentuou-se com as guerras civis da primeira metade de 1800, e lutas políticas do liberalismo.

Na ultima década de setecentos nasceu na vila Francisco Caetano das Neves e Castro , filho do Sargento- mor Francisco Caetano das Neves.O jovem Francisco estudou em Coimbra,num colégio de religiosos.Ambicioso, protegido pela fortuna e poder paterno,seria nomeado , Juiz ordinário da Câmara da Pampilhosa.Seguindo  estratégia  da burguesia rural da época, " arranjou " casamento , com uma irmã, do Pároco na Matriz, Pampilhosa , D. Manuel Queixada homem rico pertencente  pequena  fidalguia beiroa ferrenho absolutista ,natural de Travanca de São Tomé , Oliveira do Conde,  no actual concelho de Carregal do Sal. A futura esposa de  seu nome ,Dona Bernardina Rita Queixada muito mais velha, iria dar-lhe um filho. aliás único ,  poucos anos depois , viria  falecer.O filho com o mesmo nome do progenitor , passou a viver com os avós maternos  e tio sacerdote em Travanca.

Francisco Caetano, voltaria a casar com Emília Antónia , natural do Fundão, oriunda de família abastada. O casal gerou numerosa prole.

Voltando ao primogénito ,cresceu em Oliveira do Conde , e Fornos da Algodres,localidade onde viria  contrair matrimónio com Dona Maria Lutegarda Costa Cabral, irmã de Costa Cabral activo e influente político do liberalismo, favorito da Rainha Dona Maria II,  presidente do ministério.Esta " aliança " matrimonial , iria possibilitar a Francisco Caetano  das Neves e Castro ( Senior ),ser deputado nas das eleições realizadas em 1845 " caciquadas " por Costa Cabral, que como sabemos , fez eleger , deputados o pai e irmão, e pelos vistos o seu " compadre " A partir este acto eleitoral fraudulento,surgiu no léxico  termo " compadrio". O novel cunhado de Costa Cabral, passou a Francisco Caetano das Neves e Castro ( Júnior ), para evitar confusão.

Antes do casamento assinava " Francisco Caetano das Neves Queixada ". Este último apelido  muito conotado com a facção miguelista,  por isso inaceitável para família Costa Cabral.

O período conturbado 1844-1847,com alterações frequentes da ordem pública e , guerra da Patuleia,provocou profundas clivagens na sociedade da Pampilhosa. Os Neves e Castro, dividiram-se nas opções políticas e ideológicas, alguns aderiram a maçonaria liberal da qual Costa Cabral, foi grão -mestre; outros permaneceram católicos e absolutistas. Francisco Caetano das Neves e Castro ( júnior ),e Dona Lutegarda , tiveram vários filhos, naturais todos de Fornos de Algodres.As questiúnculas politicas , estiveram na origem do ramo  " Cabral das Neves".Como pode observar-se no monumento funerário, existente no cemitério da Pampilhosa onde foi sepultado ,  Neves e Castro (júnior).

Aproveito a ocasião para lembrar  cuidado com que devemos considerar , teor dos registos paroquiais, com muita frequencia estão errados. Neste caso está escrito  o defunto casado com Lutegarda da Costa Cabral , era filho de Emília Antónia, segunda mulher do seu pai, quando tal como demonstrei não é verdade.

Voltarei ao tema, desejo  os meus leitores gostem de conhecer algo que deu algum trabalho a coligir

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