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Há um dia para tudo, hoje resolveram atribuir efeméride a sítios e património.Recordo a propósito  lugar próximo da vila da Pampilhosa, pouco adiante da quinta da Feteira,onde habitantes da aldeia da Póvoa possuíam fazendas ou hortas, como designamos por estas bandas  pequenas courelas de cultivo de " primores" agrícolas , destinados a consumo próprio: Vale da Maia,assim apelidado o rincão.Lembro  primeira vez lá passei , na beira do caminho poeirento ,vi  cruz de ferro,  CRUZ DO VALE DA MAIA,algumas vezes citada pelos saudosos defuntos  avô, paterno,Joâo Carloto, e meu pai, referencia e poiso de resineiros no tempo da servidão que caracterizou durante décadas  quotidiano da gente serrana.

Lugar emblemático,emoldurado pelas cumeadas da Toita e Decabelos.No século XIX , o Vale da Maia,seria habitado, próximo ficava outro casal,chamado o Escaldado, também desaparecido.

O topónimo,sempre alimentou fantasiosas definições, procurei saber  significado, diziam  Maia, estava relacionado com as antigas festas das maias , realizadas pelos pastores durante  mês de maio para assinalar  regresso dos rebanhos as pastagens das alturas da montanha, e pedir aos "deuses"  dádiva de  bom ano pastoril.

 Neste local pastores e rebanhos, juntavam-se antes de subirem as encostas onde  mato recente de urze e carqueja, a erva alpestre, eram prenuncio de fartura para o gado , e muito leite e queijo.Estas celebrações de origem pagã,foram "domesticadas" nos rituais cristãos, para o Vale da Maia,afluíam rebanhos e pastores da Vila da Pampilhosa , aldeias da Póvoa ,Decabelos, Pescansecos e também dos senhores do "morgadio da quinta da Feteira", com finalidade  serem benzidos,pelo pároco da freguesia, normalmente , dia de Santa Cruz, inicio de Maio.

Os rebanhos senhoriais ficavam nas terras do "morgadio", os do povo, subiam para os cumes onde terrenos baldios propriedade do concelho eram utilizados colectivamente.Não existindo no sitio capela;  onde o "prior" procedia a "bênção" dos animais , ficava assinalado com uma cruz, no principio  de "madeira"  posteriormente para garantir maior durabilidade, alçaram no topo de pequena colina no cruzamento de caminhos, cruz de ferro.Não sei ainda existirá,no entanto,  na memória quedará, CRUZ DO VALE DA MAIA,símbolo da fé e tradição de povo de pastores , do qual orgulhosamente descendo.Sitio mágico património de todos Pampilhosense.Na foto a cruz ficava, sensivelmente, próximo do cruzamento de caminhos no centro da imagem.

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publicado às 16:52

 Tempo quaresmal  culmina na Pascoa da ressurreição dos crentes católicos passou.Para mim  efeméride marcante destas festividades repousa nos idos da infância.Tal qual  inicio do evangelho,e dos meus sermões infantis , parte notável das minhas travessuras, começarei assim :

Naquele tempo, quaresma marcava  quotidiano da vila de Pampilhosa da Serra, a noite o sino grande da torre tocava  chamando  fieis a dedicarem  oração as almas do purgatório , especialmente as mais abandonadas ,  esquecidas dos viventes.O  toque da campana ecoando no escuro da treva nocturna, infundia respeito.o templo paroquial com altares e santos envoltos em panos pretos,quando entrava, apertava  meu pequeno coração com tanta tristeza. A noite  via sacra, o povo a rezar virado para as predes onde pendiam quadros representando  estações do caminho de Cristo em direcção ao martírio da crucificação.  Outro momento impressivo e solene mulheres agasalhadas xailes negros tapando cabelos lenços , ou véus da mesma cor,  homens catadura grave , alguns com cabeções igualmente negros.Tudo tristeza e amargura.

As procissões da Semana Santa, Com imagens faces quase humanas,  Venerando Senhor dos Passos , Nossa Senhora da Soledade  durante todo ano ,guardados na igreja da misericórdia,saiam em andores solenes, só de contemplar,sentia vontade de chorar; ensinavam  a causa daqueles faces de sofrimento eram meus pecados, em abono de verdade, não sabiam quais eram, melhor sabia mentir era pecado,  ver raparigas tomar banho na ribeira só de  combinação, escondido , nas videiras na parede do chão grande da quinta dos Silvas em  Vale Covo , também seria pecado grave...

