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Pampilhosa da Serra roteiro dum futrica V

por Júlio Cortez Fernandes, em 07.07.14

Terminada a pausa reposto o farnel no burnal de novo mãos à obra. Iniciemos um deambular pelas ruas da urbe Pampilhosense tal qual consta do recôndito lugar da nossa memória, vamos partir da Praça barão de louredo ,ou simplesmente a "Praça". A primeira escolha  é a rua do Pedregal, nome recente,no século XVIII não constava dos registos da "décima".Iniciamos na esquina da casa "grande " da vila, hoje na posse da família Nunes Barata na centúria de setecentos propriedade de Marcos de Torres da cidade de Portalegre, parente dos Caldeira de Brito da Sertã e Pedrogão e Nogueiras da Covilhã. O nome da artéria surgiu porque terminava na Ribeira de Vinhais ou da Pampilhosa, onde na margem direita existia  grande amontoado de calhau rolado trazido pela corrente das cheias e também da preparação das terras ribeirinhas donde se retiraram toneladas de cascalho para conseguir poucos palmos de terra arável. Algumas seriam os vestígios deixados pelos garimpeiros que antigamente procuravam ouro peneirando as areias do curso de água:muitas pedras, um pedregal.

A primeira casa  da Ti Alzira "Beca", casada com o Ti Manuel da Pedreira, conhecia estas pessoas por causa da sua estadia frequente em Vale Covo onde possuíam uma "horta" extremando com outra que o meu avô materno tratava. Conhecia bem os filhos,dois deles a Odete e o Paulo, casaram com o Carlos e Esmeralda filhos dos meus tios António Casaca e Conçeicão moradores  no sítio do cabecinho.o tio António,músico da banda Fraternidade Pampilhosense, meu padrinho do crisma, lembro com saudade e ternura. Tentei vezes sem conta fazer soar o trompete de varas instrumento musical que tocava com sabedoria, nunca consegui e parecia fácil... 

Contígua ficava a Casa de Porfírio Carneiro, ajudante do Registo Civil, vereador da Câmara Municipal republicano membro da maçonaria onde escolheu o nome simbólico de Carvalho Araújo. Pessoa grada da sociedade  na época, opositor ao salazarismo gozava de consideração e estima, sempre pronto ajudar quem recorria aflito aos seus serviços. As minhas lembranças deste personagem são escassas, faleceu em Lisboa no dia 29 de Maio de 1954, vitima de doença deixou viúva sem filhos.Fazia parte do círculo de amigos do nosso avô Augusto Cortez em atenção a essa amizade ofereceu do seu bolso as custas do meu registo civil obrigatório e respectiva cédula pessoal. Bom Homem.

Prosseguindo sentido descendente direcção á ribeira, a casa da família do Ti Benjamim Martins avô do actual Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Juiz Conselheiro Henriques Gaspar, ilustre Pampilhosense, recordo-me de ver  nesta casa os pais o Ti Antero, responsável da central das carreiras de camonagem da Vila e Dona Esperança, como todos a tratavam,professora de uma escola de aldeia para o lado de Sobral Valado,o Ti Benjamim,soube pelo meu avô Augusto, era republicano. Nada mais retenho desta morada.Um Pouco abaixo morava a ti Salomé,conceituada costureira de senhoras,casa com serventia por escada de pedra. Ti Salomé mãe do Alberto prezado amigo,bom jogador de futebol o "racing" como geralmente  tratavam,  genro da ti Lusitana e do ti Zé Esquinha, meus vizinhos na rua Calvário. Continuando morava a família do Zé do Açor:Pouco sei deles relacionado com o Açor, lugarejo da margem da barragem do Cabril no rio Zezere ao fundo  do Vale Serrão aldeia da Freguesia da Pampilhosa ocorreu um acontecimento curioso. Um dia de Verão acompanhado pelo,"Baratita" filho mais novo do ti Adelino Barata, que viria a ser engenheiro resolvemos ir pescar na barragem do Cabril precisamente no Açor, Adelino Barata dono da padaria,laborava no edifício da agencia da caixa geral de depósitos. Abalamos cedo da vila  com passo ligeiro da juventude,direito a Vale Serrão.Chegados ao "povo", visitamos a capela de  Nossa Senhora das Preces , lomba abaixo aportamos no sítio de destino.Surpreendidos encontramos uma barca prestes a zarpar. O barqueiro perguntou-nos ao que vínhamos , ciente do objectivo, informou  seria melhor pescaria em Álvaro, ia para a gaspalha  não se importaria de nos levar desde que ajudássemos a remar.Obtida a concordância navegamos proa feita a Álvaro cortando o espelho de água rodeados duma paisagem deslumbrante cada um no seu remo tocamos a barca, o barqueiro estranhou  a nossa "habilidade" de remadores,  informado daquela ser a primeira vez que exercíamos tal "arte", exclamou:"não está mal".Chegados a termo do percurso, despedimo-nos  subimos os cortinhais de Álvaro, procuramos uma tasca para comer o farnel, eu tinha levado conservas, o Barata  o pão. O dono da taberna simpático, orgulhoso mostrou um frigorifico cheio de bebidas  lembro, bebemos laranjada fresca. o electrodoméstico  iniciava  o "serviço" naquele dia a energia eléctrica começou a fluir pelos fios. Coincidência connosco  a luz  chegou ao povoado,há coisas assim.A primeira impressão da antiga vila  foi  desfavorável ,a rua principal  ladeada de casas degradadas dava um aspecto decadente ao burgo , visitamos a igreja matriz e  da misericórdia acompanhados  de solicita senhora , o património  mostrado impressionou-nos porque atestava  grandeza perdida. Ainda tentamos pescar um "peixito"em vão. Fizemos o trajecto de volta para a Pampilhosa vindo pelo caminho da Lomba do Barco sempre a "penantes". Pagamos cinco escudos na travessia na barca pública de Álvaro. A ponte existente ainda nem se falava,estávamos em 1963.

Voltemos à rua do Pedregal.Na penultima residia a ti Delfina,vivia de pequeno negócio de venda de pão centeio que  cozia num forno próximo. A última habitação casa da ti Martinha, dispunha de grande patio interior com forno.A seguir no fim de rampa ou cais ficava a ribeira onde batendo grandes pedras mulheres da vila lavam roupa que estendiam a "corar" sobre a cascalheira, em frente na outra margem fica o portal com escadaria de acesso a ribeira. Aqui existiu ponte de pau onde transitavam pessoas e mercadorias pelo menos até ao ano de 1863, quando se construiu a ponte de tijolo a montante, matéria para outra ocasião. O pedregal deu lugar a barragem que retem agua da magnifica praia fluvial de Pampilhosa da Serra, Antes desta maravilha o dique mal construído de vez em quando empurrado pelas enchentes do inverno ruia,virava-se a população jocosamente baptizou a obra de"SÓ TE VIRAS".Na foto o sítio do pedregal na curva da ribeira.

 

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publicado às 19:55


1 comentário

De Manuel a 16.09.2014 às 21:23

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