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Pampilhosa da Serra ."Comércios" Desaparecidos

por Júlio Cortez Fernandes, em 27.05.17

Nas pequenas povoações a importância das "vendas" onde podiamos comprar quase tudo, era  maior quando comparada com aglomerados  mais populosos .Na Vila, idos da minha infancia existiu um,  durante dilatado tempo  assumiria relevância no dia a dia vida do "burgo".

 Pensão Central, situada na estrada nacional , baptizada, Rua Rangel de Lima onde actualmente funciona   posto de turismo. Edifício de grandes dimensões para o sítio, construido em 1924,  ocupava todo terreno desde a ponte sobre a ribeira de Unhais ou Pampilhosa, até acesso ao largo José Henriques da Cunha, antigo presidente da Câmara do concelho.

A pensão ocupava o primeiro andar ,no rés do chão ao nível da estrada ficava a sala do restaurante, lado esquerdo da escada de acesso ao piso dos quartos, do lado direito a "venda " onde se vendiam um sem numero de artigos.Normalmente ao balcão pontificava dona Palmira mulher do  Ti Anibal, e certas ocasisões, a filha do casal  Alice, casada com  Zé Cunha, anteriormente referido.

Aníbal Augusto Cortez, primo do meu avô materno Augusto Cortez.Descendia da nossa tia avó Adriana, mãe solteira  por isso, ostracizada pela família, como era costume antigamente.

 Ti Anibal  teria amealhado  apreciável fortuna, garantia de nivel de vida invejável.Deslocava-se as suas "fazendas" montando luzidio macho. Passava na  minha rua, a caminho da  "horta" na barroca chamada Ribeiro da Maúnça.

 Possuía também  propriedade conhecida por  "prazo", situada onde se edificou hotel "vila Pampilhosa"; horta fértil ,regada com agua canalizada em tubo de ferro desde sitio denominado Vale da Grima.O precioso liquido enchia  grande tanque de cimento.A captação da agua deu origem a conflito,  Ti Anibal ganhou porque dispunha de meios financeiros para contratar  bom advogado.

A pensão fechou depois de 25 de Abril de 1974,nos últimos tempos serviu de residência  estudantil,albergando alunos oriundos de todo o concelho que frequentavam a escola preparatória da Pampilhosa.

Durante quase cinquenta anos de funcionamento,milhares de viajantes, e visitantes ilustres da Vila,ficaram hospedados no estabelecimento.

Lembro quando passava na ponte ver as criadas estender roupa no terraço de cobertura  da zona da cozinha ;moças vistosas de uniforme a preceito,  originarias do alto do concelho . Dona Palmira  natural de Praçais na freguesia de Cabril.

Curiosamente há cem anos Maio de 1917, Anibal Cortez ,iniciava a vida comercial, assentando casa de alfaiate na vila,  dizia-se "trabalhava razoavelmente",pelo visto, não se deu mal ,  com agulhas linhas e engenho fez " agasalho" confortável resistente  e protecor contra  carencias quotidianas, guindou-se a personagem importante da sociedade da Pampilhosense, dono e senhor da ´"Pensão". A foto mostra em primeiro plano a "pousada " .

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publicado às 13:32

Pequena povoação de vetusta idade,pela ancestral origem, e falta de fontes de informação,muito do que pretensamente se conhece do burgo e sua história, é lendário e misterioso.Não só as gentes e a terra, igualmente as instituições,são motivo de fantasiosas e imaginativas suposições.

Desde criança , a exemplo dos putos do meu tempo, sempre que ouvíamos tocar a banda filarmónica, "a música", designação que o povo dava e continua a dar a sociedade musical da terra,sentia desejo de saber, quem teria tido a "luminosa " ideia de fundar numa terra desprovida de quase tudo,aquela maravilhosa filarmónica,onde homens habituados a trabalhos rudes e penosos,faziam soar dos instrumentos maravilhosas melodias, enchiam o vale com a sinfonia de composições musicais , cujos nomes conhecíamos de cor : a triste "LÁGRIMA" ou vibrante e nostálgica "SAUDADES DA PAMPILHOSA"  que  provocava furtivas lágrimas nos patrícios ausentes , quando  voltavam cada ano para assistir as festas da vila,o "quinze de Agosto"

Diziam  ser banda muito antiga, afirmavam e afirmam seus dirigentes, teria sido fundada por volta de 1700.Quem teria sido o fundador?, porque desígnio apareceu numa terra longe de tudo tão útil associação?Estas conjecturas surgiam quando caminhávamos a trás da "música" sempre que saia a rua, ou regressava ao "ensaio" nome da sede da "música".

