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Manhã de quinta feira 30 de Agosto de 1917 10 horas o portão da luxuosa e ampla moradia com jardim,situada na esquina das ruas Bernardo Lopes e engenheiro Silva, na Figueira da Foz , abriu-se dando entrada a carreta dos pobres, puxada por muar da abegoria municipal, para conduzir a última morada, cadáver do dono da casa  falecido no anterior dia 28.

No exterior formou-se extenso cortejo de individualidades da sociedade figueirense, representantes de diversas associações locais , que o defunto auxiliou .Muitos curiosos manifestavam estranheza pela presença da carreta da Misericórdia, explicação simples, extinto deixou expresso esse desejo.

António Meireles Cardoso Gramacho, abastado proprietário e capitalista,havia nascido na aldeia de Carregal do Zêzere , freguesia de Nossa Senhora das Neves de Dornelas, Concelho de Pampilhosa da Serra,no dia 5 de Abril de 1829,residindo há muitos anos na cidade da Figueira da Foz.

Seus pais foram o bacharel Teodoro Cardoso de Meireles,natural do Carregal , e Dona Luísa Meireles Taborda Leitão ,ambos residentes que foram no Carregal.

António Meireles Gramacho , casou com Dona Carlota Mendonça Castro Lemos,natural de Cernache do Bom Jardim, não tiveram descendência.

Hábil administrador, António Gramacho,vendeu bens no Carregal,  comprou acções da Companhia do Caminho de Ferro da Beira Alta, e muitos hectares de Terrenos na area de expansão da Figueira da Foz,multiplicando a fortuna de modo  ser considerado dos mais ricos da região.

A sua protecção fez rumar, a cidade foz do Mondego,muitos naturais da  freguesia natal.

No testamento declarava herdeira universal a esposa, na falta desta alguns familiares,com relevância para sua irmã , Viscondessa de Tinalhas.

A influencia da família Meireles Gramacho, manteve-se por mais tempo, curiosamente quando fundaram a Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra em Lisboa no ano de 1941, uma das iniciativas primeiras da instituição, colónia balnear infantil na praia da Figueira destinada as crianças pobres da Pampilhosa, concretizou-se  graças ao  contributo da ilustre familia .

António Meireles Gramacho, ultimo senhor da casa do Carregal.Seu pai deteve a maior fortuna do Concelho de Pampilhosa.

No centenário do falecimento do nosso patrício,considerei interessante assinalar a efeméride.

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publicado às 16:43


FUNERAL REALIZADO EM 1931 NA VILA DE PAMPILHOSA DA SERRA

por Júlio Cortez Fernandes, em 23.08.17

Quinta feira 17 de Setembro, nas primeiras horas da manhã os sinos da igreja matriz dobraram a finados, "toques", anunciavam  morte de paroquiano do sexo masculino. Rapidamente o povo reconheceu ter exalado último suspiro, o filho de figura grada da sociedade Pampilhosense da época, Sr. António Carlos de Oliveira, igualmente de nome António.  Jovem de 23 anos de idade sucumbiu à tuberculose, a doença grassava por todo o país com  intensidade devido à penúria e miséria originadas pela grande crise de 1929, que atingia Portugal com dureza, não poupando ninguém.

Tudo indicava, triste acontecimento  nada mais do que isso, todavia o funeral  realizado pelas 10 horas da manhã do dia seguinte, iria impressionar a população da Vila.

Sendo pessoa importante, benemérito da filarmónica, os dirigentes da música, fizeram questão de manifestar intenção de acompanhar musicalmente o frétero. António Oliveira recusou. Não desejava pompas no funeral. Assim procurou as pessoas mais pobres da Pampilhosa, a quem deu esmola para conduzirem até a última morada o caixão do  querido defunto.

O cortejo saiu da casa da residência familiar rumo ao cemitério,  nele se incorporaram a Irmandade do Santíssimo Sacramento, da qual meu avô materno ao tempo era Irmão Mor, as pessoas mais destacadas do burgo, e multidão enorme de povo.

