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aguadouro

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17.Nov.17

ALMINHAS DE VALE CÔVO

Passou um mês do dia trágico do grande fogo, implacável e mortífero, jamais as serranias da Pampilhosa da Serra, foram sujeitas a tamanha "fornalha".

Quem não percorreu o território depois da tragédia, não faz ideia da grandeza da devastação. Infelizmente querida amiga de infância pereceu, não quero escrever acerca disso agora.

Nesta ocasião vem a lembrança as árvores de fruto, sobretudo as oliveiras ardidas. Quanto trabalho e suor para plantio enxerto de milhares, em chãs, patamares de "palmos de terra", sustidos por paredes de xisto, a vista dos quais, socalcos das vinha do Douro,... são quase nada.

Gerações de antepassados, mãos calejadas do frio, sol e das pedras, construiram obra, o fogo reduziu-a cinza, em minutos.

 Boguela e "sardanisca", sítios próximos da vila, eram manto de verde polvilhado por dezenas de oliveiras, muitas plantadas, enxertadas podadas, cuidadas com esmero pelo Ti João Carloto, nosso querido avô de saudosa memória. Não ficou nada. Se vier Inverno rigoroso, tudo será arrastado para a ribeira. Dor de alma...

Além disso tentei avistar as alminhas de Vale Covo arrabalde da Pampilhosa, mandadas construir pelos donos da quinta dos Silvas, cumprindo  promessa feita pelo sucesso de melindrosa operação cirúrgica,de um dos herdeiros da propriedade.

Considerava as alminhas, como sendo seu "dono", acompanhei. há cerca seis décadas,  a construção, trabalho de nosso tio António Casaca, sob direcção de Ti Serafim Gaspar, feitor da herdade.Eu morava em casa dos avós maternos situada no vale da outra margem da Ribeira, fronteiro ao local onde ficaram as alminhas,no cruzamento das estrada da vila, Sobral de Baixo e caminho para aldeia dos Covões. Era fácil chegar lá, gostava muito do meu tio e padrinho de "crisma", quando podia ia ao seu encontro.

Se o fogo deu cabo das alminhas então foi desgraça total. Gostaria saber de fonte segura se ainda lá ficaram, caso contrário seja quem seja o causador da "ucha" demoníaca, não terá perdão.

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03.Nov.17

UM MAR DE CHAMAS

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No tempo da meninice avó Emília, costumava contar-me uma história segundo a qual o mundo vai  acabar, num mar de chamas. Recordo agora  "lenda"a propósito do terrível incêndio de Outubro pasado, catastrófico e mortífero, assolou  concelho de Pampilhosa da Serra.

Resolvi de moto próprio percorrer a área ardida,só visto, muito se tem  falado "lume " de Pedrogão Grande Castanheira e Pera e Figueiró dos Vinhos.ressalvando, horrível perda de dezenas de vidas, não se compara  em extensão do que ardeu pelas serras e vales do alfoz da Pampilhosa.

Já fiz despedida em pensamento dos recantos que conheci e desapareceram.será possível  tornem a ser verdejantes , não será o mesmo.

Vale covo, boguela, sardanisca , vale trigo, vinhas da quinta botelheiras, maunça, vale pereiro,cabeça pequena, foz das videiras,chã do sobral,covanca,vale cortiços, barroco caldeiro , bacelo ,barroco calvário, ribeira da póvoa , feiteira,vale dos enxames, jardim , ribeira de Praçais , cadavoso , carvalhal do coira,vale da grima vale castanheiro,vale da fonte ereira,retorno,selada da madeira, corga do laranjo,monte frio, que sei eu.

Deixei para fecho, praia da cadela, onde em tempos idos habitou prostituta de nomeada, para significar  puta de situação que a tragédia deixou.

A vila de Pampilhosa da Serra,cercada pelas chamas,deve ter sido um quadro de terror vivido pelos meus queridos patrícios.Espero sincera e ansiosamente a reflorestação que urge iniciar seja efectuada a base de carvalhos castanheiros sobreiros e cerejeiras; o ciclo do pinhal se encerre.Levará tempo , Outono dentro de 10 ou vinte anos com a folhagem amarelecida dessas árvores proporcionará paisagens de beleza idílica que atrairá multidões para  admirar. O turismo será  fonte de riqueza para a terra,e vida melhor para os que ficarem ou retornem ao torrão natal.

O mar de chamas  "inundou" as serranias da Cordilheira Central de Portugal, para dar razão a nossa avó, tem de ser o fim de um "mundo" o qual está demonstrado, já não serve o concelho de Pampilhosa da Serra.