 Sermão do encontro , quando as imagens do senhor dos Passos e Nossa Senhora da Soledade, com  alvo pano nos braços , se encontravam na esquina das ruas da quinta e ribeiro , a entrada da Praça.  o senhor Padre proferia empolgado e convincente sermão, a maioria do povo presente , até eu vertíamos lágrimas sentidas de remorso e arrependimento dos pecados que tanto mal causavam as divinas criaturas.

Sábado da Aleluia  dez  horas da manhã tudo mudava , repicava o sino anunciando a ressurreição do Senhor,   malta corria pela artérias do burgo, e gritava "Alelua , Alelua, amêndoas cá para  rua".

Começava  fase Pascal que  gostava, ruas varridas cobertas com alecrim juncos e rosmaninho , esterqueiras  cobertas com mato recem roçado;colocados  nas janelas vasos  onde se havia semeado trigo, agora estava viçoso e verde, alegoria do pão, de reminiscências hebraicas.Tudo preparado para  passagem  no Domingo de Páscoa da Cruz do Senhor visitava , casa dos paroquianps.

Em vale Covo avô matava cabrito que avó Emília assava no forno onde ao mesmo tempo  cozia  broa   pão de ló e folar para dar as afilhadas.Eu recebia sempre folar da madrinha e minha tia Maria

 

Era assim  em dois tons a Páscoa da minha infância, num recôndito cantinho de Portugal ,  longe de tudo, não muito propicio a grandes alegrias.Confesso  apesar de tudo passei tempo de   encantamento,como prova a "escritura " aqui deixo.Aleluia

 

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publicado às 14:35


NA BRUMA DO TEMPO DA INFÂNCIA

por Júlio Cortez Fernandes, em 14.03.18

 

Neste tempo invernoso,de ventania com mais soada do que escutava bramindo na ramaria  dos pinhais da Pampilhosa , apeteceu rebuscar  papeis amarelecidos guardados a "monte" no meu arquivo mais desordenado que transito rodoviário em dia de chuva nas vias da grande Lisboa.Ocasionalmente deparo, algum apontamento que aviva a memória, e faz lembrar gente bondosa com quem convivi a longo da já dilatada existência.

Encontrei uma referência a pessoa importante na sociedade da minha terra ,o senhor Hermano Nunes de Almeida,ou abreviadamente , Senhor Hermano.Revivi um dos muitos episódios de encontros com ele.

Certo dia na propriedade denominada Revessa, na casa situada na encosta, paredes meias com grande tanque de cimento, para onde corria noite e dia agua cristalina captada na encosta da montanha arriba.Da janela e do pátio da casa avistava-se paisagem de beleza indescritível. A aldeia das Malhadas da Ribeira quase de fronte,  o moinho ,  açude, chã no fundo da propriedade, formando grande curva, tudo enchia  meu pequeno coração de alegria.

Era sitio maravilhoso,por essa altura algumas vezes fingia ser padre e vá de "pregar " sermões empoleirado no cimo de alguma rocha,ou parede mais saliente segundo afirmavam os que ouviam saia-me bem da função, "tão azadinho,ainda vai dar um padre" diziam alguns. Aqui para nós nunca quis ser clérigo.  Voltando a Revessa, pensei, um dia destes, vou pregar sermão aqui.O senhor Hermano bondoso para comigo, amiúde oferecia pacotes de bolachas "maria",  amêndoas ou outras guloseimas que  regalavam.  Sua mulher Dona Aurora, igualmente minha amiga.

Afinal, nunca fiz o sermão imaginado, todavia encontrei elementos  permitem fazer, em jeito de epistola tardia pequeno registo biográfico do senhor Hermano, recordar assim com ternura ,alguém cuja lembrança manterei viva até ao fim .

Hermano nasceu em Pampilhosa da Serra  primeiro dia  de Março, de 1899, filho de António, de profissão carteiro da posta rural, e sua mulher Júlia. Baptizado pelo celébre pároco Vicente Dias de Carvalho, na igreja matriz da Vila dia 12 do mesmo mês; padrinhos, o reverendo Padre José Maria Barata, parente do meu bisavó materno,e Elvira da Piedade Nunes, ainda conheci muito bem,Dona Elvira morava num casarão imponente no local onde hoje está mini-mercado,ao fundo  da "avenida"  entrada do largo do antigo mercado.