Passadas algumas décadas conheço melhor o pouco que sabemos da história do Grupo Musical de Pampilhosa da Serra.A data inicial de 1700 deve ser lenda ,porquê?

Em Portugal as bandas filarmónicas surgiram a partir meados do século XIX, Eça de Queiroz, no livro "Uma Campanha Alegre", escreveu, Janeiro de 1872 " em algumas terras do reino, as sociedades maçónicas filiais - não tendo trabalho. nem fins mais altos reúnem-se usualmente como bandas de música" . Curiosamente a designação oficial da "música" é Grupo Musical Fraternidade Pampilhosense. Com sabemos os os princípios públicos da maçonaria são Liberdade , Igualdade e FRATERNIDADE.

Um destacado membro de ilustre família da Pampilhosa cedeu graciosamente,cópia de carta que trisavô dirigiu a alguém importante, talvez,da família Costa Cabral.

musics.jpg  Remetente,anuncia na missiva "dar principio nos nossos trabalhos musicais", a data é 1863, o segundo marquês de Tomar, Costa Cabral foi dirigente máximo da maçonaria, ligado a Vila de  Pampilhosa,pelo casamento de sua tia com um  "Neves e Castro",gente rica que habitou a casa grande da terra: "casa branca", No cemitério da vila existe, túmulo com elementos maçónicos onde repousam membros da família "Cabral das  Neves", junção daquelas duas estirpes.

A musica da Pampilhosa, provavelmente iniciativa de maçons, deve ter surgido em 1863, apesar ser voz corrente, seu primeiro mestre ter sido o Padre Tuta do Cabril, não é contraditório com a possibilidade da maçonaria ter tido influencia na fundação da sociedade .  Naquele tempo  padres, bispos, até cardeais pertenceram aquela organização..
Mistério resolvido, se existirem provas da fundação da "música" em 1700,retiro isto tudo, senão como dizem nos casamentos " que se calem para sempre".  

 

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publicado às 11:04


CENTRO CATÓLICO

por Júlio Cortez Fernandes, em 19.03.17

 

Quando terminou a primeira guerra mundial a situação social económica e política de Portugal,  calamitosa.O governo presidência de Sidónio Pais autoritário, dominado por simpatizantes monárquicos com apoio da Igreja católica,suscitava grande animosidade do sector republicano mais antigo e radical.Pressentia-se algo iria suceder, demorou até 28 de Maio de 1926.

As diversas forças políticas foram agrupando o apoio que dispunham. A exemplo do  sucedido por todo o País, clero e fieis católicos da Pampilhosa decidiram formar "centro católico" com a finalidade, concorrerem a eleições futuras.No dia 23 de Junho de 1918,iniciou formalmente  actividade a nova instituição  cívica na Pampilhosa da Serra.

Para assinalar  efeméride realizou-se na Praça Barão de Louredo comício onde participaram , reverendo João da Silva Campos Neves em representação do Bispo Conde de Coimbra.  Professor catedrático da universidade de Coimbra Diogo Pacheco de Amorim, em nome do centro católico coimbrão,Cónego  da Sé de Viseu José Almeida Correia.  deputado católico do circulo de Leiria. Dr.Dinis da Fonseca advogado, também deputado eleito pelo circulo de Arganil , no qual estava integrado o concelho da Pampilhosa.

