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Pampilhosa da Serra roteiro de um Futrica VI

por Júlio Cortez Fernandes, em 19.11.14

Passeamos agora pela rua de Santo António,antigamente conhecida por "carreira de Santo António". O traçado da artéria em 2014 está modernizado e adaptado ao tráfego dos nossos dias. Iniciamos a rota, junto à casa propriedade da Câmara Municipal, antiga residência do médico e delegado de saúde Dr.Afonso que sucedeu no cargo ao sogro Dr.Luís Barateiro, em tempos mais recuados, local da Casa Branca por ser das poucas que então "branqueavam " no meio  das casas de paredes de xisto negro, da Vila da Pampilhosa da Serra, durante um século, solar da família Neves e Castro. Vendida pelos herdeiros, nos anos trinta do século XX, a um ilustre pampilhosense Eduardo Carlos, passou por várias vicissitudes e acabou demolida. Na "casa branca" estava a primeira sede do grupo Desportivo Águias Pampilhosense, quando da sua fundação em 1946. Lembro-me que a entrada dava para a rua de Santo António, neste local da artéria, ocorreu um episódio trágico que emocionou a vila da Pampilhosa em consequência, de uma banal discussão, o ti Zé do Cortigo, caiu de um muro onde estaria sentado, para a propriedade situada em baixo, uma altura razoável, aquele patrício, não resistiu à queda. Não me lembro de pormenores nem sei se foi por acaso ou não. Lembro sim da mulher a Tia Lúcia, viúva com um rebanho de filhos menores, e numa situação de grande miséria, uma dor de alma, a gente da vila gente tentou ajudá-la como podia, tarefa difícil as carências eram muitas para todos. Impressionava-me muito com o que via. Enfim! Tempos oxalá não voltem mais.

Na rua de Santo António, existe ainda, o "fontanário da barroca", este melhoramento resultou da obra de abastecimento de água á vila, cuja rede foi melhorada e ampliada na década de 50 do século passado. No largo morava, o Ti " Laranjo ", marido da Ti Encarnação sobrinha do meu avô Augusto.Viviam numa habitação confortável, com grande pátio fechado, entravamos franqueando um portão de madeira. Na ampla varanda da casa estive várias vezes,levado pela Ti Encarnação que gostava muito de mim. Naquele "púlpito" comecei a "ensaiar" os "sermões", os quais foram motivo para me tornar um "puto" popular na vila. A casa seguinte pertencia ao Ti Agostinho o sacristão da paróquia, casado com a Ti Valentina, a habitação dispunha de uma escada de pedra, pela qual se subia para o andar de cima. Conhecia bem ambos, passavam muito tempo em Vale Côvo, na sua propriedade chamada "tapada do Chico Alberto". Um dos filhos, o António, mais tarde herdeiro do ofício do pai, costumava levar-me as "cavalitas", quando ia para aquela"horta". Era um brincalhão, já partiu há anos, descanse em paz. Depois deparávamos com a residência do Ti Bispo, pai do Miguel e da Nazaré, feitor da Quinta de São Martinho, pertença do Sr. José Augusto Barata. Filho do Ti Herculano morador no barreiro ao pé da casa do Ti Braz, pai da minha tia Arménia, viúva  do querido tio José Cortez, nonagenária, felizmente ainda vive em Lisboa.