 Casou dia 18 de Maio de 1926, com Aurora Almeida e Silva, natural da freguesia de Pessegueiro , concelho de Pampilhosa.

Tiveram um filho,António, Tonito do Senhor Hermano ,como era conhecido por toda população da Vila,falecido há muito .

O senhor Hermano,amealhou confortável pecúlio, comerciante, dono de  muitas propriedades agrícolas; chegou a exercer os cargos de Administrador do concelho , e Presidente da Câmara Municipal; cargo mais tarde, igualmente, exercido pelo seu neto Hermano, popularmente  Nelito, meu estimado amigo.

O senhor Hermano ,faleceu dia 26 de Junho de 1983,na vila da Pampilhosa, sendo sepultado no cemitério de São Sebastião.Não tive conhecimento,de certeza teria assistido ao funeral...

Aqui deixo memória de uma pessoa, faz parte das lembranças perdidas na bruma do longínquo período da minha infância feliz na terra onde nasci.

Foto da Vila de Pampilhosa da Serra época da minha meninice. 

Antigo Largo da Feira 1.bmp

 

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publicado às 21:30


QUANDO MORREU O POETA QUE CANTOU A NOSSA TERRA

por Júlio Cortez Fernandes, em 01.02.18

Registam as crónicas,Fevereiro de 1924, decorreu frio e cinzento. No primeiro dia desse longinquo mês sexta feira faleceu com idade 77 anos, na casa  numero 173, Rua de Santa Marta, Lisboa, vitima de doença prolongada, o nosso conterrâneo Eduardo Cezar das Neves e Castro.O funeral realizou-se, Domingo seguinte para o cemitério lisboeta dos Prazeres.

Eduardo ,nascera na Vila de Pampilhosa da Serra, a 4 de Setembro de 1846, filho do segundo casamento de Francisco Caetano das Neves e Castro,natural da vila, um dos senhores da "casa branca", e Dona Antónia Joaquina ,  do lugar das Donas , concelho do Fundão.

Eduardo, funcionário publico de carreira ,  iniciou actividade profissional, como escrivão da Câmara Municipal da Pampilhosa , terminando secretário geral do Supremo tribunal Administrativo aduaneiro e Fiscal,no ano de 1916, quando atingiu a idade da reforma.

Durante a vida , participou activamente na política sendo companheiro de João Franco,na fundação do Partido Liberal.

 Na juventude  escreveu poesia tendo publicado  um livro : "ECHOS DO VALLE", em louvor da terra onde nasceu e da  gente que  nela habitava .A edição tem data 1873.

A vida sentimental, teve alguns dissabores,viúvo, viveu com outra senhora,o fretero seria depositado em jazigo emprestado.Mais tarde 1928, o filho Jaime Tudela de Castro, distinto clínico em Lisboa, republicano maçon, amigo de Hermano Neves, natural de Alvares Góis,mandou construir jazigo no Cemitério dos Prazeres, para onde foram trasladados os restos mortais dos seus pais

O jazigo de Jaime Tudela de Castro não ostenta seu nome , sim o do pai , homenageando desta forma  progenitor que muito admirava.Jaime deixou  em testamento o jazigo, a Santa casa da Misericórdia de Lisboa , onde trabalhou com médico pediatra.O documento, referia quem lá deveria ser inumado.Pelo facto de pertencer a Santa Casa o jazigo está bem conservado. Ultimo corpo  depositado, conforme estipulado pelo testador, a tia, Rosalina de Sousa Tudela de Lemos e Nápoles, falecida em 1948.

Lembrando Eduardo Cezar Neves e Castro,reproduzimos parte do poema "A minha Terra",  dedicado a nossa querida Pampilhosa.

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 E para quedar  ,aqui fica a capa do livro integrado da minha biblioteca.

 

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publicado às 13:18


O FOGO TORNOU VISÍVEIS MUROS APIÁRIOS

por Júlio Cortez Fernandes, em 13.01.18

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Escrevemos algures; transformações verificadas ao longo dos séculos nas montanhas da Cordilheira Central  de Portugal,região natural onde está situado concelho de Pampilhosa da Serra, decorreram em certas ocasiões de forma tão repentina,apagando memorias e factos dos quais ficaram vestígios cujo significado a maioria das pessoas ignora.

Para resgatar do esquecimento os saberes e cultura dos nossos ancestrais é indispensável "ler" a paisagem decifrar a toponímia , partilhar o conhecimento.