Durante muito tempo não se falou de outra coisa senão no facto da urna do filho de abastado Pampilhosense ter sido levada aos ombros dos mais pobres e humildes da sociedade da Vila. Havia quem dissesse ser  manifestação de "vaidade" e poder, nunca mais na vila, houve nada igual.Foto da Pampilhosa em 1931.(arquivo histórico CMPPS).

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publicado às 12:58


OS "BRAVOS " DOS PINHAIS INTERIORES

por Júlio Cortez Fernandes, em 31.07.17

Não esqueço esforçados trabalhadores do tempo de menino,personagens importantes da Pampilhosa durante o século passado: os resineiros.

Quando chega o verão os incêndios aparecem, retorna  imagem dos "povoadores do pinhal", onde com sangue suor e lágrimas arrancavam sustento das famílias, sujeitos a desenfreada exploração. Determinadas terras onde passo, é hábito perpetuar no espaço público, ofícios e ocupações que marcaram a história das localidades, pescadores, mineiros,arrancadores de cortiça, oleiros, almocreves etc. na Pampilhosa da Serra, não sucede ...

 Na solidão do pinheiral,  elemento importante na prevenção e combate a focos de incêndio, a  lida promovia  limpeza do terreno, para adequadamente extrair a resina, passagem por locais ermos permitia conhecer a zona exacta onde lavrava  fogo assim possibilitava adequado combate,  maioria das vezes  através de contra fogo.

A resinagem e resineiros foram "alma" e  prosperidade de actividade económica onde ganharam fortunas proprietários das fábricas de agua-rás e pez. Os donos dos pinhais os humildes "sangradores" dos pinos, ficavam com a côdea do "bolo".

Durante as décadas 30, 40 e 50 do século passado quotidiano da Pampilhosa estava impregnado de assuntos relativos a resina e pinhal.

Começava a campanha diziam andar na "descarrasca", consistia limpar o tronco onde seria a ferida ou sangria para "brotar" a seiva, caia  no púcaro de barro, suportado em estaca de madeira, sobre o púcaro ficava  cravada  no pinheiro chapa metálica de forma curva: a bica, púcaro cheio procedia-se a "colha" com uma espátula, para recipiente metálico, a "ferrada" ou balde. Esta tarefa competia a mulheres, "ferrada" cheia, poisava na rodilha  na cabeça, vazada em barris de madeira colocados  nas veredas, carros de bois, transportavam a sítios onde já podia chegar camioneta que levava  a fábrica "resineira".

Algumas ocasiões caminhando com a ferrada a cabeça as mulheres escorregavam na caruma,  resina entornava-se no cabelo, e vai de cortar  rente as tranças para se livrarem do pegajoso líquido. Infelizes ficavam sem  belo adereço capilar, durante muito tempo. Uma dor de alma.

Estes trabalhos eram motivo de conversa  a vida organizava-se conforme  as tarefas a realizar nos pinheirais.

O estatuto de responsável pela exploração do pinhal, implicava ser detentor de carta de aptidão, obtida na frequência de 15 dias de aulas, numa escola  de Candosa concelho de Tábua. Normalmente  pagavam  curso  as resineiras, no fim mediante aprovação, passavam cartão de "comissário empreiteiro". Estes profissionais respondiam perante a fiscalização Estado pelo cumprimento das regras da lei de resinagem.  .

Recordo  resineiros que conheci,  meus avós, meu pai, e tios, Ti António , marido da ti Laura da tenda, morava na minha rua, Ti Isac, Ti Laranjo,  muitos outros cujo nome esqueci. Gente esforçada, sujeita a trabalho durissimo para granjear  pão de cada dia. Praças rasas no  "regimento" dos assalariados mais explorados de Portugal.