Presidiu  representante do Bispo, secretariado por Cipriano Barata, e Carlos Reis estudantes universitários naturais da vila. Os oradores e todo clero concelhio tomaram lugar em palanque montado num dos cantos da Praça.  Orador  inicial o cónego Campos Neves, futuramente, seria nomeado Bispo de Lamego.Seguida falou  cónego viseense,mais tarde deputado na Assembleia Nacional do Estado Novo.Quando fazia a intervenção, foi interrompido com apartes de republicanos proferidos por elementos, liderados por Eduardo Carlos,notário juiz de paz chefe do Partido Democrático na Pampilhosa, juntamente com correligionários, entre os quais se destacava o Sr. Antero Henriques Gaspar, sapateiro, um seu aprendiz, o sr. Porfírio Carneiro, e muitos outros , concentrados a porta dum estabelecimento ,próximo ,deram vivas a Republica , o que levou a interrupção do discurso.

O professor Pacheco de Amorim,avançou  para falar, apesar da e contestação dos opositores presentes.

A determinada altura o palco ruiu, provocou grande alarido na assistência que debandou , no meio da risota geral dos "republicanos".Sabemos agora na montagem do estrado, um carpinteiro simpatizante dos "democráticos", havia feito "marosca" de modo que ruísse sem causar danos pessoais como sucedeu.

O comício terminou no adro da capela da misericórdia, Eduardo Carlos e  seus companheiros festejavam ,numa venda da praça a "ocorrência".Um velho republicano que conheci dizia "o centro católico caiu logo no dia em que começou". O ambiente político na vila ficou de "cortar  faca". Aspecto da Praça onde tudo aconteceu. Foto tirada vinte anos depois..

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 Julio Cortez Fernandes

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publicado às 19:30


O TRONO E O ALTAR

por Júlio Cortez Fernandes, em 30.01.17

Implantada a República a 5 de Outubro de 1910,durante décadas nos sítios recônditos e isolados do País permaneceu viva simpatia do povo pela monarquia. Assim  foi no concelho de Pampilhosa da Serra.Em 1910 não existiam republicanos conhecidos naquele concelho. Os primeiros administradores do Município vieram de fora, porque os directórios partidários não confiavam em ninguém da terra.Com decorrer do tempo filiaram-se ou manifestaram simpatia pelos partidos republicanos, pessoas como Eduardo Carlos , o nosso avô materno, o seu cunhado "Gerúndio". marido da Tia Glória, o Tio Benjamim Martins, e poucos mais.

O clero permaneceu, na totalidade, fiel a monarquia,não admira em 1932, quando faleceu no exílio o ultimo rei de Portugal , Dom Manuel II, se verificassem no concelho manifestações de pesar pelo acontecimento.O monarca faleceu  a 2 de Julho de 1932 na Inglaterra.

 Na ocasião do trigésimo dia do falecimento ,o pároco das freguesias de Unhais - o - Velho e Vidual, reverendo padre José Lourenço Antunes de Almeida, tomou  iniciativa de celebrar missa de "Requiem e Libra-me", em sufrágio da alma do monarca.Anunciado com antecedência . acto realizou-se terça -feira 2 de Agosto de 1932.

A igreja do Vidual, repleta de fieis trajando todos de luto carregado,presentes as pessoas mais gradas da freguesia. O sr. padre na "sua palavra fluente e clara que tão bem sabia pender os ouvintes " (sic)., fez o elogio fúnebre de Dom Manuel II,realçando a sua acção no exílio,e condição de fervoroso católico. A missa decorreu com solenidade acompanhada a instrumental por elementos da banda filarmónica de Cebola, hoje S. Jorge da Beira.

Ironia do destino, padre José Lourenço,na luta travada em defesa do povo da aldeia Vidual de Baixo, contra a Companhia Eléctrica das Beiras,exigindo pagamento de justa indemnização pelos prejuízos causados com a construção da barragem de Santa Luzia, teve como ferrenho opositor o Conselheiro Fernando de Sousa,monárquico assumido, católico fundamentalista,este personagem em artigos publicados na imprensa da época,ridicularizou   acção do Padre. Em questões de capital,não há consideração por ninguém.

