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CENTRO CATÓLICO

por Júlio Cortez Fernandes, em 19.03.17

 

Quando terminou a primeira guerra mundial a situação social económica e política de Portugal,  calamitosa.O governo presidência de Sidónio Pais autoritário, dominado por simpatizantes monárquicos com apoio da Igreja católica,suscitava grande animosidade do sector republicano mais antigo e radical.Pressentia-se algo iria suceder, demorou até 28 de Maio de 1926.

As diversas forças políticas foram agrupando o apoio que dispunham. A exemplo do  sucedido por todo o País, clero e fieis católicos da Pampilhosa decidiram formar "centro católico" com a finalidade, concorrerem a eleições futuras.No dia 23 de Junho de 1918,iniciou formalmente  actividade a nova instituição  cívica na Pampilhosa da Serra.

Para assinalar  efeméride realizou-se na Praça Barão de Louredo comício onde participaram , reverendo João da Silva Campos Neves em representação do Bispo Conde de Coimbra.  Professor catedrático da universidade de Coimbra Diogo Pacheco de Amorim, em nome do centro católico coimbrão,Cónego  da Sé de Viseu José Almeida Correia.  deputado católico do circulo de Leiria. Dr.Dinis da Fonseca advogado, também deputado eleito pelo circulo de Arganil , no qual estava integrado o concelho da Pampilhosa.

Presidiu  representante do Bispo, secretariado por Cipriano Barata, e Carlos Reis estudantes universitários naturais da vila. Os oradores e todo clero concelhio tomaram lugar em palanque montado num dos cantos da Praça.  Orador  inicial o cónego Campos Neves, futuramente, seria nomeado Bispo de Lamego.Seguida falou  cónego viseense,mais tarde deputado na Assembleia Nacional do Estado Novo.Quando fazia a intervenção, foi interrompido com apartes de republicanos proferidos por elementos, liderados por Eduardo Carlos,notário juiz de paz chefe do Partido Democrático na Pampilhosa, juntamente com correligionários, entre os quais se destacava o Sr. Antero Henriques Gaspar, sapateiro, um seu aprendiz, o sr. Porfírio Carneiro, e muitos outros , concentrados a porta dum estabelecimento ,próximo ,deram vivas a Republica , o que levou a interrupção do discurso.

O professor Pacheco de Amorim,avançou  para falar, apesar da e contestação dos opositores presentes.

A determinada altura o palco ruiu, provocou grande alarido na assistência que debandou , no meio da risota geral dos "republicanos".Sabemos agora na montagem do estrado, um carpinteiro simpatizante dos "democráticos", havia feito "marosca" de modo que ruísse sem causar danos pessoais como sucedeu.

O comício terminou no adro da capela da misericórdia, Eduardo Carlos e  seus companheiros festejavam ,numa venda da praça a "ocorrência".Um velho republicano que conheci dizia "o centro católico caiu logo no dia em que começou". O ambiente político na vila ficou de "cortar  faca". Aspecto da Praça onde tudo aconteceu. Foto tirada vinte anos depois..

Largo da Fonte (1).jpg

 Julio Cortez Fernandes

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publicado às 19:30



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