Antepassados que labutaram na faina da resina são credores de  respeito,  exemplo de sacrifício resistência e luta por vida melhor, não deve ser olvidado.  Deixo referencia: mereciam fosse erigido na Pampilhosa, "memória" tal qual fizeram  outras terras em honra do  valor das classes laboriosas. Oxalá!   

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publicado às 12:59


SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - EPISÓDIO NO CONCELHO DE PAMPILHOSA

por Júlio Cortez Fernandes, em 07.06.17

Barragem de Santa Luzia.bmp

 

Afastado dos grandes centros urbanos de difícil acesso,mesmo assim nesta região ocorreram, factos directamente relacionados com a problemática humanitária inerente ao conflito bélico que dilacerou o mundo, principalmente a Europa de 1939 a 1945 .

No período conflituoso prosseguiam a ritmo "alucinante" as obras para conclusão da barragem de Santa Luzia, tempo urgia, a produção de energia eléctrica destinava-se a abastecer em primeiro lugar as minas de volfrâmio da Panasqueira, possibilitando aumentar até onde fosse possível  extracção do minério utilizado principalmente na industria do armamento, cuja cotação no mercado atingia preços nunca imaginados.

Assim os donos da obra a Companhia Eléctrica das Beiras,lançaram mão das mais inovadoras tecnologias, contrataram no estrangeiro, maquinaria e engenheiros experientes para  rapidamente concluírem a barragem e  iniciar venda de electricidade.

Um dos engenheiros de nacionalidade Francesa encarregue da montagem da conduta de água e turbinas da central eléctrica, pretendeu trazer para junto de si familiar idosa; pediu intervenção dos donos da obra. Em 1941 a Companhia Eléctrica das Beiras (CEB),endereçou ao Presidente do Conselho Prof.Doutor António Oliveira Salazar. exposição " solicitando a intervenção superior de Vxa. junto da Policia de Vigilância e Defesa do Estado,(P.V.D.E ) no sentido de ser autorizado visto de entrada a Madame Fidelman-Zina residente em França, nascida na Roménia em 7 de Fevereiro de 1870. CEB, argumentava com facto da senhora ter 72 anos, não poder dispensar  os cuidados  prestados pelos sobrinhos que se encontram em Portugal. Um deles Alexandre  Lajous, cuja presença indispensável nos trabalhos de Santa Luzia , teria de regressar a França , por dever de familia a não ser seja possivel a entrada em Portugal de sua tia, Não obstante ter nascido em antiga região ocupada pela Rússia, abandonou o seu país como refugiada entrando em França 1923, onde sempre se tem conservado até hoje."

 A petição  remetida por ordem pessoal do Presidente do Conselho ao director da  PVDE, peregrinou por ministérios e repartições, voltando ao gabinete de Salazar. A 21 de Maio 1942 mandou o secretário Dr. Ribeiro da Cunha, responder a CEB, nos seguintes termos:

" venho comunicar que da repartição competente informam não ser possível conceder a autorização  que é solicitada  para a vinda ao nosso País  de Mme. Fidelman-Zina"

Resta esclarecer. a senhora de origem judaica,  quem sabe não foi deportada para um dos tenebrosos locais de tão triste memória?.Fiquemos por aqui.

 

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publicado às 17:08


Pampilhosa da Serra ."Comércios" Desaparecidos

por Júlio Cortez Fernandes, em 27.05.17

Nas pequenas povoações a importância das "vendas" onde podiamos comprar quase tudo, era  maior quando comparada com aglomerados  mais populosos .Na Vila, idos da minha infancia existiu um,  durante dilatado tempo  assumiria relevância no dia a dia vida do "burgo".

 Pensão Central, situada na estrada nacional , baptizada, Rua Rangel de Lima onde actualmente funciona   posto de turismo. Edifício de grandes dimensões para o sítio, construido em 1924,  ocupava todo terreno desde a ponte sobre a ribeira de Unhais ou Pampilhosa, até acesso ao largo José Henriques da Cunha, antigo presidente da Câmara do concelho.