A influencia dos párocos sobre os paroquianos teve grande influencia para manter aceso o ideal monárquico. Monarquia absoluta reclamava origem divina do poder real.O Miguelismo e Salazarismo moldaram a mentalidade do povo serrano.O trono e o altar foram os pilares onde a elite dirigente se apoiou para manter o domínio sobre a plebe , ate que, os humildes resolveram abalar, e... tudo se desmoronou... 

 

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publicado às 16:02

Sabia há muito,a imagem da padroeira da minha freguesia natal, havia sido oferecida por  conterrâneo ,que a exemplo de outros emigrou para Lisboa, com trabalho e sorte conseguiu situação económica desafogada.Nunca esqueceu o torrão natal, oferecendo a  terra o relógio da torre, e imagem da padroeira.

O patrício Artur das Neves,de simples assalariado,guindou-se  a sócio gerente de importante firma comercial,graças a trabalho esforçado, e protecção de ilustre pampilhosense figura importante do partido de João Franco, presidente de um dos governos  constituídos no reinado de D. Carlos I.

De origem humilde Artur Neves nasceu na Pampilhosa em 1881,  faleceu em Lisboa a 7 de Janeiro de 1932, na sequencia de operação cirúrgica. Voltemos a "história " da imagem.

Em Junho de 1920, Artur Neves juntamente com  mulher filho e outros familiares,acompanhou a entrega da imagem,  a guarda do reverendo padre Álvaro prior da Pampilhosa.

Na ocasião pouco se demorou na Vila, seguindo  em viagem de recreio para a Beira Alta. A execução da imagem orçou cerca 800, escudos, com embalagem e transporte, teria ficado em 1000 escudos, uma quantia razoável , naquele tempo um trabalhador rural ganhava 7$50, por jornal.

Ficou aprazado, a imagem seria colocada num altar da igreja matriz  em Agosto próximo. Assim sucedeu.

No dia quinze de Agosto do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1920, sexta feira, a vila amanheceu engalanada com ambiente habitual dos dias festivos. A hora de missa pelas 10 da manhã a igreja estava repleta de gente, em lugar destacado, junto da imagem de Nossa Senhora do Pranto, o doador Artur Neves e família assistiram ao acto.Durante a cerimónia comungaram cento e cinquenta crianças. Na homilia o Padre José Lourenço Antunes de Almeida,pároco de Unhais - o - Velho, e Vidual , proferiu "belo sermão", este clérigo, considerado o melhor orador sagrado da região naquela época,tal como Artur Neves, fervoroso monárquico, não admira ter sido convidado para a função.No decorrer da missa a Imagem benzida e colocada no altar mor por detrás do sacrário, os fieis presentes ficaram impressionados com a beleza e grandiosidade da imagem.Tudo se processou na melhor ordem, com demonstração de fé.

No seguimento deste acto marcante na vida religiosa da Freguesia formou-se, comissão para  a festa fosse realizada sempre dia 15 de Agosto,  solicitou-se a Câmara Municipal que a feira anual de Agosto se efectuasse nos dias 14 e 15; assim festa e feira seriam mais concorridas. O quinze de Agosto como festividade anual nasceu de facto, em 1920.

Aqui fica a história da imagem da nossa padroeira, em 2020 vão completar-se  cem anos, sobre a chegada a igreja onde se encontra e  espero permaneça por muitos mais.

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publicado às 17:31


A NOSSA FAMILIA "CARLOTO (A)" DE PAMPILHOSA DA SERRA

por Júlio Cortez Fernandes, em 06.01.17

Referimos em varias ocasiões a nossa ascendência do lado materno avô Augusto Cortez.Hoje dia de Reis cumpre o aniversário do avô paterno João Fernandes Carloto,meu saudoso e querido amigo,foi uma figura popular e considerada pela população da vila de Pampilhosa da Serra,em preito a sua memória decidi escrever apontamento sobre a sua longa e profícua vida.

Nasceu em 6 de janeiro de 1886, na quinta da Foz de Vale Covo,onde o pai era caseiro.Casou a 5 de Fevereiro de 1910, com Maria de Ascensão Simões , no entanto sempre conhecida por Maria Olinda,devido ser filha de Olinda da Paixão,diligente e unica parteira da vila durante decadas.Ti João Carloto como ficou conhecido faleceu aos 93 anos,  Fevereiro de 1979.