Tudo isto a propósito da apicultura nas nossas montanhas.por exemplo silha,conjunto de cortiços, colmeias ,assentes em parapeitos de pedra de xisto,denominados paredes ou muros,também  "malhadas". Instaladas as silhas nas encostas viradas viradas a sul e nascente, próximo de fontes de água, abrigadas das ventanias,porque vento forte "descalça" as abelhas impedindo entrega do pólen no cortiço.

Vicissitudes dos séculos fizeram desaparecer o rasto das construções.

Todavia permanecem  topónimos relacionados com produção de mel.Nas cercanias da vila de Pampilhosa da Serra encontramos , Vale dos Enxames, a montante, seguindo o curso da ribeira, o sítio das Malhadas da Ribeira, propriedade antigamente de personagem importante na história do burgo, Jaime Dias de Carvalho, o senhor Jaime das Malhadas, deparamos com muros apiários que deram nome ao sítio, o terrível incêndio do passado 15 de Outubro, consumindo a vegetação, deixou visíveis.Há males  fazem ainda que diminuto, algum bem, dando razão as nossas "cogitações" toponímicas.

 

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publicado às 15:36


ALMINHAS DE VALE CÔVO

por Júlio Cortez Fernandes, em 17.11.17

Passou um mês do dia trágico do grande fogo, implacável e mortífero, jamais as serranias da Pampilhosa da Serra, foram sujeitas a tamanha "fornalha".

Quem não percorreu o território depois da tragédia, não faz ideia da grandeza da devastação. Infelizmente querida amiga de infância pereceu, não quero escrever acerca disso agora.

Nesta ocasião vem a lembrança as árvores de fruto, sobretudo as oliveiras ardidas. Quanto trabalho e suor para plantio enxerto de milhares, em chãs, patamares de "palmos de terra", sustidos por paredes de xisto, a vista dos quais, socalcos das vinha do Douro,... são quase nada.

Gerações de antepassados, mãos calejadas do frio, sol e das pedras, construiram obra, o fogo reduziu-a cinza, em minutos.

 Boguela e "sardanisca", sítios próximos da vila, eram manto de verde polvilhado por dezenas de oliveiras, muitas plantadas, enxertadas podadas, cuidadas com esmero pelo Ti João Carloto, nosso querido avô de saudosa memória. Não ficou nada. Se vier Inverno rigoroso, tudo será arrastado para a ribeira. Dor de alma...

Além disso tentei avistar as alminhas de Vale Covo arrabalde da Pampilhosa, mandadas construir pelos donos da quinta dos Silvas, cumprindo  promessa feita pelo sucesso de melindrosa operação cirúrgica,de um dos herdeiros da propriedade.

Considerava as alminhas, como sendo seu "dono", acompanhei. há cerca seis décadas,  a construção, trabalho de nosso tio António Casaca, sob direcção de Ti Serafim Gaspar, feitor da herdade.Eu morava em casa dos avós maternos situada no vale da outra margem da Ribeira, fronteiro ao local onde ficaram as alminhas,no cruzamento das estrada da vila, Sobral de Baixo e caminho para aldeia dos Covões. Era fácil chegar lá, gostava muito do meu tio e padrinho de "crisma", quando podia ia ao seu encontro.

Se o fogo deu cabo das alminhas então foi desgraça total. Gostaria saber de fonte segura se ainda lá ficaram, caso contrário seja quem seja o causador da "ucha" demoníaca, não terá perdão.

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publicado às 16:10


UM MAR DE CHAMAS

por Júlio Cortez Fernandes, em 03.11.17

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No tempo da meninice avó Emília, costumava contar-me uma história segundo a qual o mundo vai  acabar, num mar de chamas. Recordo agora  "lenda"a propósito do terrível incêndio de Outubro pasado, catastrófico e mortífero, assolou  concelho de Pampilhosa da Serra.

Resolvi de moto próprio percorrer a área ardida,só visto, muito se tem  falado "lume " de Pedrogão Grande Castanheira e Pera e Figueiró dos Vinhos.ressalvando, horrível perda de dezenas de vidas, não se compara  em extensão do que ardeu pelas serras e vales do alfoz da Pampilhosa.

Já fiz despedida em pensamento dos recantos que conheci e desapareceram.será possível  tornem a ser verdejantes , não será o mesmo.