A pensão ocupava o primeiro andar ,no rés do chão ao nível da estrada ficava a sala do restaurante, lado esquerdo da escada de acesso ao piso dos quartos, do lado direito a "venda " onde se vendiam um sem numero de artigos.Normalmente ao balcão pontificava dona Palmira mulher do  Ti Anibal, e certas ocasisões, a filha do casal  Alice, casada com  Zé Cunha, anteriormente referido.

Aníbal Augusto Cortez, primo do meu avô materno Augusto Cortez.Descendia da nossa tia avó Adriana, mãe solteira  por isso, ostracizada pela família, como era costume antigamente.

 Ti Anibal  teria amealhado  apreciável fortuna, garantia de nivel de vida invejável.Deslocava-se as suas "fazendas" montando luzidio macho. Passava na  minha rua, a caminho da  "horta" na barroca chamada Ribeiro da Maúnça.

 Possuía também  propriedade conhecida por  "prazo", situada onde se edificou hotel "vila Pampilhosa"; horta fértil ,regada com agua canalizada em tubo de ferro desde sitio denominado Vale da Grima.O precioso liquido enchia  grande tanque de cimento.A captação da agua deu origem a conflito,  Ti Anibal ganhou porque dispunha de meios financeiros para contratar  bom advogado.

A pensão fechou depois de 25 de Abril de 1974,nos últimos tempos serviu de residência  estudantil,albergando alunos oriundos de todo o concelho que frequentavam a escola preparatória da Pampilhosa.

Durante quase cinquenta anos de funcionamento,milhares de viajantes, e visitantes ilustres da Vila,ficaram hospedados no estabelecimento.

Lembro quando passava na ponte ver as criadas estender roupa no terraço de cobertura  da zona da cozinha ;moças vistosas de uniforme a preceito,  originarias do alto do concelho . Dona Palmira  natural de Praçais na freguesia de Cabril.

Curiosamente há cem anos Maio de 1917, Anibal Cortez ,iniciava a vida comercial, assentando casa de alfaiate na vila,  dizia-se "trabalhava razoavelmente",pelo visto, não se deu mal ,  com agulhas linhas e engenho fez " agasalho" confortável resistente  e protecor contra  carencias quotidianas, guindou-se a personagem importante da sociedade da Pampilhosense, dono e senhor da ´"Pensão". A foto mostra em primeiro plano a "pousada " .

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publicado às 13:32

Pequena povoação de vetusta idade,pela ancestral origem, e falta de fontes de informação,muito do que pretensamente se conhece do burgo e sua história, é lendário e misterioso.Não só as gentes e a terra, igualmente as instituições,são motivo de fantasiosas e imaginativas suposições.

Desde criança , a exemplo dos putos do meu tempo, sempre que ouvíamos tocar a banda filarmónica, "a música", designação que o povo dava e continua a dar a sociedade musical da terra,sentia desejo de saber, quem teria tido a "luminosa " ideia de fundar numa terra desprovida de quase tudo,aquela maravilhosa filarmónica,onde homens habituados a trabalhos rudes e penosos,faziam soar dos instrumentos maravilhosas melodias, enchiam o vale com a sinfonia de composições musicais , cujos nomes conhecíamos de cor : a triste "LÁGRIMA" ou vibrante e nostálgica "SAUDADES DA PAMPILHOSA"  que  provocava furtivas lágrimas nos patrícios ausentes , quando  voltavam cada ano para assistir as festas da vila,o "quinze de Agosto"

Diziam  ser banda muito antiga, afirmavam e afirmam seus dirigentes, teria sido fundada por volta de 1700.Quem teria sido o fundador?, porque desígnio apareceu numa terra longe de tudo tão útil associação?Estas conjecturas surgiam quando caminhávamos a trás da "música" sempre que saia a rua, ou regressava ao "ensaio" nome da sede da "música".

