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Pampilhosa da Serra roteiro dum futrica VII

por Júlio Cortez Fernandes, em 15.12.14

Na anterior "jornada",calcorreando a Rua de São António, não canso de repetir,a mais bonita do "casco" velho da vila,ficamos junto á casa da Ti Efigénia.A moradia ao lado pertencia a ti João Olivença,popularmente apelidado João Barra,cantoneiro da Câmara Municipal,recordo-me presenciar o seu trabalho de reparar as valetas na antiga estrada carreteira  de terra batida, da vila para zona sul do concelho.A  estrada das "Aldeias",que na verdade  terminava na Amoreira, freguesia da Portela do Fojo.Também lembro a sua faina na horta que possuía no sítio do Ribeiro da Maúnça,perto da vila, acompanhado pela mulher a Ti Piedade dos Grelos.Um  dos filhos do Ti João, António Chanfana, marido da Ti Laura morava no Calvário na casa que pertencera aos "mudos " da tenda,que não conheci,e dos quais ouvia falar.

A casa contígua, do ti Zé Caturra casado com a Ti Lucinda do Toninho,pais do meu amigo António "Mosquito",infelizmente já desaparecido,e a cujo casamento assisti na igreja da Penha de França em Lisboa.A casa possuía quintal e uma varanda da qual se alcançava uma bonita panorâmica. Ti Zé Caturra, irmão da minha tia Arménia Braz.Desta família guardo memória quando andavam numa horta situada nos arredores da vila chamada  "Foz das Videiras", junto ao "caminho de baixo", para Vale Côvo.Prosseguindo, morava o Ti João da Pedreira.A designação "pedreira",ficou porque  nas traseiras da casa , estava um grande casarão construído, em parte, de madeira, aí existiu em tempos recuados uma das "messeiras", ou pedreiras da vila.O nome de "messeira",quer dizer onde se "messava",ou extraía pedra á força de braço, utilizando uma  barra de ferro.A dona da casa e esposa a Ti Maria do João,dos filhos ocorrem-me os nomes da Irene e do António.Suponho que este último está reformado da função de Guarda Prisional.Depois  a casa da Ti Maria do Luís, retenho pouca memória.

A seguinte, de Fernando Borges, e da Ti Bina tecedeira, sua esposa,o tear funcionava na loja da casa directamente acessível da rua e excitava a minha curiosidade, metia conversa com a Bina, como eu chamava. Achava graça ao á vontade como  lidava com ela; fez uma bolsa de pano das mantas de "trapo", que tecia e deu-ma.Fiquei muito contente, não sei como, a "sacola" levou "sumiço". Não tiveram filhos,  do Fernando Borges ,ouvia falar as vezes a propósito da fatalidade que atingiu o Ti Zé do Cortigo; contas dum rosário para mim desconhecido.

Continuando ficava a morada do Ti António da Herminia,e  da Ti Maria dos Santos. Encontrava algumas ocasiões o Ti António , na "fazenda" da foz das videiras.Um dos filhos do casal o Luís, emigrou para França segundo ouvia dizer,  a Isménia, também filha tratava-me com simpatia.A casa actualmente está diferente para melhor.Perdi o rasto desta família,a lembrança mais presente: o pátio da casa,com altos muros e uma escada de pedra "negra "por onde subia para o "sobrado",tudo já desaparecido.

A última habitação da artéria, actualmente remodelada e modificada, propriedade do Ti Albano da Eira,e esposa  Ti Amália, entre várias comodidades retenho a existência de um forno onde assisti várias ocasiões á cozedura de broa.. Tiveram seis filhos, unicamente lembro da Adelaide, foi casada com  António Padilha, filho da Ti Emília da Cândida, visita da casa dos meus avós em Vale Côvo. O Ti Albano da Eira e meu avô Augusto Cortez,tiveram em sociedade um forno de telha,situado no Vale dos Enxames local nos arrabaldes da vila para os lados da Ribeira da Póvoa.O avô Augusto conhecia os "segredos" do fabrico da telha, o Ti Albano era pedreiro, pelo que sei enquanto durou foi negócio rentável.

 Na eira de São António,  ao tempo, existia somente a do Ti Virgílio da eira; a casa ardeu numa ocasião da  festa do 15 de Agosto,fogo originado por um foguete, para ajudar a reconstruir gerou-se movimento de solidariedade para o qual  diversas pessoas contribuíram.Esta família lembro a filha, Nazaré e os filhos, Virgílio vivia em Lisboa, morava em Benfica, quase todos os Domingos aparecia em Monsanto para  dois dedos de conversa com o meu pai e beberem um copito.,e  Júlio, barbeiro, cujo estabelecimento  ficava no largo do mercado, onde pela primeira vez ,o meu pai me levou para cortar o cabelo. A eira, servia para a secar ao sol, o milho, principalmente da gente moradora na "aldeia Velha",um dos "bairros " da Vila,o "estendal" nos dias de Outubro, dava ao  recinto um belo colorido.

Na capela de Santo António,decorria celebração anual, ainda hoje realizada, no dia 13 de Junho, em honra do Santo. Precedida de  novena anunciada pelo toque do sino da capela  todas as tardes , chamando os fiéis á oração.A festa incluía cortejo de oferendas ,leilão, bodo, procissão com imagem do Santo, entre a Igreja matriz e capela abrilhantada pela filarmónica,  participava  muito povo por vezes enchia toda a rua de Santo António, a cabeça  chegava á capela, e ainda caminhava gente perto da "casa branca",no princípio  da rua.Enfim festança rija.

O templo será do século XVI,em 1652 conforme documento do nosso arquivo,  já existia. Na aldeia de Cadafaz, no vizinho concelho de Góis,encontramos uma "orada",arquitectonicamente igual de Pampilhosa da Serra,  ostentando sobre a porta a data de 1505.As questões religiosas da Pampilhosa e do Cadafaz estavam sob a alçada dos monges do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, muito devotos a Santo António, a edificação das capelas será da mesma época.Chegado ao final deste percurso, não ficaria completo sem uma referência ao "poço de Santo António",nome que a "malta " dava a um pego situado na ribeira não longe da capela, muito frequentado. O salto ou"pincho" para as águas do "poço" do cimo de altíssima piçarra,causava arrepio, "façanha" ao alcance só dos mais afoitos e valentes.Declaro: nunca de lá saltei, talvez por isso, posso ir contando estas "vitualhas".

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 Paisagem que se desfruta do alpendre de Santo António

 

 

 

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publicado às 14:28



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