Vale covo, boguela, sardanisca , vale trigo, vinhas da quinta botelheiras, maunça, vale pereiro,cabeça pequena, foz das videiras,chã do sobral,covanca,vale cortiços, barroco caldeiro , bacelo ,barroco calvário, ribeira da póvoa , feiteira,vale dos enxames, jardim , ribeira de Praçais , cadavoso , carvalhal do coira,vale da grima vale castanheiro,vale da fonte ereira,retorno,selada da madeira, corga do laranjo,monte frio, que sei eu.

Deixei para fecho, praia da cadela, onde em tempos idos habitou prostituta de nomeada, para significar  puta de situação que a tragédia deixou.

A vila de Pampilhosa da Serra,cercada pelas chamas,deve ter sido um quadro de terror vivido pelos meus queridos patrícios.Espero sincera e ansiosamente a reflorestação que urge iniciar seja efectuada a base de carvalhos castanheiros sobreiros e cerejeiras; o ciclo do pinhal se encerre.Levará tempo , Outono dentro de 10 ou vinte anos com a folhagem amarelecida dessas árvores proporcionará paisagens de beleza idílica que atrairá multidões para  admirar. O turismo será  fonte de riqueza para a terra,e vida melhor para os que ficarem ou retornem ao torrão natal.

O mar de chamas  "inundou" as serranias da Cordilheira Central de Portugal, para dar razão a nossa avó, tem de ser o fim de um "mundo" o qual está demonstrado, já não serve o concelho de Pampilhosa da Serra.  

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publicado às 19:49


CASAMENTO ELEGANTE NO FIM GUERRA 1939-1945

por Júlio Cortez Fernandes, em 28.09.17

Épocas  de crise são tempo de prosperidade para alguns, apesar da penúria generalizada. Na Pampilhosa da Serra,também se verificaram situações destas.Durante  segunda guerra mundial,  comerciantes negociantes e industriais de resinosos da terra conseguiram bons proventos, fizeram fortuna.Sem falar claro na extracção clandestina  ilegal , e roubos de volfrâmio nas minas, outra fonte de fartos rendimentos , até para  pobres e miseráveis.

Na vila um comerciante prosperou no tempo da guerra,  Aníbal Cortez, proprietário da Pensão Central, único estabelecimento hoteleiro do burgo ,onde se hospedavam viajantes e pessoas importantes que trabalhavam ou se deslocavam as obras da barragem de Santa Luzia , em construção.Chegaram a trabalhar no empreendimento, milhares de operários, tinham direito alimentação na cantina da Companhia Eléctrica das Beiras, dona da obra, responsável do refeitório era José Cortez dos santos, vulgarmente conhecido por Gerundio, fazia as compras na Pampilhosa a diversos comerciantes um deles Ti Aníbal.

O intróito serviu para referir, dia 25 de Novembro de 1944, sexta-feira, acontecimento mundano alvoraçou a Vila serrana,  casamento da filha única de Aníbal e D. Palmira Simão, Alice Simão Cortez ,com José Augusto Henriques da Cunha,mais tarde seria presidente da câmara municipal, falecido em consequência de acidente de viação , próximo de Cambas, na estrada para Castelo Branco.

O celebrante da boda  Paroco da Freguesia Américo Braz da Costa. Durante a cerimónia religiosa,  acompanhamento musical, executado em órgão pelo padre Carlos Borges das Neves,grande amigo do noivo.

Finda a cerimónia organizou-se cortejo direcção a casa dos pais da noiva , no edifício da pensão, não distante da igreja, no trajecto muitas raparigas  com cestos de pétalas  dado pelos pais da noiva, lançaram sobre os noivos verdadeira chuva de flores.

O copo de água, lauto almoço,foi servido a numerosos convidados, cabritos para o repasto ,sei quem forneceu, não digo, sou herdeiro do fornecedor.

Presidiu ao almoço  padre Américo , ladeado  padres António Afonso, pároco de Santo Bartolomeu em Coimbra, Luciano do Cabril, já citado Carlos Borges , professor no seminário Coimbra.Os noivos receberam muitas e valiosas prendas, foram de lua de mel , não sei para onde.No dia seguinte os pais do noivo ofereceram  almoço em sua casa no qual estiveram os novos compadres.

Acontecimento muito falado durante largo tempo , não só pelo aparato mas também pela simpatia que gozavam , noivos e respectivas famílias.

Foram meus amigos , oficio de "historiador" permite recordar, felizes momentos, saudosa e respeitosamente lembrar o evento.Gravura mostra caminho da igreja a casa dos pais da noiva.