Passadas algumas décadas conheço melhor o pouco que sabemos da história do Grupo Musical de Pampilhosa da Serra.A data inicial de 1700 deve ser lenda ,porquê?

Em Portugal as bandas filarmónicas surgiram a partir meados do século XIX, Eça de Queiroz, no livro "Uma Campanha Alegre", escreveu, Janeiro de 1872 " em algumas terras do reino, as sociedades maçónicas filiais - não tendo trabalho. nem fins mais altos reúnem-se usualmente como bandas de música" . Curiosamente a designação oficial da "música" é Grupo Musical Fraternidade Pampilhosense. Com sabemos os os princípios públicos da maçonaria são Liberdade , Igualdade e FRATERNIDADE.

Um destacado membro de ilustre família da Pampilhosa cedeu graciosamente,cópia de carta que trisavô dirigiu a alguém importante, talvez,da família Costa Cabral.

musics.jpg  Remetente,anuncia na missiva "dar principio nos nossos trabalhos musicais", a data é 1863, o segundo marquês de Tomar, Costa Cabral foi dirigente máximo da maçonaria, ligado a Vila de  Pampilhosa,pelo casamento de sua tia com um  "Neves e Castro",gente rica que habitou a casa grande da terra: "casa branca", No cemitério da vila existe, túmulo com elementos maçónicos onde repousam membros da família "Cabral das  Neves", junção daquelas duas estirpes.

A musica da Pampilhosa, provavelmente iniciativa de maçons, deve ter surgido em 1863, apesar ser voz corrente, seu primeiro mestre ter sido o Padre Tuta do Cabril, não é contraditório com a possibilidade da maçonaria ter tido influencia na fundação da sociedade .  Naquele tempo  padres, bispos, até cardeais pertenceram aquela organização..
Mistério resolvido, se existirem provas da fundação da "música" em 1700,retiro isto tudo, senão como dizem nos casamentos " que se calem para sempre".  

 

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publicado às 11:04


CENTRO CATÓLICO

por Júlio Cortez Fernandes, em 19.03.17

 

Quando terminou a primeira guerra mundial a situação social económica e política de Portugal,  calamitosa.O governo presidência de Sidónio Pais autoritário, dominado por simpatizantes monárquicos com apoio da Igreja católica,suscitava grande animosidade do sector republicano mais antigo e radical.Pressentia-se algo iria suceder, demorou até 28 de Maio de 1926.

As diversas forças políticas foram agrupando o apoio que dispunham. A exemplo do  sucedido por todo o País, clero e fieis católicos da Pampilhosa decidiram formar "centro católico" com a finalidade, concorrerem a eleições futuras.No dia 23 de Junho de 1918,iniciou formalmente  actividade a nova instituição  cívica na Pampilhosa da Serra.

Para assinalar  efeméride realizou-se na Praça Barão de Louredo comício onde participaram , reverendo João da Silva Campos Neves em representação do Bispo Conde de Coimbra.  Professor catedrático da universidade de Coimbra Diogo Pacheco de Amorim, em nome do centro católico coimbrão,Cónego  da Sé de Viseu José Almeida Correia.  deputado católico do circulo de Leiria. Dr.Dinis da Fonseca advogado, também deputado eleito pelo circulo de Arganil , no qual estava integrado o concelho da Pampilhosa.

Presidiu  representante do Bispo, secretariado por Cipriano Barata, e Carlos Reis estudantes universitários naturais da vila. Os oradores e todo clero concelhio tomaram lugar em palanque montado num dos cantos da Praça.  Orador  inicial o cónego Campos Neves, futuramente, seria nomeado Bispo de Lamego.Seguida falou  cónego viseense,mais tarde deputado na Assembleia Nacional do Estado Novo.Quando fazia a intervenção, foi interrompido com apartes de republicanos proferidos por elementos, liderados por Eduardo Carlos,notário juiz de paz chefe do Partido Democrático na Pampilhosa, juntamente com correligionários, entre os quais se destacava o Sr. Antero Henriques Gaspar, sapateiro, um seu aprendiz, o sr. Porfírio Carneiro, e muitos outros , concentrados a porta dum estabelecimento ,próximo ,deram vivas a Republica , o que levou a interrupção do discurso.