A  vida dava um filme,a divina providencia concedeu-lhe inteligencia e habilidade notaveis.Tudo o que se propusesse construir ou reparar conseguia.Cumpriu  serviço militar no Regimento de Infantaria de Coimbra,quartel da Rua da Sofia, participou na parada da coroação do Rei Dom Manuel II,realizada na capital em 1908.Na tropa aprendeu a ler,  escrever, e música,graças ao qual se tornou clarim do Regimento.Lembro de ver ainda o instrumento musical na sua casa, e apreciar a forma como tirava som da "corneta", coisa para mim impossível.

Deslocou-se inumeras vezes a Espanha na faina da ceifa,a mestria para aguçar as foices dos camaradas de trabalho, permitia passar o tempo nessa tarefa,menos penosa.Com objectivo de melhorar  vida,quando terminaram as ceifas em Espanha ,abalava até Lisboa onde ganhava o sustento vendendo agua com barril, aos moradores dos andares mais altos,onde a agua não chegava.O chafariz onde se abastecia, o do largo do Rato, os clientes residiam na zona do Principe Real e Bairro Alto.

A estadia em casa do padrinho  de baptismo, João Cortez,irmão do avô Augusto, guarda freio da Carris , que residia na Rua Jau, Alto de Santo Amaro.Com economias construiu  casa no Barreiro onde morou e faleceu.Foi lagareiro, nos lagares da Ribeira de Moninho, e Lagar de Baixo , situado no Cabecinho dentro da Vila de Pampilhosa.

Sendo  figura respeitada,  durante muitos anos foi "cabo de ordens",cuja função era prender  acusados por ordem do tribunal.Nunca ninguem lhe desobedeceu. Tinha distribuida arma e munições, quando  em serviço levava sempre a arma descarregada,era  pessoa de bem,conhecia o ascendente que isso proporcionava.

Aos cinquenta e cinco anos de idade contraiu doença que lhe tolhia o andar quase por completo,dotado de vontade indómita nunca desistiu de trabalhar. Instalou casa abrigo por si levantada na "horta" da Boguela nos arredores da vila, para permanecer na propriedade e efectuar os trabalhos agricolas.Fez o meu berço e a primeira cama , ambos primorosamente executados em madeira

Os seus pais, meus bisavós, foram José Fernandes e Maria Carlota.Casaram no dia vinte e cinco de Agosto de 1875,uma  testemunha do casamento, o bacharel José Maria Henriques da Silva, primo de José.

Natural do lugar de Sobral de Baixo, conhecido por "Zé do Sobral", estava nos 27 anos quando casou, Carlota natural da Vila, um ano mais nova.Henriques da Silva, dono da quinta de Vale Covo,quis para caseiro o primo,  quando faleceu sucedeu-lhe um dos filhos.

O casal além do avô João teve mais descendentes um dos quais Adelino ficou caseiro em Vale Covo, lembro bem dele e  mulher, tia Emília.Dos filhos o mais novo meu grande amigo de infancia o Manuel,é patriarca da familia "Carloto" residente na Pampilhosa.

Meu pai António Maria Fernandes,também conhecido por António Carloto.O meu tio José Carloto filho do Ti Adelino casou com uma prima direita, minha tia e madrinha Maria da Piedade , falecida de modo trágico.

O avô João Carloto foi acompanhado até ao cemitério de São Sebastião pela população da vila em peso,que quis testemunhar a consideração pelo defunto.Tenho orgulho pertencer também a familia "CARLOTO", dedico a todos os primos este apontamento.

Conheci um Rei na minha vida, porque nasceu neste dia.João Carloto querido e inesquecível amigo que adorava e adoro.

Julio Cortez Fernandes (Carloto)

 

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publicado às 17:23

No ultimo post, no blog,lancei "apelo " para saber se alguém conhecia o porquê da evocação do monumento.Ninguém soube responder.  Conheço a razão da construção do monumento. porque não revelei logo?

