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aguadouro

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04.Ago.18

PRIMEIRA FEIRA MENSAL APÓS ABERTURA DA ESTRADA VINDA DE COIMBRA

 A estrada nacional destinada  ligar a vila de Pampilhosa  a capital do distrito, Coimbra;esteve um século "especada " no sitio conhecido  "catraia do Farropo", a cerca de dez quilómetros de distancia.As peripécias que foram impedindo,  conclusão da via dariam  "romance".Em resumo a paragem no alto da serrania foi "castigo" do regime liberal,contra a pequena povoação onde somente ficou conhecido um adepto do liberalismo. A Pampilhosa qual aldeia do "asterix",albergava seguidores ferrenhos do Senhor D.Miguel,e da Santa Amada Igreja , vai daí a facção vencedora da guerra civil,esqueceu pura e simplesmente a terra ...

São contas de outro rosário talvez desfiadas mais tarde se tiver tempo e "pachorra".Hoje escrevo sobre a estrada e consequência da finalização.

Havia na Pampilhosa a convicção , abertura da estrada iria proporcionar prosperidade e vida melhor a todos.O contentamento foi  grande, a gratidão para quem contribuiu para realização da obra, um simples engenheiro director distrital de estradas, veria o seu nome atribuído a nova "rua " da Vila com aplauso e reconhecimento de todos.Ainda hoje lá está "Rua Rangel de Lima".

Quinta-Feira 11 de Fevereiro de 1932,realizou-se a primeira feira mensal , após finalização  da obra dando inicio a novo ciclo na história comercial do burgo.O dia apresentou-se frio e soalheiro, como costumam ser  dias de Inverno nas montanhas da Pampilhosa,afluíram muitos feirantes e caixeiros viajantes, se fizeram-se transportar em camionetas e automóveis, por todo lado ecoava o som das buzinas , procuravam lugares de estacionamento, enfim uma coisa nunca vista, a Pampilhosa parecia uma cidade. A oferta de produtos copiosa e diversificada, havia fartura de tudo.Milho, feijão outros legumes e produtos; na feira pela primeira vez, a oferta superava a procura.Assim houvesse dinheiro.

As gentes serranas verificavam, os seus rendimentos permitiam comprar pouco mais que quarteirão de sardinhas salgadas e amarelas.A feira terá sido contacto abrupto com outro mundo até ai desconhecido, dos pobres serranos, assim colocados de forma brutal perante  realidade de falta de dinheiro...A ilusão que  estrada seria  panaceia para os problemas económicos e sociais esfumou-se.

No final do dia já noite centenas de pessoas regressaram a pé as suaa  aldeias, pelos caminhos carreteiros nos quais no negrume da noite fria pontuava  brilho dos candeeiros.Quem sabe no retorno para os rústicos e desconfortáveis domicílios, muitos terão imaginado  para conseguirem  dinheiro, teriam de partir para outras paragens , onde fosse possível amealhar  pecúlio e singrar na vida.?

No dia seguinte caiu grande nevão cobrindo de neve cumes e barrocas, estendendo  gélido manto.Um frio de rachar tanto no corpo como na alma de centenas de patricios

Ironicamente,quando finalmente chegou a estrada,podiam "mercar" tudo na feira da Pampilhosa, "Assim houvesse dinheiro",perante a  escassez de "bago"  forçoso seria procurá-lo noutras paragens.  Êxodo começou. Até quando?

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02.Ago.18

ÚLTIMO CASTANHEIRO DA VILA DE PAMPILHOSA DA SERRA

Pertenço  geração quase a extinguir-se conheceu as montanhas cercanias da vila Pampilhosa da Serra, cobertas de soutos,na verdade a definhar, mas ainda com espécimes velhinhos produtores de muita castanha,alimento da festa mais genuína do povo serrano na época, "o magusto".

Nas deslocações amiúde vou fazendo a minha terra natal,verifico  desaparecimento quase completo dos castanheiros.O ultimo grande "fogo" de Outubro passado,queimou quase todos que restavam.Visitei há pouco Vale Covo,onde decorreu muito da infância,  constatei com grande mágoa,o castanheiro da barroca,ícone das lembranças da meninice, plantado pelo bisavô José Cortez em 1856,  cuidado com zelo e carinho pelo nosso avô materno Augusto Cortez,continua de pé  seco  mais negro que um tição... morto.

Perante o "quadro" vieram à memória, nomes que infantil ouvia e pronunciava,relativos a castanheiros.Castanheiros da Isidora, castanheiros do Manulito,castanheiros do Rencão , do Ribeiro da Maúnça, da Cavadinha, Vale castanheiro,Vale da Serra,fico por aqui para não ser exaustivo.

Recordo emblemático castanheiro da encosta de São Martinho, junto ao paiol dos Nunes, a sombra do qual no ultimo dia da festa de Agosto,  elementos da comissão dos festejos confraternizavam.Também desapareceu há muito.

Na quinta de São Martinho, lembro ter observado alguns, hoje queda unicamente um, viçoso e pujante, faço votos seja preservado, dure muito, ainda.Costumo contempla-lo do Caminho dos Bafões sempre que estou na Pampilhosa.Não conheço outro nas redondezas, no perímetro urbano,será o derradeiro,inspiradora árvore faz sinta saudade quando lombas e barrocas das nossas montanhas,se apresentavam  cobertas de soutos.Quem sabe não voltarão estar um dia ?,queira Deus!

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