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Os nossos apontamentos acerca das memórias e sítios onde perpassam  recordações da Pampilhosa da Serra, serão futuramente descritas desde a varanda magnífica onde Cristo Rei, imagem grandiosa, austera de braços abertos protege a vila onde nasci, os montes, vales, aldeias e casais, em redor..

Lançando o olhar na direcção do quartel da corporação dos Bombeiros Voluntários Pampilhosenses, e cemitério divisamos a limitar o horizonte montanha imponente chamada, Serra das Estremanças, sulcada por duas estradas municipais uma para a direita, cuja fita de asfalto se perde na fundura do vale em direcção das aldeias dos "Pescansecos" e Praçais, outra rumando para o cimo da encosta até alcançar a aldeia de Sobral Valado , atravessando primeiro, a minúsculo  povoado do Cadavoso.

O nome deriva, de haver sido o limite do morgadio da "quinta da feteira", instituído no século dezassete a favor dos "caldeira de brito",poderosa família, durante séculos mandou na terra e gente destas paragens, com mão pesada.Para cá do cume não existe nenhuma povoação além da vila da Pampilhosa, porque os senhorios não deixaram . O Cadavoso e as Malhadas da Ribeira , surgiram para acolherem os caseiros das suas propriedades circundantes. Deixemos isso, são contas doutro rosário, falemos das "estremanças".

Antes do pinhal cobrir encostas e recôndito das barrocas, a vegetação dominante eram os carvalhais,desta cobertura florestal ficaram nomes como "carvalhal do coira " e "Póvoa do carvalhal", até ao inicio do seculo XX, o povo da Pampilhosa cortava aqui os "carvalheiros" pequenas varas para servirem de apoio aos feijoeiros nas hortas.

Na nossa infância esta serra foi palco de episódio que impressionou os habitantes da vila.A partir de determinada noite de Verão, quem estivesse na rua, avistava subindo a ladeira pela antiga estrada carreteira um feixe luminoso que aprecia e desaparecia conforme era oculto ou não pelo  pinheiral. Sentado na rua do Calvário em frente a casa onde morava, vi claramente tal facto. Impunha respeito contava-se muita coisa sobre  a  causa aquele"sinal".A superstição das pessoas era muita naquele tempo., e daí a serem almas do outro mundo foi um passo.Que seria ?

Afinal passado pouco tempo ,uma semana talvez, o mistério acabou, tratava-se de uma camioneta que um senhor do Sobral Valado tinha adquirido e transportava de noite, para aquela aldeia, barris de resina e madeira, colhidos no pinhal próximo.Carregada até mais não poder a carripana, subia lentamente a vereda proporcionando o "espectáculo fantasmagórico" que assustou a  infância. Não gostei de saber , para mim durante alguns anos aquilo fora bruxedo.As estremanças era sítio onde se devia passar com muito respeito,  nos cruzamentos montanheiros existiam alminhas,  no começo da subida para a serra , na lomba da mina, a bocarra da "buraca" da exploração mineira abandonada infundia respeito.

Observo a serra cuja altitude ronda os 760 metros  actualmente, parece  melancólica, saudosa dos rebanhos caminhantes,  resineiros e outras pessoas  que nela labutavam ou passavam , e enchiam de vida.As estremanças como tudo á volta estão cada dia mais tristes.Ou serei eu?

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publicado às 13:13



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