Queria ter certeza que ninguém a não ser eu sabia. No passado descobri onde estava o foral manuelino da Pampilhosa.Com alegria publicitei o facto, ninguém referiu, o protagonista desse "achamento" como se nada de importante fosse e não representasse aturada investigação e pesquisa. Em abono da verdade,  meu amigo José Augusto Veiga, antigo presidente da Câmara , infelizmente, já falecido, sempre apoiou na medida do possível o meu labor, recordo a alegria  quando em conversa com amigo comum , também  falecido, disse "aqui o Júlio encontrou o exemplar do foral da Pampilhosa que se julgava perdido" igualmente, o actual presidente Senhor José Brito e a Vereadora da cultura tem apoiado o meu trabalho acerca da Pampilhosa.  Voltando ao monumento, todos sabem  a labuta e dedicação do senhor Padre Carlos pároco da Pampilhosa para que a obra se concretizasse, derradeira realização enquanto responsável da paróquia de Nossa Senhora do Pranto, padroeira da freguesia.

O senhor Padre Carlos,travou comigo longas e agradáveis conversas na esplanada do antigo café "A Lareira", que existia na vila.Guardo para mim o conteúdo.

 Homem culto, interessado em tudo o que se relacionava com a Pampilhosa.Politicamente conservador,nunca discutiu comigo assuntos de índole política; religiosidade e tradições do povo das montanhas eram entre outros os temas . Padre Carlos,dedicava grande devoção a "Cristo Rei", nomeado prior da Pampilhosa, combinou com Dom Ernesto Sena de Oliveira, Reverendíssimo Bispo de Coimbra, tomar posse do cargo no Domingo dedicado a "Cristo Rei " no calendário litúrgico , como aconteceu. Não seria de estranhar, no fim de longo período da tarefa de pastor espiritual, quisesse deixar  testemunho de fé, em "Cristo Rei ",e talvez, também sinal da sua   preferência pela monarquia.

Desvendado o enigma,curvo-me respeitosamente ,a memória do saudoso pároco meu amigo, que deixou na terra onde nasceu  expressivo e belo monumento . 

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publicado às 17:17


O Monumento Dedicado a Evocação de "CRISTO REI"

por Júlio Cortez Fernandes, em 18.09.16

Quem chega A vila da Pampilhosa da Serra,transitando pela antiga estrada nacional 344,vindo das bandas de Pedrogão Grande ou Oleiros , via Alvaro,depara  na grande curva, entrada do burgo, um monumento de considraveis dimensões, no cimo levanta-se imagem de Cristo. O espaço envolvente está  impecavelmente cuidado pelos serviços da Câmara Municipal do Concelho.

Num  bancos do pequeno largo onde  costumo descansar enquanto contemplo o casario da vila,dei comigo meditando acerca do motivo pelo qual teria sido o motivo se  construiiu o monumento.

Não encontrei resposta, fui relembrando: A povoação guarda no perímetro urbano, várias capelas. São Sebastião , junto ao Cemitério numa das antigas saídas da Vila, São Jerónimo,na encosta sobranceira encimando conjunto das casas que formam zona da Pampilhosa, situada na margem direita do Rio Unhais ou Pampilhosa.A maioria da população residia outrora na margem esquerda, onde de situa a casa onde nasci, as pessoas diziam: São Jerónimo "santo dos do outro lado".No cume do monte por cima de S.Jerónimo ficava a ermida de Nossa Senhora de Fátima, curiosamente antes da capela já era "o sítio de Nossa Senhora".

No interior  da povoação encontramos capela de Santo António, passa por ser de grande devoção entre os Pampilhosenses,pela razão da maioria dos naturais do sexo masculino se chamarem "António". O culto foi iniciado aqui pelos frades do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a quem pertenciam os rendimentos da Paróquia.Existiu a Capela de São Pedro Mártir, demolida nos anos 60 do século passado, de que resta memória na toponímia " Rua de S. Pedro ".