O professor Pacheco de Amorim,avançou  para falar, apesar da e contestação dos opositores presentes.

A determinada altura o palco ruiu, provocou grande alarido na assistência que debandou , no meio da risota geral dos "republicanos".Sabemos agora na montagem do estrado, um carpinteiro simpatizante dos "democráticos", havia feito "marosca" de modo que ruísse sem causar danos pessoais como sucedeu.

O comício terminou no adro da capela da misericórdia, Eduardo Carlos e  seus companheiros festejavam ,numa venda da praça a "ocorrência".Um velho republicano que conheci dizia "o centro católico caiu logo no dia em que começou". O ambiente político na vila ficou de "cortar  faca". Aspecto da Praça onde tudo aconteceu. Foto tirada vinte anos depois..

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 Julio Cortez Fernandes

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publicado às 19:30


O TRONO E O ALTAR

por Júlio Cortez Fernandes, em 30.01.17

Implantada a República a 5 de Outubro de 1910,durante décadas nos sítios recônditos e isolados do País permaneceu viva simpatia do povo pela monarquia. Assim  foi no concelho de Pampilhosa da Serra.Em 1910 não existiam republicanos conhecidos naquele concelho. Os primeiros administradores do Município vieram de fora, porque os directórios partidários não confiavam em ninguém da terra.Com decorrer do tempo filiaram-se ou manifestaram simpatia pelos partidos republicanos, pessoas como Eduardo Carlos , o nosso avô materno, o seu cunhado "Gerúndio". marido da Tia Glória, o Tio Benjamim Martins, e poucos mais.

O clero permaneceu, na totalidade, fiel a monarquia,não admira em 1932, quando faleceu no exílio o ultimo rei de Portugal , Dom Manuel II, se verificassem no concelho manifestações de pesar pelo acontecimento.O monarca faleceu  a 2 de Julho de 1932 na Inglaterra.

 Na ocasião do trigésimo dia do falecimento ,o pároco das freguesias de Unhais - o - Velho e Vidual, reverendo padre José Lourenço Antunes de Almeida, tomou  iniciativa de celebrar missa de "Requiem e Libra-me", em sufrágio da alma do monarca.Anunciado com antecedência . acto realizou-se terça -feira 2 de Agosto de 1932.

A igreja do Vidual, repleta de fieis trajando todos de luto carregado,presentes as pessoas mais gradas da freguesia. O sr. padre na "sua palavra fluente e clara que tão bem sabia pender os ouvintes " (sic)., fez o elogio fúnebre de Dom Manuel II,realçando a sua acção no exílio,e condição de fervoroso católico. A missa decorreu com solenidade acompanhada a instrumental por elementos da banda filarmónica de Cebola, hoje S. Jorge da Beira.

Ironia do destino, padre José Lourenço,na luta travada em defesa do povo da aldeia Vidual de Baixo, contra a Companhia Eléctrica das Beiras,exigindo pagamento de justa indemnização pelos prejuízos causados com a construção da barragem de Santa Luzia, teve como ferrenho opositor o Conselheiro Fernando de Sousa,monárquico assumido, católico fundamentalista,este personagem em artigos publicados na imprensa da época,ridicularizou   acção do Padre. Em questões de capital,não há consideração por ninguém.

A influencia dos párocos sobre os paroquianos teve grande influencia para manter aceso o ideal monárquico. Monarquia absoluta reclamava origem divina do poder real.O Miguelismo e Salazarismo moldaram a mentalidade do povo serrano.O trono e o altar foram os pilares onde a elite dirigente se apoiou para manter o domínio sobre a plebe , ate que, os humildes resolveram abalar, e... tudo se desmoronou... 

