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Sabia há muito,a imagem da padroeira da minha freguesia natal, havia sido oferecida por  conterrâneo ,que a exemplo de outros emigrou para Lisboa, com trabalho e sorte conseguiu situação económica desafogada.Nunca esqueceu o torrão natal, oferecendo a  terra o relógio da torre, e imagem da padroeira.

O patrício Artur das Neves,de simples assalariado,guindou-se  a sócio gerente de importante firma comercial,graças a trabalho esforçado, e protecção de ilustre pampilhosense figura importante do partido de João Franco, presidente de um dos governos  constituídos no reinado de D. Carlos I.

De origem humilde Artur Neves nasceu na Pampilhosa em 1881,  faleceu em Lisboa a 7 de Janeiro de 1932, na sequencia de operação cirúrgica. Voltemos a "história " da imagem.

Em Junho de 1920, Artur Neves juntamente com  mulher filho e outros familiares,acompanhou a entrega da imagem,  a guarda do reverendo padre Álvaro prior da Pampilhosa.

Na ocasião pouco se demorou na Vila, seguindo  em viagem de recreio para a Beira Alta. A execução da imagem orçou cerca 800, escudos, com embalagem e transporte, teria ficado em 1000 escudos, uma quantia razoável , naquele tempo um trabalhador rural ganhava 7$50, por jornal.

Ficou aprazado, a imagem seria colocada num altar da igreja matriz  em Agosto próximo. Assim sucedeu.

No dia quinze de Agosto do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1920, sexta feira, a vila amanheceu engalanada com ambiente habitual dos dias festivos. A hora de missa pelas 10 da manhã a igreja estava repleta de gente, em lugar destacado, junto da imagem de Nossa Senhora do Pranto, o doador Artur Neves e família assistiram ao acto.Durante a cerimónia comungaram cento e cinquenta crianças. Na homilia o Padre José Lourenço Antunes de Almeida,pároco de Unhais - o - Velho, e Vidual , proferiu "belo sermão", este clérigo, considerado o melhor orador sagrado da região naquela época,tal como Artur Neves, fervoroso monárquico, não admira ter sido convidado para a função.No decorrer da missa a Imagem benzida e colocada no altar mor por detrás do sacrário, os fieis presentes ficaram impressionados com a beleza e grandiosidade da imagem.Tudo se processou na melhor ordem, com demonstração de fé.

No seguimento deste acto marcante na vida religiosa da Freguesia formou-se, comissão para  a festa fosse realizada sempre dia 15 de Agosto,  solicitou-se a Câmara Municipal que a feira anual de Agosto se efectuasse nos dias 14 e 15; assim festa e feira seriam mais concorridas. O quinze de Agosto como festividade anual nasceu de facto, em 1920.

Aqui fica a história da imagem da nossa padroeira, em 2020 vão completar-se  cem anos, sobre a chegada a igreja onde se encontra e  espero permaneça por muitos mais.

P8252538.JPG

 

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publicado às 17:31



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