A padroeira da Vila é Santa Maria ,com a designação de Nossa Senhora do Pranto, representada em imagem de grande beleza, recolhida na Igreja Matriz,oferecida por abastado comerciante natural da Pampilhosa  residente em Lisboa e lá falecido na decada de 1930.

Com toda esta profusão de elementos motivo da religiosidade fervorosa dos meus patrícios. porque se construiu o monumento a Cristo Rei e não á padroeira ou outro dos Santos?

Não consegui encontrar resposta naquele momento. Alguém saberá? Gostaria  conhecer a razão  porque no alto do Calvário , nome deste sítio, é Cristo Rei, quem simbolicamente, abençoa o burgo. 

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publicado às 17:29


A GUERRA DA ÁGUA

por Júlio Cortez Fernandes, em 16.03.16

Voltemos ao nosso "poiso" imaginado no miradouro de Cristo Rei, alto do Calvário, vila de Pampilhosa da Serra .A paisagem no quadrante nascente é dominada pela "silhueta" modernista do edifício do Hotel da Vila aberto ao público há cerca de 3 anos.Aquele sítio era conhecido até á década de 80 do século XX, genericamente pela "cabeçada", perto onde foi edificado o hotel , ficava uma "fazenda" denominada "prazo" propriedade de Aníbal Augusto Cortez, a quem pertencia também a principal "pensão" da terra , nos baixos da qual estava instalada ampla e bem fornecida loja comercial, orientada pela sua esposa dona Palmira. "Ti" Aníbal  pessoa abastada, e influente na sociedade pampilhosense .

Relacionado com o "prazo" decorreu  em 1938, intrincado episódio que passou á história da vila ,conhecido pela "guerra da água".O prazo estava bem situado a terra do "chão" de boa qualidade, no entanto faltava água para rega da "horta".Ti Aníbal ,possuía propriedade na barroca do vale da Grima, junto ao caminho, da Pampilhosa na direcção de Janeiro de Baixo, naquele tempo não estava feita a estrada para Castelo Branco. O vale da grima distava cerca de um quilómetro do "prazo" , ali existia nascente que   ti Aníbal, pretendia aproveitar e conduzir a agua por meio de conduta de ferro , assente na berma do caminho público, para tanque de cimento mandado executar no "prazo"

Para concretizar a obra solicitou a devida licença á Câmara Municipal . Quando em sessão da edilidade o presidente Alves Antão júnior , colocou á votação o pedido levantaram-se vozes argumentado que a água pertencia ao povo , e só poderia ser autorizado o seu aproveitamento pela junta de Freguesia.

O presidente da Câmara, entendia, o assunto deveria correr pelos tribunais,pois parecia ser  caso de direito comum ,  fora do âmbito do poder autárquico.O presidente da junta de Freguesia Luís Gonzaga Nunes de Almeida  considerava, ser assunto da competência da autarquia.No pleito estavam também interessados alguns proprietários no Vale da Grima , que aproveitavam os "sobejos" do manancial para regarem os seus "bocados de horta"

Face a complexidade do problema , o presidente da Câmara decidiu solicitar ao Governador civil de Coimbra , Capitão Calado Branco,  nomeação de perito para dirimir o conflito. A escolha recaiu na pessoa do Capitão António Fernandes , presidente da Câmara Municipal de Arganil.

Sexta-feira 5 de Agosto de 1938, aquele autarca deslocou-se a Pampilhosa e conhecer "in loco", toda a problemática para emitir opinião fundamentada. Estava calor nesse dia. Chegado a Vila ,dirigiu-se ao Vale da Grima, acompanhado pelos "desavindos" , e alguns curiosos que surgem sempre nestas ocasiões.

O capitão António Fernandes , pouco demorou na Pampilhosa,  regressou a Arganil , elaborado o relatório , foi a Coimbra conferenciar com o Governador civil. A decisão seria favorável a pretensão de Aníbal Augusto Cortez,  a "secura" da "chã do Prazo" acabou.

O episódio ilustra o clima de crispação e inveja vivido na Pampilhosa, nomeadamente ,no seio da classe dominante.Os visíveis  meios de fortuna de Aníbal Cortez, causavam algum engulho , ao presidente da Junta de Freguesia , também comerciante , aparentemente com menor riqueza que Ti Aníbal.