 

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publicado às 16:02

Sabia há muito,a imagem da padroeira da minha freguesia natal, havia sido oferecida por  conterrâneo ,que a exemplo de outros emigrou para Lisboa, com trabalho e sorte conseguiu situação económica desafogada.Nunca esqueceu o torrão natal, oferecendo a  terra o relógio da torre, e imagem da padroeira.

O patrício Artur das Neves,de simples assalariado,guindou-se  a sócio gerente de importante firma comercial,graças a trabalho esforçado, e protecção de ilustre pampilhosense figura importante do partido de João Franco, presidente de um dos governos  constituídos no reinado de D. Carlos I.

De origem humilde Artur Neves nasceu na Pampilhosa em 1881,  faleceu em Lisboa a 7 de Janeiro de 1932, na sequencia de operação cirúrgica. Voltemos a "história " da imagem.

Em Junho de 1920, Artur Neves juntamente com  mulher filho e outros familiares,acompanhou a entrega da imagem,  a guarda do reverendo padre Álvaro prior da Pampilhosa.

Na ocasião pouco se demorou na Vila, seguindo  em viagem de recreio para a Beira Alta. A execução da imagem orçou cerca 800, escudos, com embalagem e transporte, teria ficado em 1000 escudos, uma quantia razoável , naquele tempo um trabalhador rural ganhava 7$50, por jornal.

Ficou aprazado, a imagem seria colocada num altar da igreja matriz  em Agosto próximo. Assim sucedeu.

No dia quinze de Agosto do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1920, sexta feira, a vila amanheceu engalanada com ambiente habitual dos dias festivos. A hora de missa pelas 10 da manhã a igreja estava repleta de gente, em lugar destacado, junto da imagem de Nossa Senhora do Pranto, o doador Artur Neves e família assistiram ao acto.Durante a cerimónia comungaram cento e cinquenta crianças. Na homilia o Padre José Lourenço Antunes de Almeida,pároco de Unhais - o - Velho, e Vidual , proferiu "belo sermão", este clérigo, considerado o melhor orador sagrado da região naquela época,tal como Artur Neves, fervoroso monárquico, não admira ter sido convidado para a função.No decorrer da missa a Imagem benzida e colocada no altar mor por detrás do sacrário, os fieis presentes ficaram impressionados com a beleza e grandiosidade da imagem.Tudo se processou na melhor ordem, com demonstração de fé.

No seguimento deste acto marcante na vida religiosa da Freguesia formou-se, comissão para  a festa fosse realizada sempre dia 15 de Agosto,  solicitou-se a Câmara Municipal que a feira anual de Agosto se efectuasse nos dias 14 e 15; assim festa e feira seriam mais concorridas. O quinze de Agosto como festividade anual nasceu de facto, em 1920.

Aqui fica a história da imagem da nossa padroeira, em 2020 vão completar-se  cem anos, sobre a chegada a igreja onde se encontra e  espero permaneça por muitos mais.

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publicado às 17:31


A NOSSA FAMILIA "CARLOTO (A)" DE PAMPILHOSA DA SERRA

por Júlio Cortez Fernandes, em 06.01.17

Referimos em varias ocasiões a nossa ascendência do lado materno avô Augusto Cortez.Hoje dia de Reis cumpre o aniversário do avô paterno João Fernandes Carloto,meu saudoso e querido amigo,foi uma figura popular e considerada pela população da vila de Pampilhosa da Serra,em preito a sua memória decidi escrever apontamento sobre a sua longa e profícua vida.

Nasceu em 6 de janeiro de 1886, na quinta da Foz de Vale Covo,onde o pai era caseiro.Casou a 5 de Fevereiro de 1910, com Maria de Ascensão Simões , no entanto sempre conhecida por Maria Olinda,devido ser filha de Olinda da Paixão,diligente e unica parteira da vila durante decadas.Ti João Carloto como ficou conhecido faleceu aos 93 anos,  Fevereiro de 1979.

