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PAMPILHOSA DA SERRA ,UM CONCELHO "OFICIALMENTE": MISERÁVEL

por Júlio Cortez Fernandes, em 11.03.15

Acerca do concelho de Pampilhosa da Serra tem sido escritos diversos depoimentos,relativamente as suas características sociais e humanas,e cuja leitura permite concluir que num passado não longínquo, carências e falta de recursos das populações,obrigaram os naturais a uma debandada em larga escala ,na busca de uma vida digna para si para os seus, procurando nos grandes centros de Lisboa e do Porto, e mais longe nas ex-colónias ou no estrangeiro, ocupação onde por trabalho esforçado e duro,conseguissem amealhar algum pecúlio,desejo nas suas aldeias impossível concretizar.

A consciência da situação é consensual,por vezes algumas pessoas consideram exagerado o "quadro" descrito ,e levantam a suspeição que determinados desabafos,resultam não só  da natureza da realidade,mas também de apreciações de índole politico e ideológicas.

Para que não restem dúvidas,da situação que predominava nas serranias da Pampilhosa ,na década de trinta do século XX,deixamos um relatório elaborado pela comissão administrativa do Município,em 1936, enviado ao governo,remetido a atenção do Ministro das obras públicas e comunicações:

"Eximo Sr. Ministro das Obras Públicas e Comunicações,

O concelho da Pampilhosa da Serra,com uma área de 400 quilómetros quadrados ,aproximadamente, de vales profundos e montes escarpados, é um concelho pobríssimo e abandonado.Não possui estradas dignas de tal nome.Isolados os seus infelizes habitantes vão lutando há séculos, com persistência tenaz para não morrerem de fome.

Viram-se sempre desprotegidos e abandonados como se não fossem portugueses, filhos da mesma Pátria, pela qual têm derramado o seu sangue e dado a sua vida, sustentando-se na na mais dura conquista que é possível imaginar-se.A esterilidade do solo obsta a uma alimentação abundante e suficiente.

A falta de numerário impede a fundação de uma indústria que permita a colocação dos trabalhadores e lhes proporcione meios de vida humanamente indispensáveis.A falta de vias de comunicação regulares,dificulta extraordinariamente as condições de vida regional, e obrigam  os pampilhosenses ao abandono dos seus lares para irem procurar ,debalde, nos centros mais importantes, o numerário que lhes é preciso para o seu sustento  e  dos seus filhos.

Desta pobreza colectiva desta intranquilidade e flutuação da população, resulta que o município deste concelho pobríssimo há-de ser fatal e necessariamente pobre, com reflexo exacto duma miséria que abrange nos seus tentáculos 16 mil almas amarfanhadas pela desgraça de terem  nascido onde em vez de abundância  reina a escassez, e em lugar das mais vulgares necessidades existe uma miséria primitiva.

Quer dizer a câmara dum concelho pobre não dispõe de recursos porque não pode ir busca-los onde não estão.Esperamos o valioso e indispensável auxilio a este município a bem dos seus humildes habitantes , e prestígio e dignificação do Estado.

A bem da Nação,o presidente da Comissão Administrativa  da Câmara Municipal

Pampilhosa da Serra, 9 de Janeiro de 1936

Conjuntamente, seguia uma relação dos prejuízos causados por um violento temporal ocorrido no fim do mês de Dezembro de 1935.A opinião dos elementos da edilidade confirma a ideia que formamos no decurso de muitos anos de pesquisa.A maioria dos habitantes vivia um quotidiano de miséria.Poucos eram ricos ,alguns pobres ou remediados,e o "grosso" da população vegetava numa "miséria primitiva".

Em 1936,o recurso de procurar "numerário" nas ceifas em Espanha acabou,como consequência dos acontecimentos políticos naquele País que degeneraram numa cruel guerra civil.O Salazarismo triunfante iria tentar extinguir o concelho da Pampilhosa da Serra ,em 1939.Depois a segunda guerra mundial (1939-1945), o violento ciclone de 1941 que derrubou os pinhais serranos.Enfim um conjunto de "calamidades", contribuíram para que desde a década de 1940, até hoje o êxodo se tenha mantido.Politicas inadequadas, e miséria material,foram as verdadeiras causas da hecatombe demográfica,tudo o mais veio por acréscimo.

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