O desfecho deve ter contribuído para Luís Nunes, a partir de nascente no sitio do "rencão" numa encosta do Cabeço da Urra, montasse uma conduta idêntica, para sua propriedade situada na "eira do Mendes", horta que ainda hoje existe.

Estas "tricas" politico-económicas, motivo de conversas não só no Concelho , como fora dele, pareciam a quem observava de longe , algo de estranho , enfim "coisas da Pampilhosa". Nesta "guerra", ficou demonstrado, para estabelecer ordem na casa era preciso alguém vindo do exterior.A guerra da água revelou-se ao fim e ao cabo uma grande "seca". 

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publicado às 23:54

Os nossos apontamentos acerca das memórias e sítios onde perpassam  recordações da Pampilhosa da Serra, serão futuramente descritas desde a varanda magnífica onde Cristo Rei, imagem grandiosa, austera de braços abertos protege a vila onde nasci, os montes, vales, aldeias e casais, em redor..

Lançando o olhar na direcção do quartel da corporação dos Bombeiros Voluntários Pampilhosenses, e cemitério divisamos a limitar o horizonte montanha imponente chamada, Serra das Estremanças, sulcada por duas estradas municipais uma para a direita, cuja fita de asfalto se perde na fundura do vale em direcção das aldeias dos "Pescansecos" e Praçais, outra rumando para o cimo da encosta até alcançar a aldeia de Sobral Valado , atravessando primeiro, a minúsculo  povoado do Cadavoso.

O nome deriva, de haver sido o limite do morgadio da "quinta da feteira", instituído no século dezassete a favor dos "caldeira de brito",poderosa família, durante séculos mandou na terra e gente destas paragens, com mão pesada.Para cá do cume não existe nenhuma povoação além da vila da Pampilhosa, porque os senhorios não deixaram . O Cadavoso e as Malhadas da Ribeira , surgiram para acolherem os caseiros das suas propriedades circundantes. Deixemos isso, são contas doutro rosário, falemos das "estremanças".

Antes do pinhal cobrir encostas e recôndito das barrocas, a vegetação dominante eram os carvalhais,desta cobertura florestal ficaram nomes como "carvalhal do coira " e "Póvoa do carvalhal", até ao inicio do seculo XX, o povo da Pampilhosa cortava aqui os "carvalheiros" pequenas varas para servirem de apoio aos feijoeiros nas hortas.

Na nossa infância esta serra foi palco de episódio que impressionou os habitantes da vila.A partir de determinada noite de Verão, quem estivesse na rua, avistava subindo a ladeira pela antiga estrada carreteira um feixe luminoso que aprecia e desaparecia conforme era oculto ou não pelo  pinheiral. Sentado na rua do Calvário em frente a casa onde morava, vi claramente tal facto. Impunha respeito contava-se muita coisa sobre  a  causa aquele"sinal".A superstição das pessoas era muita naquele tempo., e daí a serem almas do outro mundo foi um passo.Que seria ?

Afinal passado pouco tempo ,uma semana talvez, o mistério acabou, tratava-se de uma camioneta que um senhor do Sobral Valado tinha adquirido e transportava de noite, para aquela aldeia, barris de resina e madeira, colhidos no pinhal próximo.Carregada até mais não poder a carripana, subia lentamente a vereda proporcionando o "espectáculo fantasmagórico" que assustou a  infância. Não gostei de saber , para mim durante alguns anos aquilo fora bruxedo.As estremanças era sítio onde se devia passar com muito respeito,  nos cruzamentos montanheiros existiam alminhas,  no começo da subida para a serra , na lomba da mina, a bocarra da "buraca" da exploração mineira abandonada infundia respeito.

Observo a serra cuja altitude ronda os 760 metros  actualmente, parece  melancólica, saudosa dos rebanhos caminhantes,  resineiros e outras pessoas  que nela labutavam ou passavam , e enchiam de vida.As estremanças como tudo á volta estão cada dia mais tristes.Ou serei eu?

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