A  vida dava um filme,a divina providencia concedeu-lhe inteligencia e habilidade notaveis.Tudo o que se propusesse construir ou reparar conseguia.Cumpriu  serviço militar no Regimento de Infantaria de Coimbra,quartel da Rua da Sofia, participou na parada da coroação do Rei Dom Manuel II,realizada na capital em 1908.Na tropa aprendeu a ler,  escrever, e música,graças ao qual se tornou clarim do Regimento.Lembro de ver ainda o instrumento musical na sua casa, e apreciar a forma como tirava som da "corneta", coisa para mim impossível.

Deslocou-se inumeras vezes a Espanha na faina da ceifa,a mestria para aguçar as foices dos camaradas de trabalho, permitia passar o tempo nessa tarefa,menos penosa.Com objectivo de melhorar  vida,quando terminaram as ceifas em Espanha ,abalava até Lisboa onde ganhava o sustento vendendo agua com barril, aos moradores dos andares mais altos,onde a agua não chegava.O chafariz onde se abastecia, o do largo do Rato, os clientes residiam na zona do Principe Real e Bairro Alto.

A estadia em casa do padrinho  de baptismo, João Cortez,irmão do avô Augusto, guarda freio da Carris , que residia na Rua Jau, Alto de Santo Amaro.Com economias construiu  casa no Barreiro onde morou e faleceu.Foi lagareiro, nos lagares da Ribeira de Moninho, e Lagar de Baixo , situado no Cabecinho dentro da Vila de Pampilhosa.

Sendo  figura respeitada,  durante muitos anos foi "cabo de ordens",cuja função era prender  acusados por ordem do tribunal.Nunca ninguem lhe desobedeceu. Tinha distribuida arma e munições, quando  em serviço levava sempre a arma descarregada,era  pessoa de bem,conhecia o ascendente que isso proporcionava.

Aos cinquenta e cinco anos de idade contraiu doença que lhe tolhia o andar quase por completo,dotado de vontade indómita nunca desistiu de trabalhar. Instalou casa abrigo por si levantada na "horta" da Boguela nos arredores da vila, para permanecer na propriedade e efectuar os trabalhos agricolas.Fez o meu berço e a primeira cama , ambos primorosamente executados em madeira

Os seus pais, meus bisavós, foram José Fernandes e Maria Carlota.Casaram no dia vinte e cinco de Agosto de 1875,uma  testemunha do casamento, o bacharel José Maria Henriques da Silva, primo de José.

Natural do lugar de Sobral de Baixo, conhecido por "Zé do Sobral", estava nos 27 anos quando casou, Carlota natural da Vila, um ano mais nova.Henriques da Silva, dono da quinta de Vale Covo,quis para caseiro o primo,  quando faleceu sucedeu-lhe um dos filhos.

O casal além do avô João teve mais descendentes um dos quais Adelino ficou caseiro em Vale Covo, lembro bem dele e  mulher, tia Emília.Dos filhos o mais novo meu grande amigo de infancia o Manuel,é patriarca da familia "Carloto" residente na Pampilhosa.

Meu pai António Maria Fernandes,também conhecido por António Carloto.O meu tio José Carloto filho do Ti Adelino casou com uma prima direita, minha tia e madrinha Maria da Piedade , falecida de modo trágico.

O avô João Carloto foi acompanhado até ao cemitério de São Sebastião pela população da vila em peso,que quis testemunhar a consideração pelo defunto.Tenho orgulho pertencer também a familia "CARLOTO", dedico a todos os primos este apontamento.

Conheci um Rei na minha vida, porque nasceu neste dia.João Carloto querido e inesquecível amigo que adorava e adoro.

Julio Cortez Fernandes (Carloto)

 

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publicado às 17:23


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