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publicado às 18:22

Manhã de quinta feira 30 de Agosto de 1917 10 horas o portão da luxuosa e ampla moradia com jardim,situada na esquina das ruas Bernardo Lopes e engenheiro Silva, na Figueira da Foz , abriu-se dando entrada a carreta dos pobres, puxada por muar da abegoria municipal, para conduzir a última morada, cadáver do dono da casa  falecido no anterior dia 28.

No exterior formou-se extenso cortejo de individualidades da sociedade figueirense, representantes de diversas associações locais , que o defunto auxiliou .Muitos curiosos manifestavam estranheza pela presença da carreta da Misericórdia, explicação simples, extinto deixou expresso esse desejo.

António Meireles Cardoso Gramacho, abastado proprietário e capitalista,havia nascido na aldeia de Carregal do Zêzere , freguesia de Nossa Senhora das Neves de Dornelas, Concelho de Pampilhosa da Serra,no dia 5 de Abril de 1829,residindo há muitos anos na cidade da Figueira da Foz.

Seus pais foram o bacharel Teodoro Cardoso de Meireles,natural do Carregal , e Dona Luísa Meireles Taborda Leitão ,ambos residentes que foram no Carregal.

António Meireles Gramacho , casou com Dona Carlota Mendonça Castro Lemos,natural de Cernache do Bom Jardim, não tiveram descendência.

Hábil administrador, António Gramacho,vendeu bens no Carregal,  comprou acções da Companhia do Caminho de Ferro da Beira Alta, e muitos hectares de Terrenos na area de expansão da Figueira da Foz,multiplicando a fortuna de modo  ser considerado dos mais ricos da região.

A sua protecção fez rumar, a cidade foz do Mondego,muitos naturais da  freguesia natal.

No testamento declarava herdeira universal a esposa, na falta desta alguns familiares,com relevância para sua irmã , Viscondessa de Tinalhas.

A influencia da família Meireles Gramacho, manteve-se por mais tempo, curiosamente quando fundaram a Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra em Lisboa no ano de 1941, uma das iniciativas primeiras da instituição, colónia balnear infantil na praia da Figueira destinada as crianças pobres da Pampilhosa, concretizou-se  graças ao  contributo da ilustre familia .

António Meireles Gramacho, ultimo senhor da casa do Carregal.Seu pai deteve a maior fortuna do Concelho de Pampilhosa.

No centenário do falecimento do nosso patrício,considerei interessante assinalar a efeméride.

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publicado às 16:43


FUNERAL REALIZADO EM 1931 NA VILA DE PAMPILHOSA DA SERRA

por Júlio Cortez Fernandes, em 23.08.17

Quinta feira 17 de Setembro, nas primeiras horas da manhã os sinos da igreja matriz dobraram a finados, "toques", anunciavam  morte de paroquiano do sexo masculino. Rapidamente o povo reconheceu ter exalado último suspiro, o filho de figura grada da sociedade Pampilhosense da época, Sr. António Carlos de Oliveira, igualmente de nome António.  Jovem de 23 anos de idade sucumbiu à tuberculose, a doença grassava por todo o país com  intensidade devido à penúria e miséria originadas pela grande crise de 1929, que atingia Portugal com dureza, não poupando ninguém.

Tudo indicava, triste acontecimento  nada mais do que isso, todavia o funeral  realizado pelas 10 horas da manhã do dia seguinte, iria impressionar a população da Vila.

Sendo pessoa importante, benemérito da filarmónica, os dirigentes da música, fizeram questão de manifestar intenção de acompanhar musicalmente o frétero. António Oliveira recusou. Não desejava pompas no funeral. Assim procurou as pessoas mais pobres da Pampilhosa, a quem deu esmola para conduzirem até a última morada o caixão do  querido defunto.

O cortejo saiu da casa da residência familiar rumo ao cemitério,  nele se incorporaram a Irmandade do Santíssimo Sacramento, da qual meu avô materno ao tempo era Irmão Mor, as pessoas mais destacadas do burgo, e multidão enorme de povo.

Durante muito tempo não se falou de outra coisa senão no facto da urna do filho de abastado Pampilhosense ter sido levada aos ombros dos mais pobres e humildes da sociedade da Vila. Havia quem dissesse ser  manifestação de "vaidade" e poder, nunca mais na vila, houve nada igual.Foto da Pampilhosa em 1931.(arquivo histórico CMPPS).

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publicado às 12:58


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