Continuando estava a casa da família conhecida pelo alcunha "biqueiros", a seguir a do casal Ti Jaime Pires e Ti Maria do Jaime, senhora natural dos Lobatos sofria de "bócio" apesar disso, trabalhadora incansável, sempre que passava por ela levava a cesta a cabeça. Recordo os filhos: a Carminda já falecida, Maria, a Ascenção a Adélia e o José, este sofreu um acidente grave originado por uma bomba de foguete que explodiu na mão. Se não me engano esta trágica ocorrência verificou-se, junto à casa branca . Ti Jaime Pires e a irmã  Fausta eram filhos da Ti Generosa Maria, irmã do meu avô Augusto, casada que foi com o Ti Pires escrivão do tribunal. Ti Jaime Pires, pessoa conceituada na vila era  encarregado da casa do Presidente da Câmara Luís Nunes, e  maestro  banda filarmónica. Costumava convidar alguns amigos, para a sua adega nas "botelheiras", perto do "casarão" dos meus avós de Vale Côvo. Quando queria oferecer petisco aos convidados, falava com a minha avó que tratava respeitosamente "senhora minha tia", ela arranjava um pitéu, normalmente torresmos passarinhos fritos ou queijo de cabra, acompanhados  da deliciosa broa cozida todas as semanas, no forno da casa, uma  delicia para os convivas. Jaime Pires devotava grande estima à  minha avó, ela também retribuía era um sobrinho dilecto. Não esqueço quando em 1973, faleceu em Lisboa, o Ti Jaime esteve no funeral e disse-me " a minha tia Emília, sempre me  tratou tão bem, nem que fosse no fim do mundo não podia faltar ao seu enterro". Mais tarde, tive oportunidade de falar com ele longas horas em Monsanto Lisboa, onde porque enviuvara, passava temporadas na casa da filha Carminda. O Ti Jaime Pires, um homem cheio de sabedoria. A seguir morava, Ti Efigénia, ao tempo já viúva vestia habitualmente de preto, com ela habitava a filha Ti Anunciação, mulher do Ti Zé Maria "pecado", por vezes um pouco conflituoso, os filhos: Maria José, a Maria Augusta e o Zé eram meus companheiros de folguedos quando estavam na  horta  perto do "sitio dos castanheiros do Manolito", em Vale Côvo. Um dos filhos da Ti Efigénia, Augusto Ribeiro, estava em Lisboa, um belo dia escreveu ao meu pai, avisando-o do concurso para guarda prisional. O meu progenitor não queria concorrer, a minha mãe teve arte para o convencer, dizendo ser melhor para a família, assim lá decidiu deslocar-se a Coimbra prestar as provas exigidas  aprovado, em centenas de candidatos, ficou nos primeiros, logo chamado teve de ir para Lisboa,e colocado ao serviço na Cadeia do Forte de Monsanto. Durante ano e meio não veio à Pampilhosa, nesse período, tive muitas saudades dele.Recordo que o meu pai chegou sem  avisar, eu andava a brincar,ao pé da casa da ti Maria da quinta, onde hoje mora a minha amiga Esmeralda, e avistei-o ,depois da esquina da mesiricórdia corri ao seu encontro com a agilidade dum miudo de seis anos,assim que me viu parou e colocou a mala que trazia no chão ,esperou por mim de braços abertos,ergeu-me beijou-me e abraçou-me, a felicidade que senti,nunca vou esquecer,subimos a rua segurando-me a mão, uma alegria plena.  Mais tarde o meu pai,  ajudou outros conterrâneos e diversos foram admitidos no corpo da guarda prisional. Até ao fim da vida ele e Augusto foram amigos, a esposa D. Maria José, natural dos Açores onde o marido a conheceu quando ali esteve como soldado expedicionário durante a segunda guerra mundial, uma bondosa senhora, moravam em Queluz, concelho de Sintra. Augusto de Almeida Ribeiro, funcionário da secretaria da Cadeia Penitenciária de Lisboa, era dono duma "casa de pasto", sita em Xabregas, rua da Manutenção, frente à fábrica dos tabacos, estabelecimento frequentado não só por operários fabris, mas também por estivadores do porto de Lisboa, a maioria oriundos do concelho de Pampilhosa da Serra. A Ti Efigénia pertencia a família dos Ribeiros, que residiram na barroca de Vale Côvo. A sua irmã Emília, quem lembro com ternura pelo carinho que me dedicou, vivia em Vale Covo,mulher do Ti Adelino Carlota caseiro da quinta dos Silvas, irmão do meu avó João. Ficamos por aqui hoje, para evitar o cansaço. A foto foi obtida desde a Rua de Santo António em Pampilhosa da Serra.

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